quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Você ainda vai ouvir falar muito em tentativa de censura




A regulamentação da comunicação

Por Josias Pires

Normal 0 21

A legislação que regulamenta as comunicações/telecomunicações no Brasil (O Código Brasileiro de Telecomunicações) é de 1962. Evidentemente está ultrapassado em todos os sentidos. A lei de Imprensa que vigorou até outro dia foi promulgada pela ditadura militar em 1967. Ora, com a revolução tecnológica das últimas décadas e com as novas configurações econômicas e políticas contemporâneas, evidentemente o país precisa de um novo marco regulatório para o campo das comunicações/telecomunicações.

Todos os países do mundo regulamentam as relações dos meios de comunicação com as questões de interesse público. No Brasil, a velha mídia sempre impediu este debate, por isso as legislações não foram até agora atualizadas. Há avanços em aspectos legais da tv fechada, mas o setor é amplamente regulado por um cipoal de portarias e decretos que atendem, muitas vezes, aos interesses de empresas e não os dos usuários.

As supostas denúncias e alertas de que a esquerda pretende censurar a imprensa é um engodo, uma tentativa de paralisar o debate necessário acerca de um novo marco regulatório. Todos os estudiosos da economia política das comunicações no Brasil apontam distorções tremendas nas concessões e permissões de uso de canais de rádio e televisão. Tais distorções levaram a mais de um terço dos canais estarem nas mãos dos evangélicos e outros religiosos. Cinco famílias controlam os demais meios de comunicação de alcance nacional.

Na questão da imprensa o que precisa ser regulamentado é o direito de resposta, pois hoje um veículo pode destruir a reputação de um sujeito sem estar lastreado em provas definitivas. O direito de resposta é negligenciado pela imprensa brasileira e isto não é direito. Fora isto é mentira andarem afirmando que há interesse petista em censurar a imprensa. É a tentativa de mudar o foco do debate. A imprensa esclarecida, blogueiros e todos nós não podemos cair nesse engodo. Esta é a pauta da direita.

A modernidade brasileira passa pela democratização dos meios de comunicação. A questão da convergência tecnológico – rádio, tv, telefone e computador num mesmo aparelho – impõe a necessidade do novo marco para regular a possibilidade de entrada de novos atores no mercado de TV aberta e fechada – hoje a tv fechada é controlada sobretudo por tvs estrangeiras. A maior parte da produção é estrangeira. Uma novo marco regulatório pode e deve estimular uma maior produção brasileira nas tvs fechadas.

Uma telefônica dessas que comeram nossas empresas estatais de telecomunicações é mais poderosa do que dez redes globos. Esta é a verdade do mercado. A legislação brasileira proíbe o proprietário estrangeiro na tv aberta. Isto ainda interessa ao Brasil? Produzir conteúdo brasileiro diversificado e de alta qualidade para a mídia brasileira e para o mundo é o que interessa. Se o dinheiro é estrangeiro isto pouca diferença faz. Ou não?

E tem mais: o que está em jogo não é apenas o interesse da velha mídia em resguardar o mercado protegendo-o da força das empresas telefônicas. Um novo marco regulatório é fundamental também para a democratização da produção no sentido de facilitar a concessão e permissão de uso para os movimentos sociais – sindicatos, associações e grupos diversos que realizam atividades de relevante valor social e cultural – fortalecendo o movimento de construção solidária da sociedade brasileira.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O jornalismo anti-estado da Globo livre mercado

Você, que é boa gente. Mas que também é sistematicamente desinformado há anos. E que julga a Dilma uma farsa e o Lula uma impostura.

Leia o texto a seguir, do Escrevinhador. É um relato que se sente honesto. Perceba que a sinceridade brota entre linhas.

O relato mostra como é na Globo. Mas podia ser no conselho editorial da Abril, da Folha, da Época, da Exame, etc.

O jornalismo "imparcial, isento e apartidário" que te vendem.

Conversa fiada. É um negócio, um grande negócio. Por acaso, o produto é jornalismo. Para eles, princípios jornalísticos não são regras monolíticas a serem seguidas em prol da honestidade (objetividade é ficção), mas sim apenas um mero arrazoado de orientações gerais, convenientes e - a palavra é exatamente esta - negociáveis conforme cada caso.

O jornalismo que tira ministros, depõe presidentes, derruba candidaturas, elege rabos-presos.

Que, mesmo atuando com as intenções que fazem do inferno um lugar conhecido, ainda assim presta serviços à nação, depura nossos quadros, aponta irregularidades.

Mas, amigo. Não seja ingênuo. "Imparcial" é mentira.

Quem diz que é imparcial mente.

É justamente o discurso deste jornalismo que se vende.


Paulo Nogueira conta os bastidores de uma reunião do alto escalão da Globo

publicada terça-feira, 26/10/2010 às 16:26 e atualizada terça-feira, 26/10/2010 às 16:54

O que a BBC poderia ensinar para o telejornalismo brasileiro

por Paulo Nogueira*, no Diário do Centro do Mundo

Um novo trecho de Minha Tribo: O Jornalismo e os Jornalistas

TINHA OUVIDO FALAR POUCO DE ALI KAMEL, CHEFE DE TELEJORNALISMO DA GLOBO, ATÉ CONHECÊ-LO NO CONEDIT. É o conselho editorial das Organizações Globo. Sob o comando de João Roberto Marinho, o Conedit reúne os editores das diversas mídias da Globo para alinhar ações e debater assuntos. As reuniões são realizadas às terças, por volta das 11 horas. Frequentei-as ao longo dos dois anos e meio em que fui diretor editorial das revistas da Globo. Quando cheguei, Kamel já estava lá, e ali permaneceu depois que saí.

