sexta-feira, 1 de abril de 2011

Rebatismo

Em face da realidade vivida nestes últimos quarenta anos e aproveitando o discurso recorrente dos jogadores nas entrevistas após a maioria das partidas, acho que é hora de o Galo trocar de nome.

Minha proposta: Levanta Cabeça Futebol Clube.

É perfeito, convenhamos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Operações

Esse nomes de operações da PF... Há anos me fazem desconfiar de que existe lá um estilista. Um poeta, um publicitário frustrado, talvez. Alguém que, inadvertidamente, trabalha na polícia federal, mas que sofre internamente por saber que sua vocação é outra, seu lugar é outro. E a denominação das investigações se tornou sua via de escape, um meio de expressar seu potencial criativo, a única forma de almejar o reconhecimento do público e, quem sabe, da crítica.

Acho que ele(a) vem melhorando ao longo dos anos. Tanto que, na mais recente ação divulgada, a verve de nosso amigo ou amiga atingiu um status inédito, a ponto de, daqui em diante, a gente até poder fazer piada se assim quiser. Um o-que-é-o-que-é do tipo "qual o nome do filme?"

Senão, vejamos:

- Em Alagoas, funcionários de prefeituras desviavam o dinheiro da merenda da rede de ensino público para comprar uísque e ração para cachorro. Qual é o nome da operação policial?
















Libertadores

Como gosto do jogo bem jogado, tô na torcida para ver um Cruzeiro x Internacional, de preferência na finalíssima do torneio. Roger e Montillo de um lado, Oscar e D´Alessandro do outro. Se bem que desconfio de uma ligeira vantagem para o Cruzeiro. Ao passo que em Cuca transparece um certo destemor, Roth é um cagão incorrigível, que, sempre, na hora agá, tem uma recaída de brucutismo e põe pra jogar uns 15 volantes e 13 zagueiros no time.

* * *
Ah, totalmente desiludido com os rumos da seleção e o ultraje que hoje lhe serve de uniforme, mas meu time atual pra uma Copa América seria: Júlio César, Daniel Alves, David Luiz (Sideshow Bob), Thiago Silva e Marcelo; Arouca, Ramires, Ganso, Lucas (SP), Neymar e Tardelli. Hernanes, Robinho, Fabrício e Roger no banco.



Câmbio

Continuam os procedimentos para il nostro progetto. Eu tava crente que o negócio era aproveitar a condição de correntista do BB ou do Itaú e ir lá pegar os Visa Travel Cards, comprar Euro e pronto.

Santa ingenuidade, Batman. Procesvê como é incauto este provinciano viajante.

Descobri que cada banco e agência de câmbio têm sua própria política e taxas para as operações financeiras. O IOF vale para todos. Mas cada instituição vende o Euro no preço que quiser - com muitos centavos acima da cotação que divulgam nos jornais -, variando também se há ou não uma taxa extra de administração, ou sei lá qual eufemismo chamam a isto. Por exemplo, além do indigitado IOF, o Itaú cobra uma taxa fixa de 77 reais sobre montante de qualquer valor e o Euro é cotado a R$2,45 (acho). Já o BB cobra 3% sobre o montante da operação, mas a cotação do Euro é R$2,39.

Ora, como papito aqui é um sujeito chegado numa economiazinha, dá-lhe pesquisar e fazer conta. Posto que inda falta averiguar mais alguns bancos e lojas de câmbio.

Para lascar um pouco mais: quando, de alguma maneira, nos escritórios do Ministério da Fazenda e do Banco Central chegou a notícia de que Rubão ia mesmo para o exterior na lua-de-mel, os técnicos do COPOM ficaram naquele alvoroço todo, com a ameaça de desestabilização do mercado, queda dos juros e redução do superávit primário. Depois de várias reuniões noites adentro com o Mantega e o Tombini, o governo aumentou o IOF para compras do cartão de crédito no exterior, de 2,38 para 6,38%.

