segunda-feira, 14 de abril de 2008

Questão de perspectiva

Boa semana, senhores. Lembrem-se: um feriado se aproxima. Se conseguirmos, poderemos nos cansar um pouco menos.

Não chego ao otimismo inveterado, mas por aí há quem ouça Cantando na Chuva e se lembre mais do Malcom McDowell do que do Gene Kelly.

Semana

Fora o trabalho normal, tem-se os trabalhos e leituras da pós-graduação. Nada de mais pra conciliar, todo mundo sabe como sou um cara organizado.

Tem também imposto de renda, descobrir o paradeiro dos documentos, juntar a papelada, fotocópias, ir ao contador, etc. Nada de mais, minha fama de zeloso me precede.

E, como tempo é luxo de que todos dispomos, inventei semana passada de fazer dois cursinhos-culinários-gratuitos-relâmpagos esta semana: Massas e molhos, na terça; Sushi e sashimi, na quinta.

Talvez aprenda algo interessante e fácil de se fazer.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Há quem nasça pra ser ninguém

Não fui eu quem disse que nome é destino. Lembrei-me disso hoje. Vagando perdido entre possibilidades e devaneios profissionais, acabei me achando pertinho de desalento.

Desígnio é nome, dizem. Caso genuíno de meia-mentira que também é meia-verdade. Quem duvida, que pergunte ao Bispo Sardinha.

Pensei comigo: e eu. Chácara Miguez. Será meu destino ser sitiante? E vou criar o quê? Causo?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Maleta

Tenho sentido falta de, hora dessas, poder exercitar o raciocício, flexionar os neurônios, fletir as células cinzentas. A ferrugem mental e a eterna falta de tempo são desculpas que calham? Seria bom tentar ser mais analítico, em alguns momentos, sobre assuntos quaisquer, talvez, do que ser somente e sempre reprodutor de micro-efemérides, ligeiras vicissitudes pequeno-burguesas e notas destituídas de interesse público.

* * *

Como esta: não me recordo da última vez que havia ido ao Edifício Maleta para tomar uma geladinha, ali na Cantina do Lucas. Fomos à despedida de uma amiga da minha gerente. Homossexuais, artistas, artesãs. Fauna interessantíssima, embora não tenha tido a oportunidade de travar um diálogo consistente com ninguém. Ouvi mais do que falei, respondi menos do que perguntei. Pensando agora, nem sei quem de fato observava quem.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Comida di buteco

A exemplo da Meg, que ano passado divulgou a lista, me antecipo e reproduzo aqui os bares cadastrados. Um oferecimento do Serviço Social Boêmios no Divâ.
(aliás, não sei vocês, mas acho esse "di" talvez a única coisa do Festival que não dá pra engolir).

COMIDA DI BUTECO 2008

Agosto Butiquim
Rua Esmeralda, nº 298 – Prado 3337-6825
PECADO ORIGINAL: conserva de lagarto temperado e desfiado com petisco de maçã condimentada.

Amigos e Antigos Avenida Sebastião de Brito, 33 - Dona Clara - CEP:31260-0003492-7741
MINEIRINHA TROPICAL: costelinha de porco assada com torresmo e molho de abacaxi com hortelã.

Armazém do Árabe
Rua Luz, No. 230, B. Serra - CEP: 30220-080(31) 3223-1410
MICHUI DE CORDEIRO À MODA ARMAZÉM: cordeiro assado, com molho de hortelã, batata noisette sauté e cebola marroquina.

Autêntico's Bar
Av. Professor Mário Werneck, 895 - Estoril 3378 3215
ATOLA-COXA: coxinha de frango invertida acompanhada de 2 molhos (mostarda e mango chutney) + tomates cereja recheados.

Bar 222
Rua Francisco Deslandes, nº 222 - Anchieta - CEP: 30310-5303287-7712
OS 3 MOSQUETEIROS E AS DOCES DONZELAS: peito de frango, pernil e filé mignon com molho de gorgonzola e batata doce frita.

Bar da Ana
Rua Joaquim de Figueiredo, 430 – Barreiro de Baixo - CEP: 30640-0903384-3034
PORTATA: lombo de panela, com molho vermelho de pimenta dedo de moça e batata bolinha em conserva.