A referência mais longa que eu tivera dele veio de um jornalista da Abril que o procurara em busca de emprego. A operação deu certo. O jornalista me contou que lera que Kamel valorizava gente que tivesse passado por revistas, por ser mais apta a mexer com palavras. O próprio Kamel, segundo me informou meu interlocutor, passara pela Veja no Rio antes de se fixar nas Organizações Globo.

Kamel, mesmo sendo carioca, não é exatamente o senhor simpatia, ao contrário de outros editores com quem convivi naquelas manhãs de terça. Seu chefe, Carlos Schroder, aliás gaúcho, por exemplo, é afável e está sempre com um sorriso no rosto. De um modo geral, o ambiente no Conedit reflete o humor, a alegria, a capacidade de rir dos cariocas. (E também a falta de pontualidade.) Mesmo Merval Pereira, colunista de várias mídias da Globo e ex-diretor do jornal, ri com frequência – uma surpresa para quem lê seus textos em geral num tom de elevada preocupação, quase sempre ligada a um pseudopecado mortal de Lula.

Ali Kamel, pela importância da TV, é uma presença destacada no Conedit. Sua expressão de conteúdo, solene, sublinha esse papel. Não sei se Kamel costuma beber no bar com os amigos para falar bobagens como futebol, mas não me pareceu.

O que inicialmente mais me chamou a atenção em Kamel, e em muitos outros ali, foi a obsessão com São Paulo. “Os jornais de São Paulo” são constantemente citados, como se representassem o mal. Não sou exatamente um admirador nem do Estadão e muito menos da Folha, mas achava engraçada a presença dos “jornais de São Paulo” nos debates. Nós, jornalistas de São Paulo, jamais nos referimos aos “jornais do Rio”.

Não é exatamente confortável ser um paulista naquele plenário, logo entendi. Eu me sentava num canto próximo da porta, por razões de conforto. “Este é o canto dos paulistas”, ouvi, em tom de brincadeira, uma vez, de Luiz Erlanger, uma espécie de RP do alto escalão das Organizações. Havia uma alta rotatividade naquele canto. O ambiente é carioca, para o bem e para o mal. E o ressentimento pelo tamanho que São Paulo tomou no Brasil acaba repercutindo, de uma forma ou de outra, em paulistas que participem do Conedit. Acresce que a sede da Editora Globo é em São Paulo, e não no Rio.

Ali Kamel não facilita a vida de ninguém, logo vi. Não é hospitaleiro.

Lembro o dia em que Kamel foi apresentado a Adriano Silva, na sede da Globo no Rio de Janeiro. Adriano estava sendo contratado com a missão de chacoalhar o Fantástico, que vivia uma fase soporífera, bem refletida no Ibope. Adriano fizera isso na Superinteressante, sob minha supervisão. Daí o interesse da Globo. Quem negociou com Adriano foi Carlos Schroder, diretor de telejornalismo da Globo.

Eu estava com ambos no prédio do Jardim Botânico quando Ali se aproximou. Não deu um sorriso para Adriano, talvez porque não tivesse tido participação no convite. Seco, quase ríspido, colocou a Superinteressante na conversa — afirmou que a enteada a lia — para comentar supostos erros da revista. Ficou claro naquele momento que a vida de Adriano perto de Kamel não seria fácil. Não foi.

Alguns meses depois, Schroder me mandou um email para me dizer que Adriano não dera certo na tevê. Sem surpresa. Naquele ambiente, num programa em crise e ao alcance de Kamel, e sem o apoio de Schroder para equilibrar as coisas, Adriano tinha mesmo que se dar mal. Como o Fantástico continuaria a padecer dos problemas que levaram a Globo a contratar Adriano Silva — desinspiração editorial, falta de inovação e Ibope baixo para um programa que se confundiu com a noite de domingo dos brasileiros por muitos anos — ficou claro que o problema não estava em quem chegou mas nos que já estavam lá e permaneceram, sob a liderança de Schroder e Kamel.

O caso do Fantástico me faria lembrar um comentário que certa vez ouvi, segundo o qual a força criativa da Globo repousava em Boni, “um paranóico vigilante da alta qualidade”. Achei que a definição fazia sentido ao ler que, numa corrida em que Galvão Bueno gritou triunfal “eu já sabia, eu já sabia!” quando Senna entregou a vitória ao segundo piloto de sua equipe, Boni teve uma reação irada. “Se sabia, por que não contou para o espectador?”.

No Conedit, numa mesa em forma de U, João Roberto se senta no centro, na reunião. À sua esquerda, numa das laterais, fica Merval. Na esquerda,na outra lateral, Kamel. Há uma tensão muda entre os dois, uma espécie de duelo pela preferência do chefe. São os que mais falam lá.

Não daria o prêmio de simpatia a Kamel. E nem o de originalidade. Logo percebi que ele expressava com ênfase, com a fé cega de um jihadista, amplificando-as, as conhecidas idéias das Organizações Globo, inspiradas no passado recente em Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Numa metáfora religiosa, é como se o paraíso fosse o livre mercado e o inferno fosse o Estado. (E Lula o diabo.)

