Vou sair pelas ruas, vou caminhar a esmo, vou beber o vento fresco da noite; vou varar estrelas, vou tocar o tronco das árvores, vou dar passos no andar do meu coração; vou escutar canções com fones invisíveis, vou saltar os hiatos das calçadas, vou cumprimentar paralelepípedos com o meu Boa-noite; vou me distrair contando as luzes dos postes, vou respirar fundo para tomar fôlego, vou reprimir a vontade súbita de sair em disparada; vou perto porque minha cabeça já vai longe, vou devagar porque a única pressa que tenho é a do encontro, vou sozinho para quem só me vê com o olhar das aparências; vou com o semblante distraído, vou com o sorriso bobo, vou com a garganta seca; vou vagar, vou sofrer, vou chorar; vou com dor, vou com paixão, vou com coragem; vou rir, vou sorrir, vou amar.
"Vem andar e voa".
Eu vou.
Vens?
segunda-feira, 31 de março de 2008
sexta-feira, 28 de março de 2008
Digressões ao pé da tarde
Somos realmente a soma das pessoas que conhecemos? Eu pensava nisso enquanto caminhava. As pessoas se tornam histórias, não? Há um ponto em nossas trajetórias que isso acontece. Somos, de certa forma, a soma desse compartilhar de histórias, experiências, trocas.
Mas nem tudo são boas histórias. Umas são felizes. Outras são tristes... histórias que sentimos muito, inesquecíveis histórias; mas que não dá para manter, não dá para carregar junto. Uma desilusão juvenil; a mágoa que ainda não passou e nunca passará; a traição de um amigo; o amor que deixou de ser e virou pesar...
Histórias que têm massa, têm densidade; histórias que a gente pode guardar na lembrança, porque foram e são importantes - pois ajudaram a fazer de você o que você é. E, mesmo porque, são inevitavelmente inolvidáveis. A gente as deve guardar no compartimento lícito das memórias; mas essa vida anda é pra frente, e não dá pra atravessar certas portas se as histórias forem um fardo que se arrasta ao invés da carne de nossa memória. As histórias fazem parte de nós, verdade; mas não devem ter poder maior sobre nossa própria história - a de quem a gente é e a de quem a gente pode vir a ser. Do contrário, como adejar as asas? Como aprumar as penas preso às cadenas?
Eu sei que pessoas são histórias. Mas sei que somos a soma dessas histórias?
Às vezes, me ocorre que o termo somar nem sempre é o mais acertado. Meu pai uma vez me disse: “Filho, acostume-se. A vida é feita de perdas”. O que me leva a crer que somos, também, a subtração - ou divisão - de quem conhecemos.
Com quociente. E o resto é resto.
Mas nem tudo são boas histórias. Umas são felizes. Outras são tristes... histórias que sentimos muito, inesquecíveis histórias; mas que não dá para manter, não dá para carregar junto. Uma desilusão juvenil; a mágoa que ainda não passou e nunca passará; a traição de um amigo; o amor que deixou de ser e virou pesar...
Histórias que têm massa, têm densidade; histórias que a gente pode guardar na lembrança, porque foram e são importantes - pois ajudaram a fazer de você o que você é. E, mesmo porque, são inevitavelmente inolvidáveis. A gente as deve guardar no compartimento lícito das memórias; mas essa vida anda é pra frente, e não dá pra atravessar certas portas se as histórias forem um fardo que se arrasta ao invés da carne de nossa memória. As histórias fazem parte de nós, verdade; mas não devem ter poder maior sobre nossa própria história - a de quem a gente é e a de quem a gente pode vir a ser. Do contrário, como adejar as asas? Como aprumar as penas preso às cadenas?
Eu sei que pessoas são histórias. Mas sei que somos a soma dessas histórias?
Às vezes, me ocorre que o termo somar nem sempre é o mais acertado. Meu pai uma vez me disse: “Filho, acostume-se. A vida é feita de perdas”. O que me leva a crer que somos, também, a subtração - ou divisão - de quem conhecemos.
Com quociente. E o resto é resto.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Até o pescoço
Carro, casa própria, seguros, empréstimos, impostos, taxas diversas, etc...
Tem uma coisa que não entendo. Será o Brasil o único lugar do mundo onde as pessoas te cumprimentam e até te congratulam por contrair dívidas? E quanto maiores e mais aterrorizantes forem os débitos, mais efusivos parecem ser os parabéns e os tapinhas nas costas!