Se o governo disse que o aumento do IOF foi por outros motivos, não acredite. Só aqui em Boêmios no Divã você se informa de verdade.

terça-feira, 29 de março de 2011

Filmmaker do Buritis

O DETRAN é um dos piores lugares para se ir em Belo Horizonte. Para se precisar de algum serviço.

Há anos ouvimos sobre o DETRAN: - "É uma máfia". Se for, é ainda um organismo ineficiente, burro e burocrático.

Veja: para mudar de endereço no meu cadastro, a fim de receber o DUT em domicílio, tenho que ir lá pessoalmente, pegar uma senha e, é certo, despender horas até ser atendido.

Ao 12h30 de hoje peguei uma senha de no. 498. Quinze minutos depois, chamavam o 437. Sem chance.

Deve ser mesmo complicadíssimo você mudar seu endereço pela internet.

O DETRAN é um lugar muito ruim de se estar. O pior é que, além do desserviço, à sua volta há um bando de despachantes e aproveitadores de tocaia, como rêmoras em busca de um pedacinho seu. Uma indústria que, se fosse prestado um bom serviço ao cidadão, nem precisaria existir nos moldes que existe, perfazendo uma cultura de espertalhões: falta de educação, baixa cooperação, má vontade e, quando não, golpes. Esse povo deveria estar em outras ocupações.

E eu deveria era comprar logo uma câmera. Ir lá e mostrar o processo todo, entrevistar as pessoas, detalhar o descalabro com o contribuinte e por cima de tudo salpicar humor. Editaria o vt, divulgaria na internet e utilizaria a mídia nativa a meu favor para causar.

Sei lá, virar o Michael Moore do bairro.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Neologismos

Laurinha deixou uma revistinha da Turma da Mônica no banheiro. Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão aprontam em visita a um museu.

Lá pelas tantas, Magali faz um comentário equivocado sobre uma peça em exposição (que ela acreditava ser uma caixa para guardar uma guitarra gigante) quando a dentucinha a reprende, dizendo:

- Realiza, Magali. Isso aí é um sarcófago egípcio.

Faz tempo que não me cai nas mãos nada do Maurício de Sousa; portanto, é certo que estou desatualizado sobre o que as crianças leem e conversam. Mas não pude deixar de estranhar o anglicismo. Mesmo porque, nunca ouvi Bibi e Laurinha falando realizar nesta acepção de perceber do verbo to realize (tu rialaise).

A reação inicial minha foi torcer o nariz. Mas eu mesmo, ao longo da vida, devo ter incorporado sem maiores reflexões alguns neologismos estrangeiros - "eu sou boy", penalizar, customizado (argh), cedê/devedê -, todos do inglês. Se retrocedermos mais, por exemplo, ao século 18/19 pro 20, constataremos que essa dominação cultural já foi francesa (abajur, butique e cotonete) e, vai saber, dentro de alguns anos mesmo, não me surpreenderia se o português brasileiro assimilasse expressões de alfabetos alienígenas - refiro-me, é claro, ao mandarim.

Enfim. Seja qual for a época, se a gente realizar bem, tudo é sinal dos tempos.

Um raio-x

Clara, cristalina, didática análise sobre o que rola atualmente sobre a comunicação no Brasil e no mundo. Ideal para quem quer ficar bem informado. Deveria ser texto obrigatório para debate nas universidades. O tal de Bernardo Kucinsky foi em cima, na mosca, bullseye quando fala da revolução e deturpação midiática que nós, consumidores de informação, estamos sofrendo. Afinal de contas, notícia viciada no Kucinsky dos outros é refresco.

Sensacional

Olhaí a Islândia dando exemplo. Não sei se a gente vai encontrar notícias como estas no Jornal Nacional - posso estar enganado, mas não estou vendo a mídia tradicional dar cobertura. Têm sido praticamente invisíveis também as manifestações populares na Inglaterra, contra o tal plano de austeridade (cortes de verbas para serviços públicos), e também em Portugal (contra a falta de perspectivas econômicas e aviltamento de direitos trabalhistas).

O fato é que os países europeus cujos governos, nos últimos anos, colocaram em prática o receituário pró-mercado financeiro + Estado mínimo, em vez do Estado indutor da economia, colhem agora os frutos dessa política concentradora de renda.

