quarta-feira, 23 de março de 2011

Prolegômenos

Vivemos, atualmente, o prefácio da nossa lua de mé.

Poderia até parecer que não, mas o planejamento para a viagem envolve uma miríade de ações por fazer, pesquisas e detalhezinhos.

Até porque, como se sabe, a gente só se preocupa com a logística de alguma coisa quando dá merda.

Dispensamos os pacotes e vamos por conta própria. Como é muita coisinha pra resolver antes de passar vinte dias na Itália, eu - que não sou disso - resolvi até apelar para uma agenda. É tanto item que se deve deixar resolvido para nossa ausência no período - minúcias como contas, habilitação internacional, condomínio (ainda sou síndico), cachorro e até a questão de molhar as plantas - quanto arrumado para nossa estada lá: horário dos museus e atrações por cidade, montagem de pré-roteiros, passes culturais (valem ou não a pena?), trem ou aluguel de carro?

Diria alguém que são doces problemas. De fato. Mas, ai de mim se eu não me ocupo deles.

terça-feira, 22 de março de 2011

Oficinas

Pela manhã, deixei o carro na oficina pra trocar o óleo.

Você troca o óleo, o cara aproveita para trocar o(s) filtro(s). Normal.

Você troca os filtros, o cara diz: dotô, tem que olhar essa correia dentada. E o esticador.

Enquanto pensa na correia dentada e no esticador, o cara complementa: ó, essa mangueira do radiador tá toda rachada. A suspensão dianteira esquerda e direita estão quebradas. E a parafuseta da rebimboca só dura mais dois mil km.

- Tudo bem, tô com pressa, depois faço tudo, só quero o óleo e os filtros, até porque viajo sexta...

- Ih... vai viajar? Eu, se fosse o senhor, confiava não. Trocava tudo.

Tá certo. E o carro ainda tá com um pneu esvaziando. Só que nesta oficina não tem serviço de borracheiro. Aliás, não tem no bairro inteiro.

Às vezes, só o clínico geral não resolve. Você precisa de especialistas. O único problema é que desconfio que, na vida ou nas oficinas, uma consulta leva à outra - ad eternum.


Go home

Este ataque à Líbia é indecoroso, imoral, vil, covarde, hipócrita, odiento, abjeto. Prontofalei.com.

Nada de novo ou diferente do que os americanos e aliados perpetraram no último século. É só conferir nos livros de história. A indústria da guerra gira a roda da economia lubrificada com sangue civil.

Mas eu fico aqui pensando no futuro por causa das pessoas que não enxergam nada de mais em todos estes perigosos precedentes - uai, é lícito aos falcões invadir qualquer país soberano que lhes der na telha, embora este último seja palco de uma ditadura que teve o apoio do ocidente durante anos.

Sim, penso no futuro porque agora, amigo - yes, nós temos pré-sal.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Fim de semana de emoções

1) Casamos. Bem ali na Av. Amazonas, entre a Casa de Ferragens Alvorada e o Frigorífico Vereda Plus, num cartório quente como o inferno e completamente lotado, com gente pendurada até no lustre - parecia bilheteria do Mineirão em dia de jogo. Mas foi tudo bem; creio que, no geral, os familiares gostaram e, se eles gostaram, nós também gostamos. Enfim. Agradecido e feliz por todos, por Meg e por mim.

2) Fizemos o tal curso de noivos. Prefiro não comentar.

3) No dia do curso, Meg teve uma experiência domética intensa e diferente - atípica, eu ainda diria, para mulher de sua linhagem, classe e estirpe. Mas eu tô de boca fechada. Quem quiser, que pergunte a ela o que aconteceu.


Como escreve bem, o Mino Carta.




sexta-feira, 18 de março de 2011

Casório

Pessoal, vô ali trocar aliança de mão e já volto.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Hipócritas

Quando misteriosas forças interessadas que Éfe Agá e seus camaradas permanecessem no poder, subornaram deputados para votarem a favor da reeleição, tudo beleza, tá valendo - isso pode, né Arnaldo?

Um golpe que judiciário, legislativo, executivo e mídia legitimaram. E a falta de ética de ser favorecido no próprio mandato em exercício ainda consegue ser menor do que a indignação com a impunidade daqueles corruptos que até hoje a desfrutam.

Mas, passam os dias. Veio Lula, depois Dilma. Estas forças olham para o horizonte e vislumbram a perspectiva de ficar anos longe do poder. Hora então de virar o jogo. E o que decidem seus representantes no senado? Acabar com a reeleição. E, aposto meu dólar furado, com a certeza secreta de que, "Uma vez no trono, a gente muda tudo de novo".