Gente... Por favor, me dêem parabéns quando eu não dever nadica de nada a ninguém. Pelos meus cálculos, daqui a uns 50 anos.
Tudo bem. Vamos seguindo. E como reza a canção:
Beleza pura. Dinheiro, não.
* * *
Da série Novos Velhos Aforismos
"Quem empresta aos pobres dá adeus."
Verdade.
Tem uma coisa que não entendo. Será o Brasil o único lugar do mundo onde as pessoas te cumprimentam e até te congratulam por contrair dívidas? E quanto maiores e mais aterrorizantes forem os débitos, mais efusivos parecem ser os parabéns e os tapinhas nas costas!
Gente... Por favor, me dêem parabéns quando eu não dever nadica de nada a ninguém. Pelos meus cálculos, daqui a uns 50 anos.
Tudo bem. Vamos seguindo. E como reza a canção:
Beleza pura. Dinheiro, não.
* * *
Da série Novos Velhos Aforismos
"Quem empresta aos pobres dá adeus."
Verdade.
Take Five
Aí, Nanda, atendendo a pedidos - taí um link. Clássico do Dave Brubeck que gosto de ouvir no trabalho.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Cadê?
Tô tentando postar um vídeo aqui, numa operação de conta do blogger junto ao mais famoso buscador da web. Acho que fiz tudo direitinho. Mas, até agora, necas. Hmmmmm...
terça-feira, 25 de março de 2008
É um, dois... é um-dois-três-quatro!
Tem um blog muito bom, salvo engano de duas cariocas, chamado Duas Fridas. Vão lá depois, é coisa boa.
Vira e mexe elas sacodem a blogosfera com questões inteligentes, brincadeiras, etc. A última trata do seguinte: músicas com começos arrebatadores. Originalmente se tratam de canções que te façam sair dançando, mas eu gostaria de esticar um pouco a proposta delas - “Qual é a canção que aos primeiros acordes/versos te arrebata?".
Fiz rapidinho uma listinha.
Quando quero sossegar o coração – My prayer, do The Platters
Quando quero fugir – Vilarejo, Marisa Monte
Quando tenho de ir à missa – Igreja, Titãs
Quando quero ser humilde e temente – Romaria, Renato Teixeira
Quando faço besteira – Atire a primeira pedra, Ataulfo Alves
Quando quero dirigir à toa num fim de tarde – La vie em rose, com Grace Jones
Quando quero ficar admirado – O que será, Chico Buarque
Quando quero me sentir criança – Se enamora, Balão Mágico
Quando quero criar um clima – Smooth Opereta, Sade
Quando quero dançar lentinho – I´ve got you under my skin, Frank Sinatra
Quando quero desmunhecar – I will survive, Gloria Gaynor
Quando quero dançar numa boa – Portela na avenida, vários intérpretes
Quando quero chorar sem medo de ser brega – O portão, Roberto Carlos
Quando quero tomar coragem – Um segundo, Skank
Quando quero tomar todas – Lonely Teardrops, Jackie Wilson
Quando quero tomá-la nos braços – Fly me to the moon
Quando quero fazer bubiça – Oh, uh, oooooooooh! (pode não parecer música pra você, mas pergunte aos meus ouvidos)
Vira e mexe elas sacodem a blogosfera com questões inteligentes, brincadeiras, etc. A última trata do seguinte: músicas com começos arrebatadores. Originalmente se tratam de canções que te façam sair dançando, mas eu gostaria de esticar um pouco a proposta delas - “Qual é a canção que aos primeiros acordes/versos te arrebata?".
Fiz rapidinho uma listinha.
Quando quero sossegar o coração – My prayer, do The Platters
Quando quero fugir – Vilarejo, Marisa Monte
Quando tenho de ir à missa – Igreja, Titãs
Quando quero ser humilde e temente – Romaria, Renato Teixeira
Quando faço besteira – Atire a primeira pedra, Ataulfo Alves
Quando quero dirigir à toa num fim de tarde – La vie em rose, com Grace Jones
Quando quero ficar admirado – O que será, Chico Buarque
Quando quero me sentir criança – Se enamora, Balão Mágico
Quando quero criar um clima – Smooth Opereta, Sade
Quando quero dançar lentinho – I´ve got you under my skin, Frank Sinatra
Quando quero desmunhecar – I will survive, Gloria Gaynor
Quando quero dançar numa boa – Portela na avenida, vários intérpretes
Quando quero chorar sem medo de ser brega – O portão, Roberto Carlos
Quando quero tomar coragem – Um segundo, Skank
Quando quero tomar todas – Lonely Teardrops, Jackie Wilson
Quando quero tomá-la nos braços – Fly me to the moon
Quando quero fazer bubiça – Oh, uh, oooooooooh! (pode não parecer música pra você, mas pergunte aos meus ouvidos)
segunda-feira, 24 de março de 2008
Homem do tempo
Bate o telefone, atendo. O colega:
- Seu carro tá estacionado lá fora?