Bar do Careca
Rua Simão Tamm, 395 – Cachoeirinha - 31.130-27031 3421-3655
SURPRESA DO CARECA: dobradinha à milanesa com mini batatas fritas no bacon e molho especial da casa.

Bar da Cida
Rua Numa Nogueira, nº 287 - Floramar - CEP: 31840-4003434-8715
ROLA-BOLA NO BAR DA CIDA: almôndegas ao molho da casa com batatas acompanhada de pãozinho pra moiá.

Bar do Antônio (Pé-de-Cana)
Rua Flórida, 15 - Sion - CEP: 30310-710(31) 3221-2099
ROLINHO DE LAGARTO: enroladinho de lagarto com presunto de parma ao molho de vinagre balsâmico.

Bar do Caixote
Rua Nogueira da Gama, 189 - João Pinheiro - BH / MG(31) 3376 3010
SEGREDO DO CAIXOTE: peito de frango e queijo enrolado no bacon acompanhado de 2 molhos diferentes + cebola a milanesa.

Bar do Careca o Pescador
Av. José Lopes Muradas, nº 310 - Floramar3434 6448
ARRASTÃO DO PESCADOR : pescados e surpresas.

Bar do Ceará
Avenida Henfil, 525 - Serrano - (31) 3475-5362
VACAXEIRA: chãzinha na chapa com mandioca cozida e manteiga de garrafa. Acompanha mini cebola em conserva e queijinho ralado por cima da mandioca.

Bar do Dedinho
Rua Deputado Anuar Menhen, nº 231 - Santa Amélia31 3047 1012
CHAPA DO DEDO: lingüiça cuiaba coberta com queijo minas ralado + filé acebolado e torresmo carnudo.

Bar do Doca
Rua Américo Macedo, 645 - Gutierrez 3291-6594
MOQUECA DE CARNE-DE-SOL: medalhão de carne de sol recheado com queijo coalho e banana; mergulhados no molho, com palmito de pupunha e pimenta biquinho. Acompanha farofa de torresmo.

Bar do João
Rua Geralda Marinho, nº 117 - São João Batista - CEP: 31515-4203451 1344
DOBRADÍSSIMA: dobradinha ao molho da casa com bacon, calabresa, paio e batata bolinha cozida.

Bar do João (Santa Branca)
Rua Mário de Andrade, 15 – Santa Branca/Pampulha - CEP: 31.565-110(31) 3491-3122
DE MOLHO: lagarto recheado ao molho de madeira e champignon acompanhado de batata bolinha.

Bar do Lopes Rua Professor Antônio Aleixo, nº 200 - Lourdes3337 7995
ROJÕES DA BEIRA: bocados de carne (lombo, costelinha, torresmo entremeado e alheiras) acompanhados de batatas e molho especial.

Bar do Magal
Rua Alberto Cintra, 322 - União2515 6490
CACUNDA DE BOI COM BATATA NA GARUPA AO MOLHO SHAKESPEARE: cupim cozido com batata calabresa picante ao molho de ervas.

Bar do Véio
Rua Itaguaí, 406 – Caiçara - CEP:30.775-1103415-8455
CHICK-EIRINHO: caracol de carne de porco recheado com presunto e queijo coalho, batata corada, molho de ervas com azeite e molho de goiaba.

Bar do Walter
R. Mármore, No.181, Sta. Tereza3463-5650
BACALHAU DE BICO: salada de bacalhau acompanhada de pãezinhos.

Bar do Zezé
Rua Pinheiro Chagas, 406 – Barreiro de Baixo / CEP: 30.642-0303384-2444RABO APERTADO: virado de jiló, rabinho de porco e lombo.

Bar Temático
Rua Perite, 187 – Santa Tereza (atrás do Mercado Santa Tereza) / CEP: 31010-4203463-7852
COM A MÃO NO RABO DOCE: rabada assada no bafo, servida com batata doce e agrião - PARA COMER COM A MÃO.

Bartiquim
Rua Silvianópolis, 74 – Santa Tereza (esquina com Perite) / CEP: 31.010-4103466-8263
PIREI COM A LÍNGUA: língua ao molho com purê de batata e torresmo.

Boteco da Carne
Rua São Romão, nº 56 - São Pedro2555 8480
COSTELINHA BARBE-CAIPIRA COM BATATA ESPULETA: costela de porco com molho especial, acompanhada de batata picante e tomate cereja.

