quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Brincadeira!

Perplexo, vejo que a apelação do PIG é total. Conseguiram destitutir a Erenice. Tô pra apostar que a próxima jogada será encontrarem um homem morto ou uma mulher viva na cama da Dilma. Até lá, a próxima capa de Veja deve ter um polvo com grana num tentáculo, metralhadora na outra, etc.

Ao mesmo tempo, a Folha reedita até um comercial de 1987, se não me engano da lavra do Olivetto (muito bom texto por sinal, da época em que não era o jornal que é hoje), como propaganda subliminar contra Lula e Dilma.

Seria exagero dizer abre o olho, democracia?

Hitler, Mussolini e a campanha eleitoral

Oposição muda estratégias e compara Lula a ditadores. Por Cynara Menezes. Foto: Agência BrasilOposição muda estratégias e compara Lula a ditadores

Com o candidato José Serra estacionado nas pesquisas mesmo após três semanas de fabricação ininterrupta de factóides pela imprensa, a oposição começou nos últimos dias a desenhar uma nova e desesperada estratégia: comparar o presidente Lula, eleito, reeleito e prestes a fazer sua sucessora democraticamente, a ditadores nazistas.

Primeiro foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que retornou do ostracismo em que foi jogado pelos próprios correligionários para comparar Lula a Benito Mussolini. “Outro dia eu vi um filme sobre o Mussolini, ‘Vincere’. Fiquei horrorizado porque o Mussolini tinha quase unanimidade. Todo mundo estava do lado dele”, contou FHC. “Faltou quem freasse o Mussolini. Claro que Lula não tem nada a ver com ele no sentido específico, mas o estilo, dizer ‘eu sou tudo, quero o poder total’, não pode. Alguém tem que parar”, conclamou o tucano mor, para quem Lula é o “chefe de uma facção” por fazer campanha para sua candidata, Dilma Rousseff.

Fernando Henrique repercutia uma frase do presidente Lula do dia anterior, segunda-feira 13, em comício em Santa Catarina. Lula disse aos eleitores ali presentes que era preciso “extirpar o DEM da política brasileira”. Como já virou prática, a fala do presidente em relação ao ex-PFL e ex-Arena se transformou, sob a ótica dos colunistas da grande imprensa, em uma tentativa de “extirpar” a oposição no país como um todo.

O presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen, aquele que um dia exortou os brasileiros a “acabar com a raça” do PT, colocou o filho Paulinho para repetir a cantilena ensaiada do “nazifascismo” de Lula. “O presidente tem de estar são e lavar a boca para falar dos Bornhausen em Santa Catarina”, declarou Paulinho bem no estilo familiar, acusando Lula de “mostrar a verdadeira face de protótipo de ditador”. Na quarta-feira 15, foi a vez de outro príncipe herdeiro do DEM, Rodrigo Maia, filho de César, fazer coro, dizendo que o desejo de Lula de extirpar seu partido da política “lembra a perseguição dos nazistas aos judeus”. No mesmo dia, em Juazeiro do Norte, no Ceará, o tucano Tasso Jereissati comparou Lula a Hitler, Mussolini e ao ditador paraguaio Alfredo Stroessner.

Não deixa de causar espanto, neste momento, a iniciativa da Folha de S.Paulo de ressuscitar um velho anúncio de televisão, de 1987, em que cantava loas a si própria como o “jornal que mais se compra e nunca se vende”. Com sua credibilidade abalada por sucessivas reportagens contra Dilma sem similares contra o candidato tucano, a Folha fez reportagem anunciando a ressurreição do comercial “premiado”, que voltou ao ar justamente nos intervalos do último debate entre os presidenciáveis, na rede TV!, no domingo. O texto da peça: “Este homem pegou uma nação destruída, recuperou a economia e devolveu o orgulho a seu povo. O número de desempregados caiu, o produto interno cresceu, a renda per capita dobrou, o lucro das empresas aumentou…” No final, “este homem” aparece: é Hitler.

Alusão a Lula? Coincidência? Haverá quem fale em teoria de conspiração. E haverá quem fale também em orquestração. No ponto a que chegou a campanha eleitoral, não seria forçado dizer que infelizmente nada mais é fortuito.


Cynara Menezes

Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.

Veja isso

Depois isso

Depois

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Recordar é viver

Boêmios no divã segue sua fase política, parcial e popular com a reprodução de texto lúcido de Maurício Dias, colunista de Carta Capital.


