segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Livrarias, gozo e martírio

Chove sem parar lá fora e, cá dentro, da enxurrada de filmes vistos dos últimos dias, apenas um sobressai sem ressalvas: o brasileiro Estômago. Muito interessante, bem produzido, dirigido, interpretado. Coisa boa. Aliás, o filme nos deixou até uma sobremesa. Numa passagem, um dono de restaurante apresenta uma releitura do tradicional queijo com goiabada. Compramos os ingredientes para o reveillon, vamos experimentar.

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Chuva demais e frio pedem cama. Não somos ingleses.

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Ainda comida: improvisei um arroz com açafrão, legumes, tomates e outros temperinhos que mereceu repetecos no prato - o mais veemente dos elogios ao cozinheiro.

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Livros: fui ler o Arco-íris de Feynman, aquele físico famoso, e acabei emendando Contato, do Sagan, leitura do momento. Li O Enigma do Quatro, um tipo de Código da Vinci, só que mais bobinho e juvenil; o Aleph, do mestre argentino; O mundo é bárbaro, coletânea do Verissimo. Ando agora com um do Woody Allen, Às margens do Sena, um livro-entrevista com o Reali Jr, e tem mais uns tantos outros aí que me resta começar quanto terminar (registro mental: assim como elevar o nível das leituras). 

Já Meg é ortodoxa; dama que só ela, considera uma descortesia iniciar um livro sem dar cabo do atual. Gostaria de ter essa educação e auto-controle.

Auto-controle que certamente falta a ambos, quando se trata de sair incólume de qualquer livraria, sebo ou estabelecimento que venda livros. Não posso deixar a Dra. sem vigilância um só minutinho. Ontem, enquanto subi à casa de mãe para dar um abraço de boa viagem nela e nas irmãs, ela disse que ficaria a me esperar na locadora do lado. Foram uns dez minutinhos. Nesse intervalo, quando voltei, Meg já segurava um livro novinho: o Romanceiro da Inconfidência, da Cecília. Uma promoção irresistível, segundo ela, da locadora multiprodutos/serviços. Eu a censurei, chamei-a de esbanjadora, denunciei a compulsão perdulária e depois disparei: "- Vem cá! E que mais tinha em promoção?" 

Outro dia, foi sintomático. A fim de algum jogo interessante para adultos, visitamos lojas e lojas de brinquedos. Olhamos, olhamos, não compramos nada. A fim de presentear um ente querido, visitamos boutiques e boutiques. Olha vestido pra lá, olha preço pra cá, não compramos nada. Fomos ao cinema ver o que estava passando e, oh: a portinha da livraria está aberta! 

Nem foi preciso examinar muito. Uma olhadela e pronto, lá se vão alguns livros sem titubeio. Enquanto a gente ainda não pode gastar com livros totalmente sem dó e sem culpa, nosso consolo é a mútua indulgência. 










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