- Sim. Por quê?
- Corre. Tá chovendo granito.
- Seu carro tá estacionado lá fora?
- Sim. Por quê?
- Corre. Tá chovendo granito.
Ecos do Tijuco
Diamantina continua simpática e amistosa. Mais aprazível e menos cosmopolita que outras cidades históricas. Como Ouro Preto, por exemplo. À exceção de uma garçonete carrancuda com quem topamos em duas ocasiões, sempre fomos bem atendidos em educação e cortesia.
* * *
De madrugada, única lanchonete aberta. Fome de carboidrato batendo. Ao lado de cinco pastéis suspeitos e três pálidas coxinhas que pareciam fazer jornada dupla, tinha um quitute na prateleira. Vagamente atraente, mas cuja aparência, formato e cores tornavam impossível de lhe definir o tempero. Seria doce ou salgado?
Perguntamos ao menino que veio nos atender:
"- Rapaz, issaí é o quê? De doce ou de sal?"
O menino:
"- É... bom.. er... isso aí... Isso aí vou te falar o que é... Issaí é... - aí ele vira pro outro que estava no caixa e o grito ecoa pelo salão:
"- Ô Fulano, que quié issaqui mesmo?"
E o outro:
"- Sei lá. Eu que vou saber?"
Aí o garoto se volta pra gente e pergunta:
"- E então? Vão querer experimentar?"
* * *
De madrugada, única lanchonete aberta. Fome de carboidrato batendo. Ao lado de cinco pastéis suspeitos e três pálidas coxinhas que pareciam fazer jornada dupla, tinha um quitute na prateleira. Vagamente atraente, mas cuja aparência, formato e cores tornavam impossível de lhe definir o tempero. Seria doce ou salgado?
Perguntamos ao menino que veio nos atender:
"- Rapaz, issaí é o quê? De doce ou de sal?"
O menino:
"- É... bom.. er... isso aí... Isso aí vou te falar o que é... Issaí é... - aí ele vira pro outro que estava no caixa e o grito ecoa pelo salão:
"- Ô Fulano, que quié issaqui mesmo?"
E o outro:
"- Sei lá. Eu que vou saber?"
Aí o garoto se volta pra gente e pergunta:
"- E então? Vão querer experimentar?"
quinta-feira, 20 de março de 2008
Semana Santa
Vi uma faixa outro dia escritassim:
"Semana Santa - SOBRENATURAL!!!"
"Quarta: orações para curas e milagres"
"Quinta: soluções contra obras de macumbaria"
"Sexta: fortalecimento da fé e orações"
Hmmm...
Tentador, mas acho que vou mesmo pra Diamantina.
"Semana Santa - SOBRENATURAL!!!"
"Quarta: orações para curas e milagres"
"Quinta: soluções contra obras de macumbaria"
"Sexta: fortalecimento da fé e orações"
Hmmm...
Tentador, mas acho que vou mesmo pra Diamantina.
terça-feira, 18 de março de 2008
Receita Sapeca
Vamo lá, moçada!
Cê pega agora meio quilo de merluza
Numa travessa e, sapeque, introduza
A gosto: cebola, alho, sal e limonada.
Vamo ao liquidificador
Sem ordem de chegada nem primazia:
Molho de tomate, pimenta (pra dar ardor)
E leite de côco (pra lembrar a Bahia).
Vamo lá que tá ficando bão!
Antes de bater, atenção ao toque:
Raspe um copo de requeijão
Pra assentar Minas nesse fricote.
Vamo ligá o bicho na tomada
Zum! Pronta a deliciosa calda
O peixe tá ali, mal güenta esperar
Se derretê no banho desse mar.
Vamo ao forno sem demora
Então, é mais do que suficiente
Pouco mais que meia hora
Pra ficar borbulhando de quente.
