segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Aliás

É pena que Borges não tenha nos deixado mais de si próprio, digo, algo confessional. Eu não soubera expressar isso à Dra., quando li, para minha delícia e espanto, certas páginas que abrem ou fecham seus livros. Encantado pela serpenteante habilidade narrativa de um mero prefácio ou epílogo borgiano, veio-me a nítida certeza de que seus escritos "pessoais" seriam tão arrebatadores quanto a ficção. A tradução deste palpite encontrei hoje numa declaração do próprio autor: "Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções diretamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões. Mas cada página que escrevi teve origem em minha emoção".
Uma pena. E que pena.

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