Café Palhares
Rua Tupinambás, 638 - Centro - CEP: 301200703201-1841
NINHO MINEIRO: crocante ninho de batata, recheado com especialidades da casa (lingüiça de pernil, lâminas de torresmo, pães de queijo e molho).

Cantina do Paco Rua Padre Rolim, nº 159 - Stª Efigênia 3241 3317
COCÓ MINEIRO DEFUMADO: frango a passarinho com queijo, alho,orégano e queijo parmesão fresco.

Casa Cheia (Mercado Central)
Av. Augusto de Lima, 744 – Loja 167 – Centro (Mercado Central) / CEP: 30180-0013274-9585 ALMÔNDEGAS EXÓTICAS: almôndegas de carne-de-sol recheada com queijo ao creme de abóbora com manjericão.

Chamego's Bar Rua Aimorés, nº 1912 - Lourdes - CEP: 30140-0723273-4031
CRÉU: cubinhos de peito de frango, molho especial acompanhado de torresminho com mandioca frita.

Chic Tácio
Rua Itamaracá, nº 25, Colégio Batista3421-3363
O BÃO TAMBÉM DA VOVÓ NENZINHA: bolinho de arroz recheado.

Churrascaria do Itamar
Avenida 7 de Abril, 874 - Esplanada CEP 30280-2403463-6585
MEDALHÃO OLÍMPICO: medalhão de carne moída com batatas ao molho branco.

Curin Bar
Rua Érico Veríssimo, No. 2722/01, B. Santa Mônica3452-7101
ANÉIS DE LARGATO: bifinho de boi a rolê recheado com bacon.

Escritório da Cerveja
Av. General Olímpio Mourão Filho, nº 800 - Planalto3495 6183
ATOLADO NO ESCRITÓRIO: fraldinha ao molho de cerveja preta com creme de cebola acompanhada de batata bolinha com pimenta calabresa e torresminho.

Estabelecimento
Rua Monte Alegre, 160 - Serra - CEP: 30240-2303223-2124
BATATAS DE MALANDRO: batata ao murro assada, coberta com molho branco de leite, cebola, creme de leite, requeijão, estragão e noz moscada, com carne de boi desfiada e pimenta rosa.

Família Paulista
Rua Luther King, 242 lj. 09 - Cidade Nova CEP: 31170-1003484-4598
sashi MINAS sushi GERAIS

Geraldin da Cida
Rua Contria, No. 1459, B. Grajaú3334-9355
VEM NI MIM BEIJALDIN DA CIDA: carne de panela com tempero especial, farofa de abobrinha e queijo.

Köbes
Prof. Raimundo Nonato, 31A - Horto / CEP 31.010-5203467-6661
MINEIRICE COM SOTAQUE: torresmo estalinho com molho negrito + bolinho de carne e croquete de cenoura com molho de mostarda.

Local
Rua Viçosa, 250 - São Pedro3223 1987
CASADINHO BOÊMIO: milanesa recheado de carne moída, mussarela, tomate seco, berinjela e especiarias. Acompanhado de tiras de pepino e molho de iogurte desnatado com hortelã.

Patorroco
R. Turquesa, No. 875, B. Prado3371-3646
AQUARELA BRASILEIRA duo de filé mignon e de peito de frango acompanhados de 6 molhos homenageando a influência de imigrantes que ajudaram a transformar o Brasil nessa grande aquarela de cores e sabores.

Paullo's Bar
Rua Antônio Alves, nº 65 - Barreiro9792 7767
MATULA MINEIRA: costela de boi, carne de porco, torresmo e farinha de milho.

Peixe Frito Rua Juiz de Fora, nº 1242 - Santo Agostinho 3291-1046MEU
"SOBRIM" MIINEIRO: filé de surubim a dorê ao molho da tia.

Pimenta com Cachaça Rua Camapuã, nº 420 - Grajaú3087 6822
SOL DAS GERAIS: contra filé de sol trinchado coberto com pétalas de cebola flambadas ao vinho acompanhadas de pão de queijo com torresmo e geléia de pimenta biquinho, melão, cachaça e rapadura.