Não havia desafio a essas idéias, não havia uma tentativa de reolhá-las e reavaliá-las, como aliás fizeram no Reino Unido os discípulos de Thatcher. Bolsa Família? Assistencialismo. Ponto. Cotas em universidades? Absurdo. Ponto. Um dia comentei isso com Luiz Eduardo Vasconcellos, sobrinho de Roberto Marinho e acionista das Organizações. Luiz teve cargos executivos durante muitos anos, mas agora se recolheu às funções de acionista minoritário. É simpático, interessado nas coisas do mundo – e tem a admirável marca da simplicidade no traje e no trato que é comum a ele e aos primos. Você não diz que ele é um dos donos da Globo se se sentar numa reunião do Conedit sem conhecê-lo.

“Sinto falta de pensamentos alternativos na reunião”, comentei com ele. “A sensação que tenho é que as pessoas, principalmente o Kamel e o Merval, falam apenas as coisas que imaginam que o João vai gostar de ouvir.”

Essa clima de pensamento único se abrandava apenas nas ocasiões em que visitas de fora iam ao Conedit falar de algum assunto específico.

Não havia ventilação nas idéias. O quanto isso devia estar me incomodando estava claro em meu ataque de sinceridade no almoço. Era evidente o risco de que meu comentário fosse espalhado, ainda que Luiz Eduardo sempre tenha me parecido discreto e reservado.

Nas eleições de 2006, meu diagnóstico do Conedit pareceu se confirmar para mim. João Roberto tinha um tom sereno ao debater a campanha. As posições das Organizações não eram as do governo de Lula, mas democracia é isso mesmo. Vi João criticar várias vezes ações de militantes petistas, mas jamais o vi sair do tom. Não sei se, privadamente, ele tinha outra conduta. Publicamente, no Conedit, era lhano no trato das questões políticas.

Curiosamente, dada sua posição de dono, o ambiente muitas vezes não refletia a serenidade de João Roberto. Kamel e Merval davam um tom épico, em branco e preto, a muitas discussões políticas. Pareciam odiar Lula e qualquer coisa que partisse do governo petista.

Se o julgamento deles fosse acertado, Lula teria errado em todas as decisões que tomou em seus oito anos de administração.

O quanto essa inflamação toda era genuína ou não, é uma dúvida que carrego até hoje. Será que esses caras pensam mesmo isso, ou no bar, com os amigos, dão uma relaxada? Não sei. Minha intuição é que, como o poeta segundo Fernando Pessoa, o fingimento é tanto que uma hora você acredita no que fingia antes acreditar. A alternativa é um sentimento cruel de que você é uma pena de aluguel.

Há uma lenda urbana segundo a qual Kamel seria o guardião da ideologia das Organizações Globo. É exatamente isso, uma lenda. Kamel não é nenhum Hayek, ou Friedman. Não é formulador de pensamentos, não é um filósofo, não é nada daquilo que confere a alguém o poder de persuadir outras pessoas pelo vigor não dos gritos mas das idéias.

Num determinado momento da campanha de 2006, veio à cena a expressão “aloprados”, para designar os petistas fanatizados que pareciam dispostos a tudo para permanecer no poder. Nos bastidores, Lula disse que seguraria os “seus aloprados”, tais e tantos que eu só voltaria a pensar no PT como um partido para mim numa próxima encarnação, mas que queria que os “aloprados do outro lado” também fossem segurados.

Passados quatro anos, nas eleições de 2010, fui tomado de dúvidas sobre se os aloprados petistas tinham sido segurados. Me pareceu que houve pelo menos um esforço para isso. Mas a cobertura da TV Globo me provaria – ainda que eu tivesse visto apenas fragmentos dela, em geral no YouTube — que os aloprados do lado de lá estavam com as mãos inteiramente livres. A pergunta clássica em relação a Lula é: “Ele sabia disso?” A que me faço em relação a João Roberto é: “Ele aprova isso?”

O que o telespectador vê no Jornal Nacional parece – por tudo que eu vi nos tempos de Conedit – refletir muito mais o jihadismo de Kamel do que a serenidade de João Roberto. Raras vezes vi um caso que confirmasse a tese de que, entre os fâmulos, o realismo é maior que no rei. Caso João efetivamente ache boa a cobertura política do telejornalismo da Globo, o problema de perenidade das Organizações provavelmente é maior do que parece agora. Caso tenha dúvidas, elas não transparecem, não, pelo menos, em períodos agudos como os de eleições presidenciais.

Uma vez, a BBC foi debatida numa reunião na Globo à qual estava presente até Roberto Irineu Marinho, o RIM, primogênito de Roberto Marinho e presidente do grupo. Eu estava presente. Lembro particularmente de uma cena: Roberto Irineu num determinado momento cochilava (cansei de fazer o mesmo em minha carreira em reuniões que julgava maçantes, confesso) sem que seu principal assessor, Jorge Nóbrega, soubesse o que fazer. Acordar o chefe ou deixá-lo repousar? Acho que eu próprio cochilei (era bem cedo, e eu viera de São Paulo) antes de ver a decisão. Bem, é tal o vigor da BBC que os britânicos pagam sem se queixar a license fee, uma taxa anual de cerca de 500 reais, para poder ligar um aparelho de televisão. É um dinheiro que financia a BBC. Toda emissora do mundo sonha com uma license fee.

Para aspirar aos benefícios de uma license fee no Brasil que não gerasse revolta na sociedade, qualquer emissora brasileira teria que ser vista não apenas como produtora de conteúdo de alto nível mas também como senhora de isenção jornalística. Se você pega trechos da cobertura da campanha eleitoral britânica da BBC de 2010 e os compara com trechos da cobertura da campanha presidencial brasileira de 2010 da Globo, notará uma diferença extraordinária. Não basta uma emissora ser isenta. Ela tem que parecer isenta para ser acreditada. A BBC parece. Por isso, os britânicos são tão orgulhosos dela a ponto de pagar por ela. Vi em vários debates de leitores na internet que os britânicos enxergam na BBC uma resistência inexpugável ao conteúdo viciado de barões como Rupert Murdoch.

