quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Queremos trem! Trem! Trem!

Depois de ter o privilégio de perambular por um país com uma grande capilaridade ferroviária - a Itália - soava como burrice ou absurdo os sucessivos governos brasileiros não terem investido nisso. Depois de ler o comentário a seguir, agora soa apenas como absurdo.

Desconfio sempre que posso da "falta de visão" de nossos representantes. Cada vez mais me parece que a velhacaria se disfarça de uma aparente idiotia.




Por alfredo machado

Comentando o post "O dilema do transporte coletivo"

Nassif:

Um das razões para o sucateamento da malha ferroviária nacional foi a atuação, a partir da década de 60, época que marcou o início da atuação das montadoras multinacionais no país, do lobby barra-pesada da indústria do petróleo, isto é, o país se movendo pelas estradas – mais e mais caminhões e ônibus, mais carros, mais pneus, mais gasolina, a ele se juntando o lobby das empresas de obras rodoviárias, com pavimentação à base de petróleo e seus recapeamentos já programados, tudo isto se transformando uma autêntica galinha dos ovos de ouro para uma meia dúzia, e ai de quem tentasse sugerir uma melhoria no transporte ferroviário. Tal percepção teve reflexo direto no desenvolvimento das políticas de transporte de massas nos grandes centros, uma vez que o transporte sobre trilhos, muito mais barato e eficiente (a matéria demonstra isto) nunca foi tratado como deveria ser, como prioridade número um.

Como citei recentemente, em minha opinião o transporte ferroviário urbano se transformou numa coleção de nuncas- nunca foi bom, os trens nunca foram confortáveis e a população nunca os tratou corretamente. Quando os estudos de avaliação para atender ao crescimento das cidades (RJ e SP), se fizeram necessários, o transporte sobre trilhos foi posto de lado, com todos os corredores de transporte (à exceção de uns poucos km destinados ao metrô) sendo equivocada e lamentavelmente destinados ao lobby do petróleo.

A este poderoso lobby agregou-se outro equivalente, o dos concessionários de transporte, um reduzido grupo de multimilionários que operam uma das atividades mais lucrativas de que se tem notícia, grupo seleto que, ao longo dos anos, criou uma perversa teia de interesses ao tornar-se o grande financiador de todas as campanhas políticas em diversas capitais do país.

Esta situação - muito $$$$ a alimentar diariamente, sem falha, a meia dúzia (público e o privado) que dela se privilegia diretamente, me parece ser um dos principais obstáculos para a execução de uma política de transporte urbano que privilegie o bem estar de seus usuários. Para este conjunto de lobbies beneficiados, que se dane o conforto das pessoas, pois lutará bastante para manter a boca riquíssima como está.

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