Intruso no clube dos eleitos

22/07/2010 10:57:03

Mauricio Dias

FHC denuncia a invasão ao falar de Lula enquanto Serra usa os argumentos dos golpistas de 1964

Os quase 120 anos de história da República brasileira registram poucos gestos de devoção constitucional que possam se igualar à decisão do presidente Lula de vetar mudanças na legislação e abrir caminho para ficar no poder com um terceiro mandato.
Lula resistiu com determinação democrática às pressões e caprichos da vaidade pessoal às quais sucumbiu FHC. O tucano deu sinal verde para que, em causa própria, fossem quebradas as regras. O metalúrgico reverenciou a lei. O sociólogo deu o maior “golpe branco” já registrado nos anais da citada história republicana.

Expressivo contraste. No entanto, mesmo diante dessa evidência, a oposição lança suspeita de golpismo no intruso operário que, para ela, cometeu um erro imperdoável. Um erro intencional, diga-se. Lula invadiu o “Clube de Eleitos”, na expressão de FHC no ensaio “Dos governos militares a Prudente-Campos Sales”.

O clube seria uma entidade que só admitia sócios com diploma superior ou cedia, docemente constrangido, aos que chegavam com “espada na cinta e ginete na mão”.
Veio de José Serra a mais recente frase de desconfiança lançada sobre o operário: “Diziam que existia uma República sindicalista no período de Jango. Eles eram anjos. República sindicalista existe agora”.

Para quem não sabe, ou esqueceu, era assim o discurso golpista em 1964. O mantra que acirrou os militares a derrubarem o presidente João Goulart.
Lamentável. O comportamento político de Serra faz corar frades de pedra.
O que move a oposição de 2010 é a mesma farsa vulgar encenada pela oposição de 1964. Embora tenha tentado recentemente, os oposicionistas não querem, agora, derrubar o presidente. Tentam algemá-lo e amordaçá-lo para derrotarem Dilma Rousseff que, com maiores chances de vitória herda, em intenção de votos, a avaliação positiva que a sociedade faz do governo Lula.

Não foi com truques de marketing que o presidente construiu a popularidade histórica que alcançou. Ela apenas reflete o desempenho de quase oito anos de governo, com tantas ações positivas, que nem mesmo o bloqueio dos meios de comunicação obstruiu a propagação dos resultados desde o Oiapoque ao Chuí.

Ainda agora, foram divulgados índices de redução da pobreza que projetam a possibilidade de, em seis anos, reduzir a quase zero a pobreza extrema no Brasil. Tarde, porém melhor que nunca.

A oposição tentou tirar casquinha ao invocar os benefícios do Plano Real, criado no governo de Itamar Franco e tendo FHC no Ministério da Fazenda. De fato, a estabilidade monetária, mas não a econômica, alcançada pelo real teve um impacto na diminuição da pobreza. Mas há uma diferença entre o impacto secundário e o impacto direto do objetivo político. Diz o Ipea:
“Quando se projeta no tempo a redução nas taxas de pobreza absoluta e extrema alcançadas no período de maior registro de sua diminuição recente (2003-2008), pode-se inferir que em 2016, o Brasil terá superado a miséria e diminuído a 4% a taxa nacional de pobreza absoluta”.

Tiro no pé

Mais um, entre tantos, exemplos de como o PIG tá autossabotando o predicado mais precioso para um órgão de imprensa - a credibilidade.

Tenho que me segurar para não publicar aqui outros absurdos.

Mas é só ir no Nassif, no Tijolaço, no Conversa Afiada. Procura que o Google dá.




Dirceu e os abusos da imprensa

Por foo

Nassif,

Vale a pena dar destaque a esta manchete, pois, logo logo vão começar a repercutir:

José Dirceu reclama de "excesso de liberdade de imprensa"

O ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, reclamou, na noite de segunda-feira (13), em encontro com petroleiros, do "excesso de liberdade e de direito de expressão e de imprensa", como divulgou em nota, na tarde desta terça-feira (14) a assessoria de imprensa do PT na Bahia. O trecho completo da nota do PT: "O primeiro ano do governo da Dilma certamente será marcado pela política. Todos os articulistas na Globo batem na mesma tecla. O problema é o monopólio das grandes mídias, excesso de liberdade e de direito de expressão e de imprensa. A imprensa já disputa até a constituição do governo".

Que absurdo!