Imagino como a BBC cobriria o já histórico episódio do atentado com bolinha de papel e quem sabe um rolo de durex ao candidato José Serra. Nem uma mísera gota de sangue, nem um mísero aranhão, nem um mísero golpe, nem um mísero sinal numa absurda tomografia.

Ignoraria o falso atentado? Presumo que nem tanto. Haveria, pelo que conheço da BBC, um esforço intenso para avaliar o real tamanho do fato e assim ajudar seu espectador. Só não consigo ver a BBC, como aconteceu com a Globo, gastar tanto tempo para tentar convencer o público de que Serra foi vítima de uma agressão e não autor de uma simulação que recebeu prontamente do público uma resposta divertida: um jogo na internet em que você tenta acertar um papel na cara de Serra.

*Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.




segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ele, novamente

O sobrinho Jotapê. Pole position no Mundial de Corujice Familiar, categoria Fraldinhas Cilindradas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Não sou petista

Não sou petista. Não tenho nem nunca tive carteirinha do PT ou de qualquer outro partido. Não sinto obrigação nem tenho procuração ou salva-conduto para defender a reputação de qualquer membro do PT.

No entanto, assumo publicamente meu voto em Dilma, me coloco como pedra para sua administração (caso ela ganhe) e como vidraça perante os cidadãos que discordam das minhas inclinações políticas.

Por que digo isso? Porque é divertido escutar a todo momento alguém te chamar de petista só porque você vota na D. Dilma.

Já está tão difundido e consagrado pela prática que chamar alguém ou algo de "petista" tem um tom de desqualificação a priori.

Na boca de muitos, escapa como uma depreciação velada. Na de outros, saliva como um verdadeiro xingamento.

Como na piada elitista do pior dos mundos possíveis: ser preto, pobre, veado, aleijado e petista.
( de vez em quando, "atleticano" fecha esse rol de predicados).

Pois, se você é um cara que se preocupa com a democratização da renda, terra ou palavra no Brasil, você é "petista".

Se você acha que o Bolsa Família é um programa interessante, é "petista".

Se você é contra a privatização da Petrobrás, Caixa e BB - sinto muito, amigo, você é "petista".

É uma tentativa retórica de desqualificação do interlocutor por meio de um preconceito, não?

Que tal então começarmos a chamar os outros de "péssedebistas"?

Meguinha

Nestes tempos de ira, que o leitor me permita.

Posso fazer um elogio à minha mulher?

É alienígena.

Não se encontrarão, decerto, nos arquivos da NASA ou nos registros oficiais da Força Aérea Nacional, testemunhos sobre criatura mais melíflua, mais doce.

Vejo seus esforços, em segredo, que para mim não são segredo (só finjo ser distraído). Sinto seus medos, e minha vontade é abraçá-la. Me familiarizo com suas idiossincrasias e meu primeiro impulso, não fosse tão malandro, seria compartilhá-las.

Porque a Meg é generosa, é meiga, é defensora de sua prole, é mãe, é amante, é pensante, é mulher.

É tudo isso e é menos do que aqui contei.

Um modelo de ser humano - não deste mundo.

Enfim. Não fosse minha mulher, eu a recomendaria a qualquer um.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A verdade filmada: ajude a desmascarar o Zé Catimba e o PIG

Boa-noite

A edição do JN de hoje foi positivamente enojante. Já era esperado, mas há noites em que eles se superam.

Kamel e Bonner devem ter ido ao travesseiro com o sentimento de dever cumprido. Com um olho só, como sói ser entre caracteres da mais alta sensibilidade.

O outro, bem aberto, mira as últimas pesquisas que deram dianteira à Dilma.

Dias históricos

Já me chamaram de pastor, por estar "pregando" política.

E de agir "como um evangélico".

Bueno. Democraticamente, divirjo.

Não vejo assunto mais importante hoje pra cada um de nós do que estas eleições.

Alguém ainda não percebeu o caminho que a grande imprensa vai nos levar?

Edição do debate de 89 é fichinha.

Como o cucuruto na cabeça do Serra vai ser explorado ao máximo - prepare-se para o bombardeio midiático -, O PSDB, o DEM, o PIG, a banda cheirosa do TSE e todos os neocons já têm a sua Carta Brandi, o seu atentado da Rua Toneleros.

Vivemos dias históricos.

Fruto da terra

Esqueça, por um momento, seu juízo crítico. Os equívocos, os devaneios, os descaminhos que constituem as idas e vindas na vida do cidadão. O que o homem já falou, fez ou deixou de fazer fora de um gramado.

Posto que Pelé faz, neste sábado, 70 anos.

E o que foi Pelé dentro de um gramado? Provavelmente, a figura histórica que contribuiu decisivamente para a formação da identidade da nação no século XXI.

O El Cid, o George Washington, o Almirante Nelson da nossa Pátria de Chuteiras.

Mal ou bem, o Brasil é o que é hoje perante o mundo por causa, em boa parte, dele.

E o que chama a atenção foi encontrar poesia escondida em uma notícia vulgar, poesia encrustada na matéria como aqueles matinhos renitentes que nascem nas brechas das calçadas e dos paralelepípedos.

Em Três Corações, a casa onde Pelé nasceu já não existe mais. Foi demolida. Só restou o lote e, no fundo do terreno, resistem quatro jabuticabeiras num arremedo de quintal, jabuticabeiras das quais o Rei tem entre suas lembranças mais pueris.