A Islândia, que quebrou em 2008, mostrou um caminho possível. Democraticamente possível. Sou cético, mas quem sabe isso não inspira outras nações?



A Islândia pune os que quebraram o país

Por MiriamL

Da Carta Maior

Islândia, um país que pune os banqueiros responsáveis pela crise

A grande maioria da população ocidental sonha desde 2008 em dizer "não" aos bancos, mas ninguém se atreveu a fazê-lo. Ninguém, excepto os islandeses, que levaram a cabo uma revolução pacífica que conseguiu não só para derrubar um governo e elaborar uma nova Constituição, mas também enviar para a cadeia os responsáveis pela derrocada econômica do país. Crise financeira e econômica provocou uma reação pública sem precedentes, que mudou o rumo do país. O artigo é de Alejandra Abad.

Na semana passada, nove pessoas foram presas em Londres e em Reykjavik (capital da Islândia) pela sua responsabilidade no colapso financeiro da Islândia em 2008, uma profunda crise que levou a uma reação pública sem precedentes, que mudou o rumo do país.

Foi a revolução sem armas da Islândia, país que hospeda a democracia mais antiga do mundo (desde 930), e cujos cidadãos conseguiram mudar com base em manifestações e panelas. E porque é que o resto dos países ocidentais nem sequer ouviram falar disto?

A pressão da cidadania islandesa conseguiu não só derrubar um governo, mas também a elaboração de uma nova Constituição (em andamento) e colocar na cadeia os banqueiros responsáveis pela crise no país. Como se costuma dizer, se você pedir educadamente as coisas é muito mais fácil obtê-las.

Este processo revolucionário silencioso tem as suas origens em 2008, quando o governo islandês decidiu nacionalizar os três maiores bancos - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir - cujos clientes eram principalmente britânicos, americanos e norte-americanos.

Depois da entrada do estado no capital a moeda oficial (coroa) caiu e a Bolsa suspendeu a sua atividade após uma queda de 76%. A Islândia foi à falência e para salvar a situação o Fundo Monetário Internacional (FMI) injectou 2.1 bilhões de dólares e os países nórdicos ajudaram com mais de 2.5 bilhões de euros.

As grandes pequenas vitórias das pessoas comuns
Enquanto os bancos e as autoridades locais e estrangeiras procuravam desesperadamente soluções econômicas, o povo islandês tomou as ruas, e com as suas persistentes manifestações diárias em frente ao parlamento em Reykjavik provocou a renúncia do primeiro-ministro conservador Geir H. Haarde e do governo em bloco.

Os cidadãos exigiram, além disso, a convocação de eleições antecipadas, e conseguiram. Em abril, foi eleito por um governo de coligação formada pela Aliança Social Democrata e Movimento Esquerda Verde, chefiado por uma nova primeira-ministra, Johanna Sigurdardottir.

Ao longo de 2009, a economia islandesa continuou em situação precária (fechou o ano com uma queda de 7% do PIB), mas, apesar disso, o Parlamento propôs pagar a dívida de 3.5 bilhões euros à Grã-Bretanha e Holanda, um montante a ser pago mensalmente pe as famílias islandesa durante 15 anos com juros de 5,5%.

A mudança trouxe a ira de volta dos islandeses, que voltaram para as ruas exigindo que, pelo menos, a decisão fosse submetida a referendo. Outra nova pequena grande vitória dos protestos de rua: em março de 2010 a votação foi realizada e o resultado foi que uma esmagadora de 93% da população se recusou a pagar a dívida, pelo menos nessas condições.

Isso levou os credores a repensar o negócio, oferecendo juros de 3% e pagamento a 37 anos. Mesmo se fosse suficiente, o atual presidente, ao ver que o Parlamento aprovou o acordo por uma margem estreita, decidiu no mês passado não o aprovar e chamar de volta os islandeses para votar num referendo, para que sejam eles a ter a última palavra.