Hipocrisia. Eu quero uma pra viver.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Cumequié?

Maria Bethânia ganhando 1 milhão e 300 mil reais do Ministério da Cultura pra fazer um blog de poesia, com um vídeo por dia produzido pelo diretor Andrucha Waddington?

Como a informação parece ter pipocado primeiro na Folha, não dá pra saber se é verdade. Mas, se for, como diria Zeca Camargo: vão combinar, né.

E o tal blog seria chamado de "O Mundo Precisa de Poesia". Mas, e euzinho? Meu mundo precisa de dinheiro!!!

Irmã do Chico, veja, veja:

Tanto din-din
Pra dona Betânia
É moeda vã
Pra mim
O mió é patrociná
Boêmios no Divã


Poesia é isso, ministra.

terça-feira, 15 de março de 2011

Rubens, e a crise atual?

Lendo um comentário antigo do Alan Moore, julguei conveniente reproduzir aqui. Acho que, de alguma maneira, já manifestei uma certa melancolia com radicais e extremistas de quaisquer naipes político-religiosos.

Por que o comentário do Moore é propositado? Porque, não raro, a gente tromba com os preconceitos nas mesas dos botecos, nas baias do trabalho, nos bancos das escolas.

Tipos, um que pode ser bobinho ou sério: "- Argentino é tudo (adjetive o que você quiser)". Um que é sério mesmo: "- Veado é tudo (adjetive o que quiser)".

É o óbvio repisado, mas vamos lá. Diz o Moore:
O Islã é uma fé nobre e humana que, desafortunadamente, sofre por não ter uma cadeia evidente de comando terrestre, com uma resultante vulnerabilidade dos auto-nomeados homens santos que podem desejar liderar o Islã para terríveis conflitos, freqüentemente contra si mesmos.


Neste ínterim, eu desnecessariamente acrescentaria que, apesar de refratário às religiões, o Islã é, a priori, com seja lá o que você julgue como virtudes e defeitos inerentes, um sistema de crenças tão legítimo como qualquer outro - religião católica, protestante, judaica, budista, etc,etc.

Frisando:

O Islã é uma das mais importantes fontes da cultura mundial, e se ele deseja preservar sua considerável integridade no futuro, precisa colocar sua própria casa em ordem e fazer o seu melhor para isolar quaisquer malucos que não representem o muçulmano médio comum, amante da paz (mais ou menos a mesma coisa poderia certamente ser dita sobre cristianismo e judaísmo; o Islã dificilmente tem o monopólio de fanáticos sectários, dos quais todos estaríamos melhor sem).

A tradução não está lá estas coisas. Mas segue o trecho final:

E quanto à América, então? Somos todos nós, europeus liberais metidos, anti-americanos por estes dias? Certamente que não. Quem lhe falou isso? O que, nós somos anti-Duke Ellington, Tom Waits, Herman Melville, Jackson Pollock, Chester Himes, Emperor Norton, Patti Smith, Tex Avery, Dorothy Parker, Edgar Allan Poe, Orson Welles, Billie Holliday, Raymond Chandler, Kathy Acker, Edwin Starr, Nina Simone, Raymond Carver, Paul Robeson, Bob Dylan, Chuck Berry, Emily Dickinson, Lou Reed, Wilhelm Reich, Thomas Alva Edison, Jimi Hendrix, Captain Beefheart, William Burroughs, Emma Goldman, Jack Kerouac, William Faulkner, Walt Whitman, Spike Lee, Allen Ginsberg, John Waters, Matt Groening, The Sopranos, Robert Crumb, Damon Runyon, Woody Guthrie, Edward Hopper e todas aquelas milhares de outras pessoas maravilhosas que expressam o que realmente é o coração gigante, incontrolável e enorme da América? Não. Os EUA são um grande país, mas os americanos (e o resto do mundo) foram "embushcados". Um estranho grupinho que, por um período de tempo contentou-se em ser parte de um Governo Fantasma não-eleito, agora subiu audaciosamente à ribalta, onde eles sentem (talvez corretamente) que agora podem fazer ou dizer o que quer que desejem, e que ninguém pode ou fará nada sobre isso.


Classes médias do mundo, uni- vos.

domingo, 13 de março de 2011

A quem interessar possa

Senhoras e senhores, estou casando.