Jabuticaba! Tinha que ser jabuticaba! Negra, lustrosa, esférica. Redonda como uma bola, brasileira desde a raiz!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Foi bonita a festa, ó pá

Acabo de ver o Bom (Bom?) Dia Brasil, com a cobertura do apoio dos artistas e intelectuais a Dilma, realizado ontem, no Rio. A má vontade da reportagem global era comovente. Cinicamente, enquanto as imagens mostravam vários nomes de peso, a reporcagem citou apenas, pela ordem, a presença de "entre outros", Leonardo Boff, Chico Buarque e Oscar Niemeyer (será que passaram a imagem do velhinho na cadeira de rodas por último para transmitir a idéia subliminar de que ir com Dilma é sinal de senilidade ou decrepitude?).

Esqueceram-se de citar Elba (até outro dia não era Serra?), Osmar Prado, Hugo Carvana, Ziraldo, Alcione, Beth Carvalho, acho que Tom Zé. Isso dos que vi.

Enquanto isto, Lula botava o dedo na ferida, num evento de Carta Capital. E que aqui no blog nossa equipe de colaboradores (eu e o labrador Nelson) concorda: enquanto a gente não tiver uma imprensa responsável, a gente não tem uma democracia estável. Porque a oligarquia dos meios e o consequente controle da informação cria uma classe despolitizada, uma massa de manobra manipulável segundo interesses que não são necessariamente (sendo bonzinho) sociais e democráticos.

* * *

"Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai".

Chico Buarque

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Os Emepebês

O caô do Caê:
Falta ao "cara"
Muito abecê.

Verde era o Gil.
Agora vota maduro
Pelo bem do Brasil.

E o Chico com isso?
Sempre discreto,
Mas nunca omisso.

Por ele, é Dilma pra presidente
Se é assim que a banda toca
Se toca, vem junto com a gente.

Ruins de bola

Na boa: depois do debate de ontem, reitera-se aquele pensamento já antigo em seus recônditos. Vota-se na Dilma pelo projeto - inclusivo, social, desenvolvimentista - e pronto.

Não fosse o Serra uma Miss Congeniality, a coisa já teria ido pro beleléu faz tempo.

Culpa dos erros do próprio PT, é claro, que fez besteiras em seus próprios quadros ou sofrecom a ausência de uma renovação. Releve-se o despreparo retórico e a falta de simpatia, Dilma ainda é o melhor que se pôde arrumar (ainda que veja Tarso Genro com bons olhos).

Em outras palavras: como carisma não está em jogo neste pleito eleitoral, fiquemos com quem tem um projeto social claro. Não com quem irá, em termos propositadamente vagos, "fortalecer" as estatais.

Às vezes, como eleitor, me sinto como se fosse o capitão escolhendo o time. Todos os bons de bola e os mais-ou-menos já foram escolhidos, sobraram apenas a Dilma e o Serra. No caso de simpatia ser um dom semelhante ao de jogar futebol. Você olha para a Dilma toda ansiosa, a gorduchinha agitada do bairro que sempre quer participar das brincadeiras mas quase ninguém deixa porque ela apela quando perde. Hmm. Aí você olha pro Serra, para as mãozinhas de T-rex do Serra, as canelas finas de siriema e a linha do calção acima do umbigo, pensando no desastre que ia ser ele no time e se lembrando de todas as vezes que ele tira onda porque tem os brinquedos mais caros da rua.

Então não reflete mais, aponta o dedo e diz:

- Dilma: você pro gol.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Intuição

A coisa tomou tal proporção que, nessas eleições, é inútil racionalizar o debate. Além dos vários casos que amigos relatam, hoje pude comprovar in loco esta suspeita.

Quem decidiu, já decidiu. Quem é Serrista, é Serrista e pronto. Não adiantam comparações, números, programas de governo (o Coiso até agora não mostrou o seu, justamente o que deveria meter medo na gente).

A imprensa contribui para esse clima horroroso, desqualificando o debate com a valorização do aborto e religião, o terrorismo e os atentados às reputações.

Pra mim, a parada agora é emocional. Pela minha intuição, os volúveis, provável pendor da balança, só modificarão seu voto por algum fato novo que sensibilize corações; mentes não.

A propósito, depois de alguma discussão sem chegar a lugar algum, fiz hoje a um colega uma pergunta que considero chave neste sentido:

- Ok, ok. Mas só responda uma coisa: você tem mesmo saudade dos tempos do governo Fernando Henrique?

- Tenho!

Então, tá.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Números

Não sei a fonte destes dados, mas... desde quando quem me manda emails caluniando a Dilma sabe?




Números das gestões LULA e FHC.

GOVERNO LULA - PT (7,8 ANOS)

GOVERNO PSDB - PSDB/PFL (8 ANOS)

1) Número de policiais federais:

Governo Lula: 13 mil

Governo PSDB/PFL: 5 mil

2) Operações da PF contra a corrupção, sonegação de impostos, crime organizado e lavagem de dinheiro:

Governo Lula: 183 / 2.961 prisões

Governo PSDB/PFL: 20 (2 últimos anos) / 54 prisões

3) Construção de Universidades Federais:

Governo Lula: 14 novas universidades e mais de 100 campi universitários

Governo PSDB/PFL: 6 universidades federais em 8 anos

4) Criação de empregos:

Governo Lula: 14,6 milhões com carteira assinada

Governo PSDB/PFL: 5 milhões

5) Média anual de empregos gerados:

Governo Lula: 1,87 milhão

Governo PSDB/PFL: 627 mil

6) Taxa de desemprego nas regiões metropolitanas:

Governo Lula: 7,4% (dez/09)

Governo PSDB/PFL: 11,7%

32) Desemprego no país:

Governo Lula: 9,6%

Governo PSDB/PFL: 12,2%

8) Exportações (em dólares):

Governo Lula: 118,3 bilhões (2005)

Governo PSDB/PFL: 60,4 bilhões (2002)

9) Balança comercial (em dólares):

Governo Lula: 265,3 bilhões (positivos)

Governo PSDB/PFL: - 8,4 bilhões (negativos)

10) Transações correntes (em dólares):

Governo Lula: 110,1 bilhões (positivos)

Governo PSDB/PFL: - 186,2 bilhões (negativos)

11) Risco-país:

Governo Lula: 204

Governo PSDB/PFL: 2.400

* No governo Lula, o país atingiu o patamar mais baixo da história.

12) Inflação (média, medida pelo IPCA):

Governo Lula: 5,7%

Governo PSDB/PFL: 9,1%

13) Dívida com o FMI (em dólares):

Governo Lula: dívida paga – Hoje o FMI nos deve 18 bilhões

Governo PSDB/PFL: 14,7 bilhões

(todo ano emprestávamos uma média de 10 bilhões que desapareciam inexplicavelmente)

14) Empréstimo para habitação (em reais):

Governo Lula: 9,5 bilhões

Governo PSDB/PFL: 1,7 bilhões

15) Média de crescimento do PIB:

Governo Lula: 4,0% a.a.

Governo PSDB/PFL: 2,3% a.a.

16) Valor do salário mínimo (em dólares):

Governo Lula: quase 300

Governo PSDB/PFL: 55

17) Poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica:

Governo Lula: 3,7 cestas básicas

Governo PSDB/PFL: 1,3 cesta básica

18) Transferência de renda (em reais):

Governo Lula: 12,1 bilhões

Governo PSDB/PFL: 2,3 bilhões

19) Saldo da balança comercial acumulado no período (em dólares):

Governo Lula: 255,6 bilhões POSITIVO

Governo PSDB/PFL: 8,7 bilhões NEGATIVO

20) Atendidos pelo programa Brasil Sorridente (atendimento odontológico):

Governo Lula: 35,7% da população

Governo PSDB/PFL: 17,5% da população

* 15 milhões de brasileiros foram pela primeira vez ao dentista.

21) Mortalidade infantil indígena (por 1000 habitantes):

Governo Lula: 18,6

Governo PSDB/PFL: 55,7

22) Pró-jovem estudo subsidiado:

Governo Lula: 183 mil (18 a 24 anos)

Governo PSDB/PFL: não havia programa, nem registro.

23) Bolsa Família:

Governo Lula: 12,1 milhões de famílias

Governo PSDB/PFL: o programa era o Bolsa Escola com atendimento restrito a um pequeno número de pessoas.

24) Incremento no acesso a água no semi-árido nordestino:

Governo Lula: 762 mil pessoas e 202 mil cisternas

Governo PSDB/PFL: zero, não havia programa.

25) Distribuição de leite no semi-árido (sistema pequeno produtor):

Governo Lula: 3,3 milhões de brasileiros

Governo PSDB/PFL: zero, não havia programa.

26) Apoio à agricultura familiar:

Governo Lula: 7,5 bilhões na safra 2005/06

Governo PSDB/PFL: 2,5 bilhões no último ano de governo

27) Compra de terras para Reforma Agrária:

Governo Lula: 2,7 bilhões (2003 a 2005)

Governo PSDB/PFL: 1,1 bilhão (1999 a 2002)

28) Investimento do BNDES em micro e pequenas empresas:

Governo Lula: 14,99 bilhões

Governo PSDB/PFL: 8,3 bilhões

29) Investimento anual em saúde básica:

Governo Lula: 1,5 bilhões

Governo PSDB/PFL: 155 milhões

30) Equipes do Programa Saúde da Família:

Governo Lula: 21.609

Governo PSDB/PFL: 16.698

31) Áreas ambientais preservadas:

Governo Lula: incremento de 19,6 milhões de hectares

Do ano do Descobrimento do Brasil até 2002: 40 milhões de hectares

32) Eletrificação Rural:

Governo Lula: 3 milhões de pessoas

Governo PSDB/PFL: 2,7 mil pessoas

33) Livros gratuitos para o Ensino Médio:

Governo Lula: 7 milhões

Governo PSDB/PFL: zero

34) Geração de Energia Elétrica:

Governo Lula: 1.567 empreendimentos em operação, gerando 95.744.495 kW de potência. Está previsto para os próximos anos uma adição de 26.967.987 kW na capacidade de geração do País, proveniente os 65 empreendimentos atualmente em construção e mais 516 outorgadas.

FHC: Apagão



Pisão no pé

Como sujeito que vive cotidiana e profissionalmente a comunicação, reconheço: a campanha do Coiso na TV melhorou do primeiro para o segundo turno. Digo, em termos de propaganda. Eles estão explorando os medos, as meias-verdades e demais assuntos, preconceituosos ou não, com muito mais astúcia e simpatia. Serão os marqueteiros do Aécio?

Já a campanha da Dilma parece patinar, perdida, sem rumo definido. Pelas declarações que li, quem está no comando acha que vai ganhar jogando limpo, somente “debatendo projetos de governo”.

Não sei, não. Em vez de discutir a relação – quer dizer, discutir proposta – deveriam revisitar o pensamento dos grandes nomes da retórica. Gregos, romanos, filósofos italianos, os alemães, sei lá.