Os banqueiros estão fugindo atemorizados
Voltando à situação tensa de 2010, enquanto os islandeses se recusaram a pagar uma dívida contraída pelos os tubarões financeiros sem os questionar, o governo de coligação lançou uma investigação para resolver juridicamente as responsabilidades legais da fatal crise econômica e já havia detido vários banqueiros e executivos de cúpula intimamente ligados às operações de risco.

Entretanto, a Interpol, tinha emitido um mandado internacional de captura contra o presidente do Parlamento, Sigurdur Einarsson. Esta situação levou os banqueiros e executivos, assustados, a deixar o país em massa.

Neste contexto de crise, elegeu-se uma Assembleia para elaborar uma nova Constituição que reflita as lições aprendidas e para substituir a atual, inspirada na Constituição dinamarquesa.

Para fazer isso, em vez de chamar especialistas e políticos, a Islândia decidiu apelar directamente ao povo, soberano, ao fim e ao cabo, das leis. Mais de 500 islandeses apresentaram-se como candidatos a participar neste exercício de democracia direta de redigir uma Constituição, dos quais foram eleitos 25 cidadãos sem filiação partidária, que incluem advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais.

Entre outros desenvolvimentos, esta Constituição é chamada a proteger, como nenhuma outra, a liberdade de informação e expressão, com a chamada Iniciativa Islandesa Moderna para os Meios de Comunicação, um projeto de lei que visa tornar o país um porto seguro para o jornalismo de investigação e liberdade de informação, onde se protejam as fontes, jornalistas e os provedores de internet que alojem órgãos de informação

Serão as pessoas, por uma vez, para decidirão sobre o futuro do país, enquanto os banqueiros e os políticos assistem (alguns da prisão) à transformação de uma nação, mas do lado de fora.

Tradução para o português: Vermelhos.net

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17600

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ensejo



Azado me pareceu aproveitar um comentário da querida sogrinha para alinhavar aqui uma de minhas mais recentes obsessões: a imprensa nativa.

O que me deixa razoavelmente confortável para emitir juízo a este respeito não é o fato de ser jornalista, ainda que não exerça a profissão. O que me deixa confortável é a prerrogativa de ser um cidadão comum, condição pela qual, aliás, é muito perigoso ser não-praticante.

Há coisa de um ou dois posts, comentou minha querida sogrinha que estranhara a ausência, nas diversas mídias, de uma reprovação formal quanto à invasão da Líbia pelos americanos e sátrapas amestrados. Aparentemente, ninguém nas mídias que a sogrinha visitou havia se dado ao trabalho. Ninguém, imagino, em nossos jornais, portais, revistas, havia ofertado aos leitores uma reflexão a la "rei está nu" ou questionado a licitude do ataque a um país, seja governado por ditadura ou não, soberano. Pois, no fundo, até os dromedários sabem do que essa luta pela democracia na Líbia se trata: oil.

Desde meados do ano passado - desde que pude enxergar como diversos órgãos da imprensa tradicional atropelam a ética jornalística e se comportam como um partido político, apesar de frisarem justamente o contrário, afirmando que são isentos, imparciais e apartidários -, a questão que me coloco é: se os caras deturpam ou distorcem sutilmente uma informação qualquer (ao mesmo tempo que se cobrem do manto da objetividade), como é que eu posso confiar no que estou lendo?

Quem me garante que a lista dos livros mais vendidos é aquela mesma? Quem me assegura que o cronista não está levando algum ao defender a convocação de um jogador de determinado time? Quem há de me provar que a crítica elogiosa a um blockbuster idiota com aliens azuis não é exatamente honesta e descompromissada? Se se publica uma ficha falsa da Dilma; se dão 8 minutos de telejornal (eternidade numa TV) sobre uma bolinha de papel que por pouco, segundo notáveis especialistas, não causou um traumatismo craniano; ou se somente esta semana uma revista traz à tona entrevista feita em setembro passado com um governador cassado e preso que fez graves acusações a políticos que, à época, estavam em plena campanha eleitoral - essas mídias então concedem a mim, cidadão comum, o total direito à suspeição.