(Ou seria me casando? - leitores sabidos em regência, help)

Nesta sexta-feira, às 14h40, dona Meg e este humilde servo oficializam sua união no civil.

No íntimo, é estranho. Porque já me sinto casado há muito tempo.

Vamos juntos assim, com toda a beleza que há na simplicidade.. Sem muito alarde ou pirotecnia. Discretos e mansos, se Deus estiver servido.

Quem quiser aparecer, será bem-vindo. Quem não quiser ou não puder, relaxe. Quem me conhece de verdade sabe que eu nunca me chatearia com ausências.

Apesar do horário ingrato do definido pelo cartório, todos estão convidados para a grande festa, a se realizar no coração de cada um que nos queira bem.

Na mosca

Quem tem medo da verdade?

Temos diante de nós uma oportunidade de ouro: a de colocar em pratos limpos quem é democrata de fato no País e quem usa a democracia como uma bandeira de conveniência. Durante oito anos, a grande imprensa brasileira cobrou do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva fictícios atentados contra a liberdade de expressão. Acusavam Lula de possuir “anseios autoritários”. Nunca antes na história viram-se jornais tão zelosos do sagrado direito do cidadão de se informar. Mas quem agora, dentre estes baluartes da democracia, será capaz de se posicionar ao lado da presidenta Dilma Rousseff em favor da instalação da Comissão da Verdade, que pretende apurar os crimes cometidos durante a ditadura? Ou isto não é direito à informação?

Dilma tem manifestado a auxiliares seu interesse em proporcionar uma satisfação oficial do Estado a familiares e vítimas da ditadura, como fizeram nossos vizinhos na Argentina, Chile e Uruguai. Faz parte da agenda da ex-guerrilheira, presa e torturada, destacar-se na defesa dos Direitos Humanos. A titular da pasta, ministra Maria do Rosário, declarou, de chegada, ser assunto prioritário do governo a instalação da comissão. Mas foi só a presidenta assumir que sumiram das páginas mais “liberais” de nossa imprensa os artigos dos colunistas fixos em defesa da comissão. Foram suplantados por textos em defesa da… Defesa, o poderoso ministério que abriga os militares das três Forças.

No final do governo Lula, um articulista da nobre página 2 da Folha de S.Paulo, por exemplo, chegou a publicar várias colunas cobrando do presidente mais vigor na investigação do período militar, que tirasse a Comissão da Verdade do papel. Depois que Dilma demonstrou estar decidida a encarar o desafio, nunca mais. O que se vê atualmente são matérias, à guisa de furos de reportagem, ecoando a opinião dos militares mais obtusos da ativa, se não simplesmente já em seus pijamas. Em editoriais, mesmo, nenhum dos nossos grandes e democráticos jornais foi capaz de defender a instalação da comissão.

O Globo, aliás, fez justamente o contrário: espinafrou qualquer possibilidade de se mexer num passado que não lhe foi, afinal, o que poderia se chamar de “período de vacas magras”. Em editoriais, o jornal dos Marinho, sempre tão vigilante na hora de apontar tendências antidemocráticas em Lula, chamou a comissão de “orwelliana” e “encharcada de revanchismo”. Uma verdadeira “CPI da Ditadura” – como se isso não fosse algo a celebrar. O diário carioca fez malabarismos ao aliar o suposto “autoritarismo” de Lula a uma comissão “ao gosto dos regimes stalinistas”. É certo que Stalin reescreveu a verdade a seu bel-prazer. O Globo, porém, parece preferir que ela não seja nem sequer contada.

No início deste ano, a Folha bem que tentou disfarçar sua real opinião sobre o período que alcunhou de “ditabranda”, intercalando artigos de convidados contra e a favor da instalação da comissão. E uma ou outra carta apareceu em seu painel do leitor francamente favorável à investigação do passado. Mas a posição oficial do jornal é de editorial publicado em 31 de dezembro de 2009. Os crimes da ditadura, assegurava a Folha, “foram cometidos pelos dois lados em conflito”. Revisar a Lei da Anistia, nem pensar, publicou no editorial: “Não há nenhuma vantagem para a democracia em atiçar ressentimentos”. Para concluir: “O passado não deve ser esquecido – mas que não seja entrave e fonte de perturbação para o presente”.