Mas vamos ver o que o Dirceu realmente falou?

"Nós somos um partido e uma candidatura que coloca em risco o que eles tão batendo, todos articulistas da Globo escrevem e falam na TV, todos os analistas deles: a noção das garantias individuais e da constituição, que nós queremos censurar a imprensa, que o problema no Brasil é a liberdade de imprensa?

Gente do céu. Como alguém pode afirmar do Brasil é(...). Não existe excesso de liberdade. Pra quem já viveu em ditadura(...)

Dizem que nós queremos censurar a imprensa. Diz que o problema é a liberdade de imprensa.

O problema do Brasil é excesso, bom, é que não existe excesso de liberdade, mas o abuso do poder de informar, o monopólio e a negação do direito de resposta e do direito da imagem. Que está na Constituição igualzinho a liberdade, a Constituição não colocou o direito de resposta e de imagem, a honra, abaixo ou acima da proibição da censura e da censura prévia, corretamente, ou do direito de informação e da liberdade de imprensa, de expressão. São todas cláusulas pétreas."

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=324508&ch=n

Ou seja: o artigo que denuncia Dirceu é um exemplo daquilo que o próprio Dirceu denuncia na mídia: o abuso do poder, a distorção, a mentira.

Infelizmente, não é isso o que o restante da imprensa vai divulgar; e, mais uma vez, os leitores dos grandes jornais serão mal informados, e passarão correntes por email onde garantirão que Dirceu disse o que não disse, e que o PT defende o que repudia.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Virada em MG

Que dias

Às vezes fico besta, perplexo, com a campanha sistemática do PIG - Partido da Imprensa Golpista, a alcunha zombeteira criada para (des)qualificar a, digamos, grande mídia do país: Folha, Veja, O Globo, a Globo, a Abril, Estadão, Época, etc. Uma orquestra afinada para levar o Serra à vitória na disputa presidencial.

Independentemente da denúncia do dia ou do "escândalo" da semana, que devem ser apurados, esclarecidos e punidos, se for o caso, o estupor moralista que exala das indignações dos colunistas e dos editoriais que ora ando colhendo é muito curioso. Porque é bissexto: só se verifica quando governos e políticos trabalhistas estão por cima.

Só para citar um exemplo: gostaria muito de ter visto esta mesma ira santa quando da compra de votos para a reeleição de FH.

Outro dia mesmo, o casal JN anunciou que Dilma interrompeu a campanha para conhecer o neto recém-nascido. Já que exibiriam imagens da vovó com o bebê nos braços, seria uma nota até alegre, trivial, que merecia ao menos um sorrisinho de esquina de boca antes de chamar o VT. Mas, se alguém chegasse na sala naquele instante e visse o semblante dos apresentadores, me perguntaria de imediato: - Morreu quem? Quem?

Volto a repisar: nada de mais o PIG tomar partido. É uma prerrogativa dos estados democráticos. Problema é brandirem a bandeira da imparcialidade. O leitor, o espectador, tem o direito de saber a posição política e as preferências eleitorais da editoria (se formos entrar nos interesses financeiros e comerciais, a conversa fica mais complexa) , do grupo que manda em determinada revista e jornal.

Assim, o leitor, o espectador teria a chance de exercitar e amadurecer seu juízo crítico.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Neo-son


PS. Aí, A. None Moh. Os filhotes daqui mandam hoje aquele abraço.

domingo, 12 de setembro de 2010

Confissões

Foi numa dessas madrugadas assim, com uma latinha à mesa e trocentas outras à cabeça, na solidão do ecrã, que há cerca de dois, três anos atrás, resolvi deixar um comentário no blog Na mesa de bar.

Certamente, eu voltava da noite. Chei de mé. Liguei computador, entrei na internet. Li o blog da moça que há meses fazia minha mente e coração imaginar, suspirar, concordar, compreender, conhecer, admirar.

E, no pulo de uma intuição, no salto de um instante, no vislumbre de tudo o que eu tinha lido até então, veio uma súbita revelação. Do que eu deveria dizer àquela moça, que tinha duas filhas, que eu nunca tinha visto, que eu não conhecia.

Essa moça precisava escutar uma coisa. Eu sabia, sabia o que era, sabia o que era preciso dizer.

Apressado, afoito, atarantado, busquei na minha estante o livrinho que me impressionara anos atrás.

E postei lá o comentário, de toda uma crônica, de Antônio Maria.