Porque isso não é aquela conversa de casal que discute visando ao bem comum, cada qual com boas intenções para resolver suas diferenças.

Aqui, a história é ganhar a discussão – mesmo.

Numa eleição, o negócio não é o candidato ter a autoconsciência tranqüila de possuir as melhores idéias para os interesses da coletividade. Não é se manter, tal qual estóico, como uma estátua impávida enquanto lhe jogam tomates na cara e milhares de cupins devoram seu palanque.

Numa eleição, amigo, o negócio é jogar para a platéia.

Isso não é desonestidade. É malandragem. Pergunte a Jota Cristo.

Quando um alto membro dos fariseus – ou do Sinédrio, ou alguém do grupo religioso que tinha poder em Jerusalém com a conivência dos romanos ou um integrante qualquer do PSDB-DEM da época, não sei - o interpelou publicamente a tomar partido, se os judeus deveriam ou não pagar o tributo a Roma, o bicho não foi malandro? Se dissesse não, poderia ser preso, acusado de atentar contra o Império. Se dissesse sim, mostrava tibieza decepcionando a massa esperançosa que o seguia e o considerava o Messias que haveria de libertar o povo oprimido.

E o que Jota Cristo respondeu? Escapou da cilada perguntando às cobras farisaicas: - Quem está cunhado na face desta moeda? O Filho do Homem sabia, o Sinédrio também sabia. Mas o tal dignatário respondeu mesmo assim: - Ora, tu sabes que é César! Então foi a vez do Nazareno perguntar pra turba: - Quem está na face desta moeda? Todos gritaram: - César!

A resposta de JC foi o que você, leitor, também já está careca de saber: - A César o que é de César. A Deus o que é de Deus, a mim o que é meu.

* * *

Malandragem, como habilidade retórica, não é jogar sujo. É colocar o adversário em xeque, fazendo o jogo sujo se voltar contra o quem o empreendeu.

Como em Menina de Ouro, do Eastwood, o adversário joga sujo: dá cotovelada, acerta abaixo da cintura, bate depois de soar o gongo. E nada das infrações serem punidas. Não digo aqui uma defesa do vale-tudo, absolutamente, mas é ingenuidade achar que vai dar pra ganhar só lutando “o bom combate”. Você viu o filme.

Dilma: quando houver clinch e o juiz não estiver olhando, pisa no pé dele.

fascismo

A construção do fascismo através do ódio pela campanha de Serra
A psicologia de massa do fascismo à brasileira
Luis Nassif Online

Há tempos alerto para a campanha de ódio que o pacto mídia-FHC estava plantando no jogo político brasileiro.

O momento é dos mais delicados. O país passa por profundos processos de transformação, com a entrada de milhões de pessoas no mercado de consumo e político. Pela primeira vez na história, abre-se espaço para um mercado de consumo de massa capaz de lançar o país na primeira divisão da economia mundial.

Esses movimentos foram essenciais na construção de outras nações, mas sempre vieram acompanhados de tensões, conflitos, entre os que emergem buscando espaço, e os já estabelecidos impondo resistências.

Em outros países, essas tensões descambaram para guerras, como a da Secessão norte-americana, ou para movimentos totalitários, como o fascismo nos anos 20 na Europa.

Nos últimos anos, parecia que Lula completaria a travessia para o novo modelo reduzindo substancialmente os atritos. O reconhecimento do exterior ajudou a aplainar o pesado preconceito da classe média acuada. A estratégia política de juntar todas as peças – de multinacionais a pequenas empresas, do agronegócio à agricultura familiar, do mercado aos movimentos sociais – permitiu uma síntese admirável do novo país. O terrorismo midiático, levantando fantasmas com o MST, Bolívia, Venezuela, Cuba e outras bobagens, não passava de jogo de cena, no qual nem a própria mídia acreditava.

À falta de um projeto de país, esgotado o modelo no qual se escudou, FHC – seguido por seu discípulo José Serra – passou a apostar tudo na radicalização. Ajudou a referendar a idéia da república sindicalista, a espalhar rumores sobre tendências totalitárias de Lula, mesmo sabendo que tais temores eram infundados.

Em ambientes mais sérios do que nas entrevistas políticas aos jornais, o sociólogo FHC não endossava as afirmações irresponsáveis do político FHC.

Mas as sementes do ódio frutificaram. E agora explodem em sua plenitude, misturando a exploração dos preconceitos da classe média com o da religiosidade das classes mais simples de um candidato que, por muitos anos, parecia ser a encarnação do Brasil moderno e hoje representa o oportunismo mais deslavado da moderna história política brasileira.

O fascismo à brasileira
Se alguém pretende desenvolver alguma tese nova sobre a psicologia de massa do fascismo, no Brasil, aproveite. Nessas eleições, o clima que envolve algumas camadas da sociedade é o laboratório mais completo – e com acompanhamento online - de como é possível inculcar ódio, superstição e intolerância em classes sociais das mais variadas no Brasil urbano – supostamente o lado moderno da sociedade.

Dia desses, um pai relatou um caso de bullying com a filha, quando se declarou a favor de Dilma.
Em São Paulo esse clima está generalizado. Nos contatos com familiares, nesses feriados, recebi relatos de um sentimento difuso de ódio no ar como há muito tempo não se via, provavelmente nem na campanha do impeachment de Collor, talvez apenas em 1964, período em que amigos dedavam amigos e os piores sentimentos vinham à tona, da pequena cidade do interior à grande metrópole.