Como poderei acreditar em qualquer coisa que esse pessoal fala?
Como eu, leitor, separarei o joio do trigo, a informação da desinformação, o que provavelmente deve ser fato e o que não deve ser fato, ou talvez até seja, mas que vem embalado por um viés esquisito?

Minha resposta: é impossível, não dá mais para acreditar. Porque não dá para confiar em quem se diz isento e não é, em quem defende certos interesses camufladamente e publicamente diz defender princípios jornalísticos. Puro farisaísmo; pra essa turma, jornalismo é só um negócio como outro qualquer, de tráfico de influências e comércio de interesses. Dá impressão de que poderiam estar em qualquer ramo, no ramo de mercearias, talvez; desde que mercearias tivessem o poder de moldar o que as pessoas pensam, conversam, acreditam. O caso é que, uma vez quebrada a confiança, acabou. A moeda do jornalista, do jornalismo, do jornal, sempre será a credibilidade. Por aí se mede o valor da sua reputação.


Acrescente-se a esta salada o resultado de pesquisa recém-divulgada: executivos brasileiros leem mais blogs do que jornais e revistas online, segundo a 4ª pesquisa CDN de credibilidade da mídia (2010-2011). Mais de 90% dos executivos costumam acessar blogs contra 53% que afirmam ler jornais e revistas na internet.

Embora a revolução da web tenha dado às pessoas a possibilidade de ser uma empresa de comunicação de si mesmas, e, descontando o fato de que qualquer idiota hoje tem um blog (taí Boêmios no divã que não me deixa mentir), acredito que os blogueiros transmitem atualmente muito mais credibilidade do que as mídias tradicionais. Porque estas fingem ser o que efetivamente não são; os blogueiros, por outro lado, não perdem tempo defendendo isenção, imparcialidade, objetividade ou quaisquer outros desses mitos que empurram goela abaixo do povão. Ninguém é isento, objetividade inexiste. Não dá pra ter 100% de certeza e no fim todo mundo defende algum tipo de interesse, mas, com certos blogs, pelo menos a gente fica sabendo que a informação ali tem um viés. Tem um determinado enfoque. E é bom que seja assim. A leitura de certos blogs se torna um ótimo contraponto às notícias que você leria, por exemplo, em O Globo, Folha de S. Paulo, Estado de São Paulo, Veja (argh!), ou veria no JN, Globonews, ou ouviria na CBN. Porque aí você tem pontos de vista diferentes sobre um mesmo assunto: blogs X mídia tradicional.Na comparação das informações, na justaposição e ênfase de cada notícia, você tem a chance de exercitar seu juízo crítico e, dialeticamente, tentar retirar deste embate aquilo que sua intuição julga ser provavelmente factual e verdadeiro.

Controlar a informação que você recebe é estratégico. Se sua formação cultural são seus tijolos, a informação é a argamassa que consolida sua opinião.

Então, querida sogrinha, todo esse rodeio é para apresentar a alternativa para quando a senhora não encontrar nas mídias tradicionais a indignação que o bom senso dos cidadãos comuns de todo o mundo deveria exigir, seja sobre que assunto for.

Seguem links dos blogs que ando lendo para acessar informações, artigos, opiniões e análises que, decerto, a senhora jamais encontrará nos editoriais solenes do Estadão ou no perfil de cocheiro de Drácula do William Wack.

Seu criado,

rubão

Prolegômenos

Vivemos, atualmente, o prefácio da nossa lua de mé.

Poderia até parecer que não, mas o planejamento para a viagem envolve uma miríade de ações por fazer, pesquisas e detalhezinhos.

Até porque, como se sabe, a gente só se preocupa com a logística de alguma coisa quando dá merda.

Dispensamos os pacotes e vamos por conta própria. Como é muita coisinha pra resolver antes de passar vinte dias na Itália, eu - que não sou disso - resolvi até apelar para uma agenda. É tanto item que se deve deixar resolvido para nossa ausência no período - minúcias como contas, habilitação internacional, condomínio (ainda sou síndico), cachorro e até a questão de molhar as plantas - quanto arrumado para nossa estada lá: horário dos museus e atrações por cidade, montagem de pré-roteiros, passes culturais (valem ou não a pena?), trem ou aluguel de carro?