Pra acompanhar, basta uma tigela de arroz
E, melhor, uma gatinha mimosa
(O prato serve três, mas a dois - hum! -
A receita fica bem mais gostosa!)
Cê pega agora meio quilo de merluza
Numa travessa e, sapeque, introduza
A gosto: cebola, alho, sal e limonada.
Vamo ao liquidificador
Sem ordem de chegada nem primazia:
Molho de tomate, pimenta (pra dar ardor)
E leite de côco (pra lembrar a Bahia).
Vamo lá que tá ficando bão!
Antes de bater, atenção ao toque:
Raspe um copo de requeijão
Pra assentar Minas nesse fricote.
Vamo ligá o bicho na tomada
Zum! Pronta a deliciosa calda
O peixe tá ali, mal güenta esperar
Se derretê no banho desse mar.
Vamo ao forno sem demora
Então, é mais do que suficiente
Pouco mais que meia hora
Pra ficar borbulhando de quente.
Pra acompanhar, basta uma tigela de arroz
E, melhor, uma gatinha mimosa
(O prato serve três, mas a dois - hum! -
A receita fica bem mais gostosa!)
segunda-feira, 17 de março de 2008
Nada como segunda à noite
Pra sair do trabalho às sete.
Pra encontrar minha cama mais tarde
Pra ficar à janela de casa
Pra deitar os olhos na noite
Pra acordar o que em mim adormece
Pra respirar bem fundo
Pra sorrir de qualquer tristeza
Pra debochar de toda chaga
Pra não se apequenar jamais
Pra se perdoar novamente
Pra crescer um pouco mais
Pra serenar a alma
E sentir o espírito livre outra vez.
Pra encontrar minha cama mais tarde
Pra ficar à janela de casa
Pra deitar os olhos na noite
Pra acordar o que em mim adormece
Pra respirar bem fundo
Pra sorrir de qualquer tristeza
Pra debochar de toda chaga
Pra não se apequenar jamais
Pra se perdoar novamente
Pra crescer um pouco mais
Pra serenar a alma
E sentir o espírito livre outra vez.
Nada como segunda de manhã
Ressaca.
Computador estragado de novo.
Estacionamento lotado.
Chefe de cara feia.
Cliente desaprovando criação.
Pálpebras pesadas.
Cara de sono.
Barriga vazia.
Paciência pouca.
Grrr.
Computador estragado de novo.
Estacionamento lotado.
Chefe de cara feia.
Cliente desaprovando criação.
Pálpebras pesadas.
Cara de sono.
Barriga vazia.
Paciência pouca.
Grrr.
quinta-feira, 13 de março de 2008
Qada cual com seu cada qual
Esse finde, a Doutora e eu fomos pra rua. Uma apresentação de chorinho ótima no A Casa, em Santa Efigênia. Caba o show, nóis se aconcheguemo mais pra perto da rodinha dos músicos que tocavam informalmente. Pedi uma canção, fui atendido, e então foi aquele trocar de palavras, talecoisa, coisital.
Daí que tinha duas meninas sentadas ao lado, bem juntinhas. Visu legal, despojado, moderninho. Uma jornalista/cantora/poeta; a outra, arquiteta. Papo bacana, tudo beleza, e o bar fechando. De repente, surpresa: Meg e as garotas fazem aniversário no mesmo santo dia - não me pergunte como elas descobriram isso em menos de cinco minutos - e, quando assusto, tão lá as moças numa algazarra que mereceu até foto de RG pra registrar.
Aí bateu a fome da noite, o bar fechou. Esticamos pra outro. Chegando lá, o resumo da ópera: a moça com a idade da Meg descobriu há menos de um mês que era lésbica. Estava com um rapaz na Obra quando conheceu a outra garota e, nas suas próprias palavras, “foi arrebatada”. Dispensou o rapaz, ficou com a arquiteta, avisou a família, marcou c’a outra o casório numa vila do interior para a véspera do aniversário conjunto e - tchanran, para completar a narrativa arrebatadora - nos convidou para ser padrinho e madrinha!!!
O entendimento entre todos foi ótimo, tanto que aceitamos no ato, mas...
Acho que aquela noite e o tal convite foram só porralouquice pois, embora tenhamos passado nossos contatos, as meninas até agora não deram alô. Tento aqui preservar a identidade delas e pensei três vezes antes de contar esse caso. Mas, quer saber? Elas me pareceram tranqüilas e desencanadas. As famílias tão sabendo e aceitaram. E, pô, a despeito de toda a precipitação possível, as meninas estão assumindo que se amam mesmo, se gostam, se adoram, e daí? Problema de quem achar ruim.