Agora, esse ódio não está poupando nenhum setor. É figadal, ostensivo, irracional, não se curvando a argumentos ou ponderações.Minhas filhas menores freqüentam uma escola liberal, que estimula a tolerância em todos os níveis. Os relatos que me trazem é que qualquer opinião que não seja contra Dilma provoca o isolamento da colega. Outro pai de aluna do Vera Cruz me diz que as coleguinhas afirmam no recreio que Dilma é assassina.

Na empresa em que trabalha outra filha, toda a média gerência é furiosamente anti-Dilma. No primeiro turno, ela anunciou seu voto em Marina e foi cercada por colegas indignados. O mesmo ocorre no ambiente de trabalho de outra filha.

No domingo fui visitar uma tia na Vila Maria. O mesmo sentimento dos antidilmistas, virulento, agressivo, intimidador. Um amigo banqueiro ficou surpreso ao entrar no seu banco, na segunda, é captar as reações dos funcionários ao debate da Band.

A construção do ódio
Na base do ódio um trabalho da mídia de massa de martelar diariamente a história das duas caras, a guerrilha, o terrorismo, a ameaça de que sem Lula ela entregaria o país ao demonizado José Dirceu. Depois, o episódio da Erenice abrindo as comportas do que foi plantado.

Os desdobramentos são imprevisíveis e transcendem o processo eleitoral. A irresponsabilidade da mídia de massa e de um candidato de uma ambição sem limites conseguiu introjetar na sociedade brasileira uma intolerância que, em outros tempos, se resolvia com golpes de Estado. Agora, não, mas será um veneno violento que afetará o jogo político posterior, seja quem for o vencedor.

Que país sairá dessas eleições?, até desanima imaginar.

Mas demonstra cabalmente as dificuldades embutidas em qualquer espasmo de modernização brasileira, explica as raízes do subdesenvolvimento, a resistência história a qualquer processo de modernização. Não é a herança portuguesa. É a escassez de homens públicos de fôlego com responsabilidade institucional sobre o país. É a comprovação de porque o país sempre ficou para trás, abortou seus melhores momentos de modernização, apequenou-se nos momentos cruciais, cedendo a um vale-tudo sem projeto, uma guerra sem honra.

Seria interessante que o maior especialista da era da Internet, o espanhol Manuel Castells, em uma próxima vinda ao Brasil, convidado por seu amigo Fernando Henrique Cardoso, possa escapar da programação do Instituto FHC para entender um pouco melhor a irresponsabilidade, o egocentrismo absurdo que levou um ex-presidente a abrir mão da biografia por um último espasmo de poder. Sem se importar com o preço que o país poderia pagar.

Cinismo

Serra critica exatamente o que sempre pratica.


Serra continua dando piti com jornalista.

O que ele fará quando for presidente da república? Vai mandar prender?

Saiu no IGSerra se irrita com pergunta sobre ex-diretor da DersaAo ser questionado sobre Paulo Preto, candidato diz que assunto é "pauta petista" e abandona entrevista

Nara Alves, enviada ao Rio Grande do Sul | 13/10/2010 18:47

O presidenciável tucano José Serra irritou-se nesta quarta-feira em Porto Alegre (RS) ao ser questionado sobre a denúncia contra o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira Souza, conhecido como Paulo Preto, que teria desviado R$ 4 milhões da campanha do PSDB.

Primeiro, Serra classificou de "preconceito odiento" a forma como o jornalista se referiu ao ex-diretor, como Paulo Preto, e afirmou que o preconceito estava "embutido na pergunta". Em seguida, o presidenciável disse que o assunto faz parte da "pauta petista”.

Depois, Serra perguntou ao repórter para qual veículo de comunicação ele trabalhava. Ao ouvir que o profissional era do jornal Valor Econômico, Serra afirmou que o jornal não se interessava pelo o que estava acontecendo na Casa Civil e que “faz manchetes para o PT botar no horário eleitoral”.

Quando o repórter do Valor Econômico rebateu dizendo que as afirmações eram preconceito da parte dele, Serra decidiu encerrar a entrevista coletiva e deixou o local.

No último domingo, a presidenciável petista Dilma Rousseff usou a denúncia sobre o ex-diretor para atacar Serra no debate organizado pela TV Bandeirantes. Ontem, em Aparecida, Serra defendeu Paulo Souza e negou que tenha havido desvio de verbas de sua campanha. Antes disso, Serra havia negado conhecer Paulo Souza.

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Veja como Serra trata a imprensa, depois diz que Lula censura...

Serra negou-se novamente a responder sobre as irregularidades envolvendo o ex-assessor e travou o seguinte diálogo com o correspondente do Valor no Rio Grande do Sul:

Valor: O senhor não vai mais comentar a questão do Paulo Preto?

José Serra: Não tem o que comentar.

Valor: Mas primeiro o senhor disse que não o conhecia e depois...

Serra: Eu considero em primeiro lugar... Você é de onde?

Valor: Do Valor Econômico

Serra: Sei. Eu considero, em primeiro lugar, um preconceito odiento (sic) o fato de se referirem a uma pessoa com esse apelido. Quando me disseram por esse apelido eu disse: eu não conheço. Eu não traio, não tenho preconceito racial que está envolvido na sua pergunta, está envolvido em muito do que se fala.

Valor: Mas é como ele é conhecido.

Serra: Envolve um preconceito racial. .... Eu sei que no caso, vocês [dirigindo-se ao correspondente do Valor] não têm interesse na Casa Civil, naquilo foi desviado etc. Seu jornal pelo menos não tem. Agora, no nosso caso, nós temos. E o resto é factóide petista.

E arrematou dizendo que o jornal faz manchete para o PT botar no horário eleitoral.