Diria alguém que são doces problemas. De fato. Mas, ai de mim se eu não me ocupo deles.

terça-feira, 22 de março de 2011

Oficinas

Pela manhã, deixei o carro na oficina pra trocar o óleo.

Você troca o óleo, o cara aproveita para trocar o(s) filtro(s). Normal.

Você troca os filtros, o cara diz: dotô, tem que olhar essa correia dentada. E o esticador.

Enquanto pensa na correia dentada e no esticador, o cara complementa: ó, essa mangueira do radiador tá toda rachada. A suspensão dianteira esquerda e direita estão quebradas. E a parafuseta da rebimboca só dura mais dois mil km.

- Tudo bem, tô com pressa, depois faço tudo, só quero o óleo e os filtros, até porque viajo sexta...

- Ih... vai viajar? Eu, se fosse o senhor, confiava não. Trocava tudo.

Tá certo. E o carro ainda tá com um pneu esvaziando. Só que nesta oficina não tem serviço de borracheiro. Aliás, não tem no bairro inteiro.

Às vezes, só o clínico geral não resolve. Você precisa de especialistas. O único problema é que desconfio que, na vida ou nas oficinas, uma consulta leva à outra - ad eternum.


Go home

Este ataque à Líbia é indecoroso, imoral, vil, covarde, hipócrita, odiento, abjeto. Prontofalei.com.

Nada de novo ou diferente do que os americanos e aliados perpetraram no último século. É só conferir nos livros de história. A indústria da guerra gira a roda da economia lubrificada com sangue civil.

Mas eu fico aqui pensando no futuro por causa das pessoas que não enxergam nada de mais em todos estes perigosos precedentes - uai, é lícito aos falcões invadir qualquer país soberano que lhes der na telha, embora este último seja palco de uma ditadura que teve o apoio do ocidente durante anos.

Sim, penso no futuro porque agora, amigo - yes, nós temos pré-sal.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Fim de semana de emoções

1) Casamos. Bem ali na Av. Amazonas, entre a Casa de Ferragens Alvorada e o Frigorífico Vereda Plus, num cartório quente como o inferno e completamente lotado, com gente pendurada até no lustre - parecia bilheteria do Mineirão em dia de jogo. Mas foi tudo bem; creio que, no geral, os familiares gostaram e, se eles gostaram, nós também gostamos. Enfim. Agradecido e feliz por todos, por Meg e por mim.

2) Fizemos o tal curso de noivos. Prefiro não comentar.

3) No dia do curso, Meg teve uma experiência domética intensa e diferente - atípica, eu ainda diria, para mulher de sua linhagem, classe e estirpe. Mas eu tô de boca fechada. Quem quiser, que pergunte a ela o que aconteceu.


Como escreve bem, o Mino Carta.




sexta-feira, 18 de março de 2011

Casório

Pessoal, vô ali trocar aliança de mão e já volto.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Hipócritas

Quando misteriosas forças interessadas que Éfe Agá e seus camaradas permanecessem no poder, subornaram deputados para votarem a favor da reeleição, tudo beleza, tá valendo - isso pode, né Arnaldo?

Um golpe que judiciário, legislativo, executivo e mídia legitimaram. E a falta de ética de ser favorecido no próprio mandato em exercício ainda consegue ser menor do que a indignação com a impunidade daqueles corruptos que até hoje a desfrutam.

Mas, passam os dias. Veio Lula, depois Dilma. Estas forças olham para o horizonte e vislumbram a perspectiva de ficar anos longe do poder. Hora então de virar o jogo. E o que decidem seus representantes no senado? Acabar com a reeleição. E, aposto meu dólar furado, com a certeza secreta de que, "Uma vez no trono, a gente muda tudo de novo".

Hipocrisia. Eu quero uma pra viver.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Cumequié?