Para Meg. Enviar. Enter.

A única, a mais importante pergunta de tudo, a que abria o texto do cronista, era a que também descerrou meu destino de névoas:

É preciso amar, sabe?

11 de setembro

Ao passo em que Meg, me diz, enlevada pelo álcool, que me ama muito (não que o álcool minta, just exacerba) penso em minhas irmãs, e, por consequência, minha mãe.

Porque as amo muito. Hoje, ontem, na verdade, foi aniversário de uma delas. O dia em que o Al Qaeda (escreve-se assim?) resolveu miseravelmente consagrar, após 2001.

Ju. Nanda. Mãe. Minhas outras irmãs, Dandan, Ina, Aninha.

Somos todos irmãos. O impositivo do masculino é só por força da gramática que se sobrepõe, quiçá injustamente, à beleza da prevalência de cinco irmãs.

Não tenho ponto. Apenas escrevo.

Volto a Ju. Que trinta, em 2010. Talvez a mais serena de nós todos.

Mais madura que eu.

Beijo, querida.

Da Nanda, o que valeria dizer caberiam primaveras.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Subscrevendo Brizola Neto - I

Leio no ótimo blog do nosso amigo Cláudio Ribeiro – o Palavras Diversas - a notícia que, domingo passado, a Rede Globo teve de amargar, pela primeira vez em décadas, o segundo lugar em audiência no Rio de Janeiro, como você pode ver aí do lado, no gráfico do Ibope. Melhor ainda, houve equilíbrio entre as três maiores emissoras. E bem melhor ainda que os números revelam que já vão longe o tempo em que a televisão ficava ligada em quase 90% dos lares.
Era fatal, mesmo, que isso viesse a acontecer. O fim do império global é como, em geral, é o fim de todo império: lento, inexorável, fruto das mudanças sociais, econômicas e tecnológicas mas, também, da perda de sua capacidade de impor seus padrões de cultura sobre a sociedade.
Mas não é de televisão que quero falar, ao ler esta notícia. É de imprensa e de liberdade de imprensa.
O privilégio de impressão dado pela nobreza e pelo clero, há cinco séculos, depois de evoluir para uma certa democratização com a pequena imprensa, que se multiplicava em pequenos jornais, no século 19 e começo do século 20, regrediu para a condição monopolista, à medida em que começaram a se formar os conglomerados de comunicação, nos últimos 50 anos.
Tendo Assis Chateaubriand como pioneiro, o poder de imprensa tornou-se tão concentrado que seus veículos se confundiam com as famílias proprietárias: os jornais eram o “da Condessa (Pereira Carneiro)”, o JB, o de Roberto Marinho (Globo), o “dos Mesquita” (Estadão) e, mais recentemente, o “do seu Frias”.
Embora se fale muito em sinergia com a televisão, isso não foi uma regra para a evolução dos jornais. A aliança entre Marinho e a ditadura fez declinar o poder do grupo de Chateaubriand na TV, que começava a se afirmar, e fechou a porta para todos os outros grupos de mídia impressa que pretendiam nele se aventurar. Quem tentou, como o JB, pagou um preço altíssimo pela ousadia de pisar no terreno do “é meu” global, porque televisão envolve custos altíssimos e inviáveis para empresários que têm mais pompa que recursos.
O advento da internet pareceu ser a área onde isso ia se materializar. À exceção do JB, já combalido, eles e as empresas de telefonia ensaiaram um controle oligopolista do novo meio. Para existir na intenet, era preciso estar “pendurado” num dos grandes portais. Estes, por sua vez, terceirizavam o custo da produção de conteúdo. Blogueiros que viveram estes tempos podem contar muito melhor do que eu esta história.
Eu quero falar é justamente deles. Ontem à noite fiquei pensando: será que não vai aparecer, como aconteceu com o bloqueio dos grandes jornais a Getúlio Vargas, o Samuel Wainer da internet, alguém que abra um espaço de comunicação com uma ótica popular e progressista?
Quase de imediato, vi que não é isso, porque o caminho que as iniciativas vitoriosas tomaram não é o da criação de um grande empreendimento, mas o da afirmação da vontade e da capacidade (diria, até, da resistência física) que centenas, talvez milhares de pessoas em romper o monopólio e o dirigismo da informação.
Os blogs progressistas, ao contrário do que ocorreria com grupos de motivação meramente econômica, não competem por receita. Aliás, muitos de nós não as tem ou quase nada as tem, embora o sr. José Serra sustente que somos “sujos” por vivermos de publicidade (?) estatal (?!!). Vivemos uma experiência colaborativa,reproduzimos, uns nos outros, o que nos chama a atenção, não pensamos que o crescimento de nossos acessos se fará “roubando” leitores uns dos outros.
E a realidade mostra que é assim que dá certo. Quem se interessar em pesquisar a evolução do volume de acessos dos blogs de Paulo Henrique Amorim, do Azenha, do Nassif e, até, deste Tijolaço, verá que todos eles crescem de maneira quase harmônica e todos estamos cada vez mais bem situados nos ranqueamentos de sites brasileiros.
O mais legal, em tudo isso, é que acho que nenhum de nós tem a menor idéia de onde e em que isso vai parar. Numa cooperação editorial? Numa cooperação em matéria de estrutura – até porque vocês devem ver a gente saindo do ar volta e meia por problemas de suporte técnico ou, como diz uma amigo meu, “suporte o técnico”?
Querem uma resposta? Não tenho a menor idéia. Só me ocorrem os versos do Gonzaguinha: “Passado/ é um pé no chão e um sabiá/ Presente/ é a porta aberta/E futuro é o que virá…