E também ninguém perguntou, mas:
- Destaque para o mistério do prato do Família Paulista, sem descrição (aliás, dentre os que provei em 2007, foi o meu favorito)
- Melhor nome de prato: Os 3 Mosqueteiros e as doces donzelas
- Pior nome de prato: Créu
- Menção honrosa: Cacunda de boi com batata na garupa ao molho Shakespiere

Quero você

Sem medo
Sem receio
Sem remorso

Tomando cafuné
Tomando seu café
Um pé noutro pé

Com as meninas
Com você, menina
Comigo, moleque

Me fazendo palhaço
Me fazendo de bobo
Me fazendo menestrel

Pra cantar Marisa
Pra cantar Roberto
Jamais o créu

Você, pra sempre.
Entenda, agora é
Plantar semente

Dessa flora amorosa
Duma espécie sapeca
Natural da charneca.

terça-feira, 8 de abril de 2008

De tranquillitate animi

"Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? (...)

Enquanto adiamos, a vida se esvai."

Sêneca

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Post rapidinho

No momento: dores nas costas, noite mal-dormida, ressaca de sono, contas vencidas, visita a bancos, carro sem combustível, desordem em casa, tarefas domésticas por fazer.

DEUS, EU ADORO AS MANHÃS DE SEGUNDA-FEIRA!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Diálogo clínico

No consultório.
Fui a um ortopedista especialista em mãos verificar uma dor que há mais de um mês se manifesta quando pressiono o indicador esquerdo.
O doutor, todo sérião, me examina.
- Não chega a ser defeito, mas uma característica. Você tem hiperfrouxidão dos ligamentos e articulações.
- O senhor quer dizer que desmunheco bem.
- Er... sim. Olhe, é uma característica. Veja como é mole e flexível. Provavelmente há hiperfrouxidão também em outros membros.
- Sim.
- Na mão direita...
- Sim.
- Nos joelhos, nos pés...
- Aí não, doutor. Da cintura pra baixo sou todo duro.

Taí o Wall-e


quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mulheres de boêmios

Os gurus aí deixam sua pequena porém singela pérola de sabedoria e estoicismo diante das inevitáveis exacerbações conjugais.

Na cinza das horas

Dúvidas:

É possível um atrasado contumaz se transformar em um sujeito disciplinadamente pontual?

Se recusar a levar horários a sério, se recusar a ser escravo das horas. Irresponsabilidade ou ingenuidade?

Não usar despertador pelo desprazer intrínseco que o bicho provoca e arcar com os riscos. Descompromisso ou leviandade?


* * *

Da série Novos Velhos Aforismos.

"O dinheiro não é tudo. Tudo é a falta de dinheiro."

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Canção de hoje

Eu Sei Que Vou Te Amar
Composição: Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que eu vou te amar

E cada verso meu será pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

Arre

Não sei o que é. Tem alguma coisa me mordendo.

terça-feira, 1 de abril de 2008

A coisa tá preta

Minha situação sócio-econômica. Eis o diálogo travado por e-mail entre dois butequeiros que saem diariamente toda terça.

From: L
To: R
Sent: Tuesday, April 01, 2008 6:11 PM
Subject: Piu?
[Piu: bar/restaurante no Buritis]


* * *

From: R
To: L
Sent: Tuesday, April 01, 2008 6:17 PM
Subject: Piu?

Cara, como tô péssimo de grana, ia sugerir o seguinte:

1) Ir lá pra casa: a gente passa no hiper, compra latinha gelada e toma lá. Rodrigão deve pintar na área.

2) Ir no buteco do fernando, lá no prado, onde a cerva tá 2,30.

De qualquer jeito, vou gastar grana que não tenho. Contando com vossa compreensão,
r


* * *

From: L
To: R
Sent: Tuesday, April 01, 2008 6:23 PM
Subject: Re: Piu?
Não pense que eu sou apegado à rotina do mesmo bar. Só perguntando:
Quanto tu planeja gastar? É porque no Piu sempre dá uns 20 conto. A diferença eu seguro.
Que tu acha?


* * *

From: R
To: L
Sent: Tuesday, April 01, 2008 6:29 PM
Subject: Piu?

hmmm... hmmmmmm... hmmmmmmmmmmmmmmmmm...

Não sei. Já tô devendo o Rodrigão, a Tereza, o Condomínio, o Vermelho, a Helena aqui da Neti, o Caio, a Caixa Econômica, o HSBC, a seguradora, e minha mãe.