Maria Bethânia ganhando 1 milhão e 300 mil reais do Ministério da Cultura pra fazer um blog de poesia, com um vídeo por dia produzido pelo diretor Andrucha Waddington?

Como a informação parece ter pipocado primeiro na Folha, não dá pra saber se é verdade. Mas, se for, como diria Zeca Camargo: vão combinar, né.

E o tal blog seria chamado de "O Mundo Precisa de Poesia". Mas, e euzinho? Meu mundo precisa de dinheiro!!!

Irmã do Chico, veja, veja:

Tanto din-din
Pra dona Betânia
É moeda vã
Pra mim
O mió é patrociná
Boêmios no Divã


Poesia é isso, ministra.

terça-feira, 15 de março de 2011

Rubens, e a crise atual?

Lendo um comentário antigo do Alan Moore, julguei conveniente reproduzir aqui. Acho que, de alguma maneira, já manifestei uma certa melancolia com radicais e extremistas de quaisquer naipes político-religiosos.

Por que o comentário do Moore é propositado? Porque, não raro, a gente tromba com os preconceitos nas mesas dos botecos, nas baias do trabalho, nos bancos das escolas.

Tipos, um que pode ser bobinho ou sério: "- Argentino é tudo (adjetive o que você quiser)". Um que é sério mesmo: "- Veado é tudo (adjetive o que quiser)".

É o óbvio repisado, mas vamos lá. Diz o Moore:
O Islã é uma fé nobre e humana que, desafortunadamente, sofre por não ter uma cadeia evidente de comando terrestre, com uma resultante vulnerabilidade dos auto-nomeados homens santos que podem desejar liderar o Islã para terríveis conflitos, freqüentemente contra si mesmos.


Neste ínterim, eu desnecessariamente acrescentaria que, apesar de refratário às religiões, o Islã é, a priori, com seja lá o que você julgue como virtudes e defeitos inerentes, um sistema de crenças tão legítimo como qualquer outro - religião católica, protestante, judaica, budista, etc,etc.

Frisando:

O Islã é uma das mais importantes fontes da cultura mundial, e se ele deseja preservar sua considerável integridade no futuro, precisa colocar sua própria casa em ordem e fazer o seu melhor para isolar quaisquer malucos que não representem o muçulmano médio comum, amante da paz (mais ou menos a mesma coisa poderia certamente ser dita sobre cristianismo e judaísmo; o Islã dificilmente tem o monopólio de fanáticos sectários, dos quais todos estaríamos melhor sem).

A tradução não está lá estas coisas. Mas segue o trecho final:

E quanto à América, então? Somos todos nós, europeus liberais metidos, anti-americanos por estes dias? Certamente que não. Quem lhe falou isso? O que, nós somos anti-Duke Ellington, Tom Waits, Herman Melville, Jackson Pollock, Chester Himes, Emperor Norton, Patti Smith, Tex Avery, Dorothy Parker, Edgar Allan Poe, Orson Welles, Billie Holliday, Raymond Chandler, Kathy Acker, Edwin Starr, Nina Simone, Raymond Carver, Paul Robeson, Bob Dylan, Chuck Berry, Emily Dickinson, Lou Reed, Wilhelm Reich, Thomas Alva Edison, Jimi Hendrix, Captain Beefheart, William Burroughs, Emma Goldman, Jack Kerouac, William Faulkner, Walt Whitman, Spike Lee, Allen Ginsberg, John Waters, Matt Groening, The Sopranos, Robert Crumb, Damon Runyon, Woody Guthrie, Edward Hopper e todas aquelas milhares de outras pessoas maravilhosas que expressam o que realmente é o coração gigante, incontrolável e enorme da América? Não. Os EUA são um grande país, mas os americanos (e o resto do mundo) foram "embushcados". Um estranho grupinho que, por um período de tempo contentou-se em ser parte de um Governo Fantasma não-eleito, agora subiu audaciosamente à ribalta, onde eles sentem (talvez corretamente) que agora podem fazer ou dizer o que quer que desejem, e que ninguém pode ou fará nada sobre isso.


Classes médias do mundo, uni- vos.