Subscrevendo Brizola Neto - II

Os dados que foram divulgados agora de manhã pelo IBGE só confirmam o que a gente disse mais cedo aqui. A internet está acabando com o monopólio da informação, não apenas entre a classe média, mas em relação a uma parcela muito mais ampla da população.

É só olhar o gráfico aí do lado, que fizemos sobre a publicação oficial e notar que o acesso à internet é o bem/serviço que apresenta maior crescimento entre todos os considerados para estabelecer uma avaliação de indicadores sociais.

Comparo, no gráfico, o crescimento da posse de computador e de acesso à internet com o de máquinas de lavar roupa que é, entre os eletrodomésticos, o maior ícone de elevação dos padrões de consumo popular. Não apenas a existência de acesso à web saltou de 12,2% para 27,4%, um crescimento de mais de 128% de 2004 a 2009, como este crescimento se deu no caminho de uma equalização de oportunidades.

A região Sudeste continua com a maior proporção de usuários na população total (48,1%, em 2009, contra 26,2% em 2005), seguida pela Centro-Oeste (47,2%, em 2009, e 23,4% em 2005). As regiões Norte (34,3%, em 2009, e 12,0% em 2005) e Nordeste (30,2%, em 2009, e 11,9% em 2005) apesar de ainda terem percentuais pequenos de acesso sobre o total da população são as que apresentaram maior aumento proporcional no contingente de usuários (respectivamente, 213,9% e 171,2%).

Se mantida a média anual de expansão do acesso à rede, nos últimos seis anos, que foi de 14,8% ao ano (a média, porque este índice vem crescendo de ano a ano), já se pode afirmar que quase um terço dos lares brasileiros (31,5%) já possui acesso à rede. Considerando o preço e a dificuldade de acesso nas áreas mais pobres, estamos diante de um fenômeno que vai, simplesmente, explodir com a chegada da banda larga pública.

Isso não é uma discussão diletante, um capricho de blogueiro que, por dever de ofício, apregoa o peso da internet na vida social contemporânea. É, ao contrário, a chave da compreensão dos caminhos da democratização da informação, da participação e do controle popular sobre as políticas públicas. E é, também, a chance de terminarem os oligopólios da comunicação de que se serve a elite brasileira para manter o povo na condição de dominado, não na que lhe é de direito, de força dominante de uma Nação.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A melhor frase da Semana

Errar é humano. Culpar a Dilma pelo erro é jornalismo.


do tuíter DilmafactsbyFolha.

A lavadora e o labrador

Há uma semana, a lavadora de casa, que era minha, originalmente, deu tilt. Uma General Eletric digital, de 10Kg e três anos de uso. Não ligava e o técnico definiu que era preciso trocar a placa com os circuitos.

Bem, a placa se encontra indisponível na região, e só chegaria em 20 a 30 dias. Como nem eu mesmo aguentaria ficar um mês usando cueca do lado do avesso, comprei uma nova máquina.

Mas gostaria de colocar a máquina GE, danificada ou não, à venda. Vendo, troco, negocio.

* * *

A estiagem e o tempo seco que perduram há meses em Belo Horizonte nos deixou imprevidentes.