Se elas nos procurarem e descobrirem o que contei aqui, podem talvez é achar ruim comigo e até admito a possibilidade de retirarem o convite de padrinho. Ok, desde que não se retire o convite para a festa de casamento. Não quero perder esse rega-bofe, nem!
Daí que tinha duas meninas sentadas ao lado, bem juntinhas. Visu legal, despojado, moderninho. Uma jornalista/cantora/poeta; a outra, arquiteta. Papo bacana, tudo beleza, e o bar fechando. De repente, surpresa: Meg e as garotas fazem aniversário no mesmo santo dia - não me pergunte como elas descobriram isso em menos de cinco minutos - e, quando assusto, tão lá as moças numa algazarra que mereceu até foto de RG pra registrar.
Aí bateu a fome da noite, o bar fechou. Esticamos pra outro. Chegando lá, o resumo da ópera: a moça com a idade da Meg descobriu há menos de um mês que era lésbica. Estava com um rapaz na Obra quando conheceu a outra garota e, nas suas próprias palavras, “foi arrebatada”. Dispensou o rapaz, ficou com a arquiteta, avisou a família, marcou c’a outra o casório numa vila do interior para a véspera do aniversário conjunto e - tchanran, para completar a narrativa arrebatadora - nos convidou para ser padrinho e madrinha!!!
O entendimento entre todos foi ótimo, tanto que aceitamos no ato, mas...
Acho que aquela noite e o tal convite foram só porralouquice pois, embora tenhamos passado nossos contatos, as meninas até agora não deram alô. Tento aqui preservar a identidade delas e pensei três vezes antes de contar esse caso. Mas, quer saber? Elas me pareceram tranqüilas e desencanadas. As famílias tão sabendo e aceitaram. E, pô, a despeito de toda a precipitação possível, as meninas estão assumindo que se amam mesmo, se gostam, se adoram, e daí? Problema de quem achar ruim.
Se elas nos procurarem e descobrirem o que contei aqui, podem talvez é achar ruim comigo e até admito a possibilidade de retirarem o convite de padrinho. Ok, desde que não se retire o convite para a festa de casamento. Não quero perder esse rega-bofe, nem!
Façamos
“Os rouxinóis nos saraus fazem
Picantes pica-paus fazem”
Cole Porter/ Carlos Rennó
A manchete do dia não foi o pacote para aparar a queda do dólar, nem o ligeiro crescimento do PIB, tampouco o cidadão que encontrou no lixo da lotérica uma raspadinha premiada de sete mil reais. A manchete do dia fala de amor...: “Duas fêmeas para Idi Amin”.
Podem objetar exagero. Podem dizer que o amor não pertence ao reino dos animais. Talvez. Mas, vejam só o que é o comportamento do cachorro que fica meses sem fruir dos encantos de uma cachorrinha. Quando finalmente tem a cópula merecida, como fica feliz! Até os olhos babam de contentamento.
Não entendo de ornitologia, mas não existem psitacídeos que são fiéis para a vida toda? Não há espécies de pássaros canoros que se entristecem, e murcham, e silenciam o canto se não compartilham a presença de um companheiro?
Não reside aí algum tipo de amor? De vida, de beleza, de essência, seja qual for? Já sei - já sei a resposta. Ora, deixem por um segundo o imperativo biológico reprodutivo de lado e a minha visão antropológica e subjetiva em paz.
Pois nosso tranqüilo Idi Amin, 35, ilustre residente do Zoológico de Belo Horizonte, vai receber, depois de 24 anos de solidão, a companhia de duas charmosas gorilinhas do Primeiro Mundo. Duas, uma para cada dúzia de anos! Aí está. Do nada, eis agora nosso Amin realizando a fantasia selvagem dos machos concupiscentes!
Êita, faço votos. Que tu, Amin, ao primeiro contato com tuas damas da Europa, sejas educado, mui zeloso e cortês; e, ao conquistá-las com teu amor e algumas bananas, possas possuí-las com a fúria da tua enorme solidão e a volúpia feroz da tua carne. E, ao fazê-lo, que seja bem-feito, para que as cative eternamente em teu novo lar e no grande e amoroso recanto do teu coração. Vá, Amin! Honra a nós todos, gorilas mineiros!