Posso perguntar: Você está certo disso? Tem certeza de que quer mesmo entrar na lista?

Onde anda você

E a canção dessa terça modorrenta, essa terça que se esvai lentamente em cores púrpuras e azuláceas pela janela aqui do trabalho, é do companheiro de sempre deste bloguista.

E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares,
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver,
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você?


Fronteiras

Hmmm... creio que deve ser dífícil discernir o limite entre o que é aceitável e o que é brega quando se está apaixonado.

Gosto de pensar que tem um monte de gente que sabe do que estou falando.


* * *

Falando nisso, lembro de uma bobeira. Meus amigos - todos casados - e eu falávamos, ao fim do meu último namoro, à guisa de gozação, que havia duas cidades imaginárias: Solteirópolis e Maridolândia.

Solteirópolis estava ficando cada vez mais vazia (pelo menos do ponto de vista de nosso círculo de conhecidos), abandonada, destituída de gente. Por sua vez, Maridolândia era aquela população: lotadaça, todo dia gente chegando, vizinho novo todo dia, trânsito infernal, tudo que é lugar abarrotado, cheio de menino, etc.

Apesar do contingente, Maridolândia era um centro urbano com bastante segurança pública, pacato, tranqüilo em geral. Um ou outro caso que merecesse registro das autoridades. Vez ou outra chegava notícia de que algum marido passara a noite em Solteirópolis, embora logo identificado em flagrante pela Rádio-patrulha, detido e deportado. No mais era isso ou pequenos incidentes, nada que ultrapasse o trivial.

Solteirópolis, por outro lado, era uma terra sem lei. Quase não havia vida diurna. De dia, a cidade era fantasma. À noite, a gataria parda escorria pelos becos. Mulheres, homens, gente de todas as preferências sexuais saíam para uma noite onde não existiam regras. Tudo era riso, tudo era festa. Não havia apartamentos de quatro quartos em Solteirópolis - só os mais abastados se permitiam esse luxo. Lofts, quitinetes e dois quartos compunham o grosso das habitações. Comida pra um, lavanderia, apart-hotel: tudo era single. De vez em quando chegavam a Maridolândia notícias das festas de Solteirópolis. Mulheres lindíssimas, múltiplos apolos, raves com anões besuntados em óleos do oriente, encontros plurissexuais que duravam três noites seguidas em tributo a Baco, etc.

Não que Maridolândia não tivesse suas diversões e seus prazeres. Tinha. Mas, digamos, as tertúlias da cidade vizinha evocavam nos maridolenses todo um suspirar de tempos passados. Aqui, de minha parte, não cabe julgamento de valor: nem de quem opta por residir numa cidade ou outra, nem de quem tem curiosidade de experimentar ou saudade de voltar para onde já viveu.

O caso é que eu estava ali, ó, já morando, nos finais de semana, nas periferias de Maridolândia. Doido pra me mudar pro Centro e ficar vizinho dos meus amigos. Embora todos eles me prevenissem para não tomar atitudes precipitadas: "Rapaz, olha lá o que você está fazendo. Você está querendo deixar Solteirópolis!".

No fim, isso acabou não ocorrendo. Deixei foi os subúrbios de Maridolândia e voltei para meu cafofo mofado em Solteirópolis.

Durou pouco, mas isso já é outra história.

1º de abril

Casal amigo se casa no religioso neste sábado. Mui atenciosos e gentis. Nos encontramos semana passada num barzim para que me dessem o convite. Pergunto em que data está marcada a cerimônia no civil. A noiva interrompe, cerra os olhos de calculada indignação e lança à mesa um desabafo: "Absurdo!". Então, ele pede à companheira compreensão, se defende dizendo que a culpa não foi dele, que agora o negócio é se resignar; porém, sorri um sorriso maroto, desses que se ri mais por dentro do que por fora. A cerimônia seria no dia seguinte, argumenta, e saca do bolso um documento oficial, brandindo nas mãos a prova de sua inocência. Li e era o que parecia: o juiz havia antecipado a lavra, ele noivo nada pôde fazer.

Enfim. Seria impossível àquela altura evitar os chistes ao comunicar a data do casamento no civil às testemunhas e padrinhos. Era preciso levar na molecagem e no bom humor, o que ele - e ela também - já estavam fazendo.

E aí. Como você se sentiria se casando no dia 1º de abril?