Sucede que Nelson - como todo bom filhote-de-dois-meses - gosta de dormir perto de onde está gente. No caso, ou, na casa em questão, ao lado da porta da sala que dá acesso à área externa e quintal. Destarte, ele vinha dormindo por alizinho, dentro de uma pequena caixa de papelão que, em breve, seu crescimento tornaria obsoleta.

Contudo, o fim da casinha de papelão chegou mais cedo do que imaginávamos. Estávamos despreparados para a chuva que caiu na madrugada de anteontem.

Às 3h50, Meg me acordou carinhosamente com um soco - "Tá chovendo, olha o Nelson" - e eu fui lá fora ver o bicho, ao mesmo tempo em que tentava espantar o sono imaginando que providência iria tomar. Ele está se acostumando a dormir ao pé da porta e não permaneceria na casinha de cachorro lá embaixo, no quintal. Mas eu também não posso deixar o zé carrapato aqui ao relento, debaixo deste temporal.

Acendo as luzes, abro a porta. Chamo seu nome, não dá pra ver se ele está dentro da caixinha, que a água lentamente desintegrava. Chove bastante. Me abaixo, enfio as mãos lá na caixa e encontro o bicho ensopado e dormindo, a despeito de todo o aguaceiro. É um jacureba mesmo.

Cato o bicho no colo, seco com uma toalha e o coloco pra dormir ao lado da minha cama, o que ele faz, depois de protestar e resistir por uns vinte e cinco minutos.

Moral da história: enquanto Nelson não se acostumar a dormir lá embaixo, longe das pessoas, e a próxima chuva não vem, ele ficará novamente alojado ao lado da porta, agora, em uma linda favelinha decorada por mim - feita de um baú de vime, com o teto reforçado por papelão, plástico-bolha e pranchas de compensado. Chupa, Niemeyer.

E, como bem sabe Deus que não ando com dinheiro sobrando para comprar uma casinha de cachorro bacanuda para acomodar o Nelson, já consigo imaginar outros usos para a máquina de lavar, caso não consiga vendê-la.

Sei que Meg, moça fina, verdadeiramente uma esteta, protestará. Mas, gente. Hoje, reciclagem é tudo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Fiuuu!


Não sei se as mídias deram o devido destaque que merecia a notícia, mas eu passei dois dedos na testa ao saber desses dois asteróides que vão passar hoje pela Terra tirando o fino.

Sinceramente, olhe o projeção e repare:



Não foi por um fio de cabelo estelar?

O asteróide 2010 RF12 vai cruzar o céu a menos de 80 mil Km da gente. Astronomicamente, um triz. É como aquela bola que passa entre a trave e a mão do goleiro.

E ninguém fala nada, acende uma vela, agradece o santo? Sem querer ser catastrofista, mas não pude deixar de pensar que, no dia em que o Acaso passar giz no taco, encaçapa a gente.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dilmei


Novo boom da blogosfera: composições gráficas para camisetas Dilma, um contra-ataque à matéria de capa da Época de semanas atrás. Tem estilo Warhol, verde-amarelo, outros dizeres...

Agora, fala sério. Não tá a cara da mothern Ju Sampaio?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A elite cheirosa sua

Miro: barrar o golpismo
de Serra e da mídia

    Publicado em 02/09/2010
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Miro: o PiG é e sempre será golpista


Extraído do Blog do Miro, presidente do Instituto Barão de Itararé:

Nesta quarta-feira, dia 1º, a coligação de José Serra (PSDB, DEM, PPS) ingressou com pedido de cassação do registro da candidatura de Dilma Rousseff no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O motivo alegado é o da quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao grão- tucano. Desesperado com a queda vertiginosa nas pesquisas, a direita quer implodir a eleição presidencial. Rechaçado pela sociedade, Serra tenta evitar sua derrota no tapetão, envolvendo o TSE numa trama golpista.


Nesta tramóia antidemocrática, o comando serrista conta com o respaldo da mídia tradicional. A ação encaminhada à Justiça está baseada nos factóides difundidos pela revista Veja e pelo jornal Folha de S.P. Ela acusa a candidata pela “prática ilegal de quebra de sigilo fiscal” e “abuso de poder”, mas não apresenta qualquer prova concreta para sua acusação leviana. Mesmo assim, colunistas da mídia, como Merval Pereira, Carlos Nascimento e outros, amplificam as calúnias.


A quem interessa a quebra de sigilos?


