Boêmios no divã

“De repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?"

Nome: Rubão
Local: Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

Errante, publicitário, jornalista.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Paixões

Recebi, da doutora, Romeu e Julieta.

 

Há um par de luas, ela se indignou ao saber que eu nunca havia lido por inteiro nem uma única peça do bardo.

 

E então, hoje, a me esperar em uma livraria da UFMG para almoçarmos - comida, não livros - me presenteou com a famosa lovistori de Verona.

 

Menos pela indignação com minha lacuna cultural do que pelo seu carinho que transborda, seu  bem-querer diário e contagiante, desconfio.

 

Mal perde por esperar, a doutora. Meus lábios peregrinos hão de profanar cada polegada sacra daquele corpo.

 

Pensando o quê? Sou displicente, pero concupiscente.

 

Ignorante, pero cumpridor.

 

 

* * *

 

Almoçamos, depois, num self-service na praça de serviços. Imagine, porém, como me lembrei há pouco, a metáfora já um tanto quanto gasta de se alimentar de livros.

 

- O que você vai comer hoje?

- Uma saladinha de Borges e a peixada à Saramago. 

- De entrada, nada?

- Um Verissimo, talvez. Para degustação. 

- Leve, né? Eu tô com fome. Feijoada à João do Rio e, quem sabe, alguma massa italiana.

- Calvino?

- Pode ser. Algo de sobremesa?

- Acho que vou de Proust.

- Proust! Não é muito pesado?

- Só algumas madeleines.

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