Façamos, gente. Vamos amar.
terça-feira, 11 de março de 2008
It's rock n' roll, baby
Outro dia me pediram para bolar nomes para um conjunto de rock infantil. Estou aceitando sugestões, mas, sem pensar muito, saiu isso aí - o que, não sem pouca coragem, posto agora.
Algumas versões mais radicais, hardcore, punks:
Nescáusticas
Energia corrosiva que dá gosto
Kids Ritmia
Seu cérebro vai entrar nessa onda
Hasta la vista Babies
Extermina seus tímpanos
Creche - No limit
Chocante
Fraldas & Fraudes
Daqui só sai m...
Emo Roydas
Toca fundo em você
Mini Macs
The delicious taste of the junkie sound
E também a versão de algumas bandas nacionais:
Algumas versões mais radicais, hardcore, punks:
Nescáusticas
Energia corrosiva que dá gosto
Kids Ritmia
Seu cérebro vai entrar nessa onda
Hasta la vista Babies
Extermina seus tímpanos
Creche - No limit
Chocante
Fraldas & Fraudes
Daqui só sai m...
Emo Roydas
Toca fundo em você
Mini Macs
The delicious taste of the junkie sound
E também a versão de algumas bandas nacionais:
Barão Vermelho - Boletim Escarlate
Notas nada musicais
Kid Abelha e os Abóboras Selvagens - Abelha Kids e os BigMac’s Irados
Zzzzzzzzzz! Crunch! Chump! Shlap!
Capital Inicial - Mesada Inicial
A banda que não dá nem pro gasto
Inimigos do Rei - Inimigos de Herodes
Esse som é de morte!
Na medida
Vi finalmente Tropa de Elite. Bom, mas não excepcional como diziam. A narrativa, bem construída; o Wagner Moura, um dos bons atores da sua geração; o filme, bem produzido. Não sou crítico, e embora tenha gostado de acompanhar e compreender um determinado ponto-de-vista, as vozes que acusaram o Padilha de apologista da tortura, violência ou facismo, ou sei lá o quê na repressão contra o crime, me pareceram exageradas. Tropa não é isso mesmo? Uma opinião, um juízo de valor, um ponto-de-vista? Por outro lado, tampouco entendo a baba, fissura ou pico de testosterona que até hoje uma pá de gente parece sentir ao repetir os bordões “Pede pra sair, Zero-dois”, “Traz o saco”, etc.
De qualquer forma: na narrativa desse dilema social, visto pelo olhar do Capitão Nascimento, Tropa de Elite bate. Bate bem, bate em cima - um olhar que mata mais do que atropelamento e menos que bala perdida.
Pra mim, o trunfo de Tropa é seu recorte - de uma realidade, de uma perspectiva -, visto que, se está longe, bem distante de ser um filme ou história ruim, também não é lá essas coisas.
É ali essas coisas.
De qualquer forma: na narrativa desse dilema social, visto pelo olhar do Capitão Nascimento, Tropa de Elite bate. Bate bem, bate em cima - um olhar que mata mais do que atropelamento e menos que bala perdida.
Pra mim, o trunfo de Tropa é seu recorte - de uma realidade, de uma perspectiva -, visto que, se está longe, bem distante de ser um filme ou história ruim, também não é lá essas coisas.
É ali essas coisas.
Na cabeceira
Ontem à noite. À série de livros lidos em frações que habitam a periferia de meus lençóis, juntaram-se outros: o de Sonetos e Nova Antologia Poética, daquele famoso professor de Ciências Naturais, autor desses posts mais recentes.
Por fim, atravessei as flores múltiplas, as cores doces, as mulheres de sonho, a espuma do mar, o céu e sol iridescentes do Rio para tatear através do fog sombrio, a meia-luz dos lampiões, as frias calçadas e úmidas ruelas de uma soturna Londres à cata de um agressor contumaz de mocinhas, um famigerado senhor que atende pelo sobrenome de Hyde.
Bela troca. Deveria ter comprado a Ilha do Tesouro.
Por fim, atravessei as flores múltiplas, as cores doces, as mulheres de sonho, a espuma do mar, o céu e sol iridescentes do Rio para tatear através do fog sombrio, a meia-luz dos lampiões, as frias calçadas e úmidas ruelas de uma soturna Londres à cata de um agressor contumaz de mocinhas, um famigerado senhor que atende pelo sobrenome de Hyde.
Bela troca. Deveria ter comprado a Ilha do Tesouro.
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