Boêmios no divã

“De repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?"

Nome: Rubão
Local: Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

Errante, publicitário, jornalista.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Não resisti!

(texto original aqui, by Meg Marques)

Cuidados

O menino já tem 34 anos e ainda quer ser cuidado.

Ou, talvez, ele ainda tenha só 34 anos e precise de cuidados.

Ele até sabe tomar banho sozinho (há quem duvide!); mas, às vezes, pede que a namorada lhe dê banho e esfregue as costas.

Sabe escolher as próprias roupas e vestir/despir/tirar/trocar. Mas o resultado invariavelmente é pífio, e quer que a namorada o ajude em cada etapa.

Come sozinho e é bom de garfo. Mas não dispensa, ou melhor, se enternece quando a mulher voluntariamente se oferece para dar uma colherada na sua boquinha, do próprio prato dela. Ele já tem 34 anos, mas ainda pede por cuidados da namorada.

Certamente não por preguiça, nem por ciúmes de ninguém, nem por querer controlar a namorada. Talvez, porque precise mesmo.

Ou porque, simplesmente, gosta de ser cuidado.

Gosta de receber beijinhos quando estão abraçadinhos na mesa de bar, no sofá, seja onde for.
Gosta dos pés esquentando pés enquanto dormem juntos. E da massagem que a namorada lhe concede quando esfrega suas costas nas horas mais íntimas.

Acho que o menino gosta de ser cuidado, mais do que se cuidar sozinho, porque teme os dias em que terá que se virar sozinho; por preocupação, infundada ou não, já sente falta do carinho que acompanha o cuidado, da ternura tépida com que ela veste o seu corpo e agasalha sua alma.

E eu me subtraio e não lhe exijo os cuidados que já poderia dispensar um menino de 34 anos. Porque também pressinto os dias em que o acesso ao meu corpinho será negado às mãos dela, pois este corpinho terá conjugado o infinito verbo do tempo. E hei de querer me pentear sozinho porque terei apenas cãs, não mais o cabelo negro e basto para o deslizar de seus dedos. E vou me encher de pudores perante o corpo que já se modifica e não me deixarei vestir ou despir ou calçar. E não terá volta.

Aproveito o quanto posso, enquanto posso, pois sou um menino de 34 anos e já posso fazer tudo sozinho. Mas a dádiva de um cuidado da mulher é eterno.

8 Comentários:

Blogger MegMarques disse...

HAHAHAHAHAHAHAH
Então aproveita enquanto é tempo, amore!

Segunda-feira, Junho 29, 2009 12:35:00 PM  
Blogger MegMarques disse...

Esta postagem foi removida pelo autor.

Segunda-feira, Junho 29, 2009 12:35:00 PM  
Anonymous Anônimo disse...

Ternura em seu grau mais alto.
A.None Moh

Segunda-feira, Junho 29, 2009 7:55:00 PM  
Blogger K disse...

Que bonitinho ! Tem toda razão , Boêmio, nada como ser cuidado e mimado.

Segunda-feira, Junho 29, 2009 9:59:00 PM  
Blogger Rubão disse...

Diria molecagem - em seu grau mais baixo.

Terça-feira, Junho 30, 2009 9:48:00 AM  
Blogger Tina Lopes disse...

MIMADO!

Terça-feira, Junho 30, 2009 4:38:00 PM  
Blogger Rubão disse...

Gu-gu. Da-dá.

Terça-feira, Junho 30, 2009 4:46:00 PM  
Blogger Helê disse...

Oi, Seu Boêmio. Fiz um post que me lembrou vc e a doutora; é de utilidade pra nós do orgulho boêmio :-).
Helê

Quinta-feira, Julho 02, 2009 9:47:00 AM  

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Início