A ação golpista já foi rechaçada, como veemência, por Dilma Rousseff. Ela garantiu que nem ela nem seu comando de campanha estão metidos na quebra de sigilos. Também solicitou apuração rigorosa do nebuloso episódio, com a punição dos culpados. Incisiva, Dilma condenou a postura irresponsável do comando serrista. Conforme argumentou, quem tem interesse em tumultuar a eleição, com quebra de sigilos e dossiês, é a oposição demotucana, que definha nas pesquisas.


Inúmeros fatos confirmam esta leitura. O sigilo da filha de José Serra, por exemplo, foi quebrado em setembro de 2009. A própria Receita Federal apurou o crime num inquérito administrativo, numa prova de total transparência. Os factóides da mídia agora têm, portanto, evidente interesse eleitoreiro. O deputado Brizola Neto chega a levantar a suspeita que essa operação criminosa é “armação” dos tucanos. “Sabemos que eles são capazes disso e, depois do que já vimos na campanha de Serra, não se pode ter dúvidas de que possam apelar para este tipo de ação”.


Os objetivos da nova conspiração


O golpismo da aliança Serra/Mídia tem, basicamente, dois objetivos. O primeiro é aterrorizar os eleitores, principalmente da classe média, empurrando a eleição para o segundo turno. Até agora, porém, a manobra não surtiu efeito. O tracking da IG-Band-Vox, que acompanha diariamente a reação dos eleitores aos chamados “fatos novos”, mostrou ontem que Dilma ampliou a vantagem (51% a 25%), sinalizando que o estardalhaço da mídia demotucana sobre a quebra do sigilo não pegou.


O segundo objetivo, tramado pelos setores mais fascistóides da coligação de Serra, é implodir a eleição. Já que não dá para ganhar nas urnas, tentam envolver o STF na trama golpista, cassando a candidatura de Dilma Rousseff. É improvável que o tribunal cometa esta loucura, que colocaria o país em polvorosa. Mesmo assim, é bom ficar em estado de alerta. Nada como uma intensa mobilização, nas ruas e na luta de idéias, para barrar qualquer maluquice golpista.


Ensinamentos do nefasto episódio


Para finalizar, vale refletir sobre os ensinamentos deste episódio. Em primeiro lugar, fica patente que a direita não suporta a democracia. Ela só serve quando é funcional para seus interesses – foi assim no golpe de 1964, é assim hoje. Nesse sentido, a tentativa de cassar a candidatura de Dilma Rousseff desmascara os tucanos, que ainda enganam muita gente com a sua falsa retórica sobre a democracia. Os tucanos representam a nova direita brasileira; são os neo-udenistas.


Além disso, o caso escancara o verdadeiro papel da mídia hegemônica. Ela sempre foi golpista e sempre será. No caso das emissoras de TV e rádio, elas usam um bem público, uma concessão, para atentar abertamente contra a democracia. Seus colunistas abusam da propriedade cruzada, destilando veneno em programas de rádio, televisão, em jornais, revistas e internet. Seria muito útil que a eleição de 2010 servisse para mostrar a urgência do novo marco regulatório no setor, que enfrente a concentração e estimule a diversidade e a pluralidade informativas.

Lunático

Hoje falaram no estúdio: você vive no mundo da lua.

Pensei: deve ser verdade. No trabalho, raramente participo das conversas, dos bate-papos coletivos. Mergulho no computador e permaneço submerso naquele infomar de Gil.

A colega disse que ia embora mês que vem, que ia fazer viagem internacional, que isso-e-aquilo. E eu sabendo de nada.

Mãe concordaria. Nos assuntos de família, também me mantenho alheio.

Fui ao meu almoxarifado dedilhar o arquivo de lembranças de menino. Sempre fui assim? Distraído, absorto, desligado? Ou isso é variável de acordo com as circunstâncias e as fases da lua? Ou a manifestação de um tipo de preguiça gregária ou misantropia, o autismo como algum mecanismo de defesa involuntário e inconsciente?

Às vezes me preocupo com isso; outras, não. Não fazer "o social" vira e mexe me traz aborrecimentos e certamente já deve ter me feito perder oportunidades de novos trabalhos e experiências. As pessoas podem se ressentir. Podem me tomar como antipático. Mas não consigo dedicar ao assunto uma importância maior, que, talvez, ele mereça.

Porque posso não ser um cientista, nem meu papo, futurista. Lunático, certamente.