A mim parece no mínimo curioso que órgãos de imprensa tão ciosos da democracia acatem os argumentos dos generais que impingiram ao país – eles sim, não Lula – uma ditadura. O projeto da Comissão da Verdade inclusive contempla a caserna, ao propor também a investigação de possíveis abusos cometidos pelos que lutaram contra o regime militar. Exigência, como se vê, dos militares, aliados aos jornais, e levada a cabo pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que por fim conseguiu embuti-la no texto levado ao Congresso. Ainda assim, continuam as restrições à comissão, pelos soldados armados e os de papel.

Um observador atento diria que a atitude reticente dos jornais em relação à Comissão da Verdade deixa transparecer um certo temor das investigações. Mas por que a grande imprensa brasileira teria medo da verdade? Acaso seria uma verdade inconveniente? Tempos estranhos estes em que democratas preferem o obscurantismo à luz.

Uma nota: O Estado de S.Paulo fica de fora desta análise apenas porque não encontrei em seu arquivo online e na internet nenhuma opinião do jornal sobre a Comissão da Verdade. Teria optado pelo silêncio?

sexta-feira, 11 de março de 2011

Valendo a mariola mais fácil da semana


Me diga: se Richard Nixon fosse do PSDB, e Bob Woodward e Carl Bernstein fossem repórteres de Veja, Estadão, Folha ou da Globo, o que você acha que realmente aconteceria?

R: Nada.

Espia, Galo, espia!


por André Kfouri em 11.mar.2011 às 7:22h

(publicada ontem, no Lance!)

NÃO CHUTARÁS

Algo verdadeiramente incrível aconteceu anteontem no Camp Nou. Não, não foi o insano percentual de posse de bola do Barcelona contra o Arsenal. Os 68% são inatingíveis para qualquer outro clube, mas relativamente comuns para os catalães. No jogo de Londres, por exemplo, os visitantes ficaram com a bola durante 61% do tempo. Não custa frisar: isso aconteceu na casa do adversário. Nos 2 x 0 sobre o Rubin Kazan, na fase de grupos, na Espanha, a posse ficou em torno dos 74%.

Também não foi o baixíssimo número de faltas cometidas pelo time que monopoliza o futebol bonito-e-competitivo no mundo atual. Foram apenas 8, contra 19 do Arsenal. Oito faltas numa partida chega a ser ridículo (só Rodrigo Souto fez 5 no último jogo do São Paulo), mas pode deixar o torcedor mais atento meio preocupado com os altos níveis de violência do time. Na já citada vitória sobre o Rubin, o Barcelona cometeu 3 faltas. Isso mesmo, três.

O jogo da terça-feira gorda foi tão unidimensional que um amigo meu achou que sua televisão estava quebrada. Ele acabou de comprar uma LCD widescreen e, ainda inexperiente nas configurações da tela, não entendeu por que via só metade do gramado. O Barcelona encaixotou seu adversário entre a linha do meio-campo e a linha de fundo. O Arsenal ficou como um lutador de boxe no corner, cabeça entre as luvas, apanhando.

Tudo bem que tentar tomar a bola do Barcelona não é um sinal de inteligência. O Arsenal não foi o primeiro e não será o último time a se fechar e apostar na saída rápida, especialmente com o empate como aliado. Só que se você não freqüentar o campo de ataque, qual é o ponto de sair do vestiário? Mas isso também não é incrível. Na verdade, é usual.

Verdadeiramente incrível foi o que se viu pela primeira vez na Liga dos Campeões da Uefa. Pelo menos, desde que uma empresa inglesa chamada Opta passou a registrar as estatísticas de todos os jogos do torneio, em 2003. O Arsenal foi o único time a sair de campo sem dar um chute a gol. Um único chute. Veja, não estamos falando de chutes que acertem o alvo. Estamos falando de qualquer chute que possa ser qualificado, ainda que com boa vontade, como “na direção do gol”. Sabe aquela batida que espana e passa perto da bandeira de escanteio? Nem isso.

No segundo jogo das semifinais do ano passado, a Internazionale de Milão deu um chute ao gol do Barcelona. O Panathinaikos, na fase de grupos, também deu um. O Zaragoza, pela última rodada da Liga Espanhola, não viu a bola (ela ficou com o Barcelona por 80,39% do tempo), mas tentou três chutes. O Arsenal, nenhum.

Se lembrarmos que o gol inglês foi contra, podemos dizer que o Barcelona superou o Arsenal até nas conclusões ao próprio gol. Provavelmente nunca vimos algo assim.

Everybody loves Rubens

Da mulher, prestes a dormir:
- Você está muito tenso. Tenta relaxar.

* * *
Da mulher, na cozinha:
- Posso te dar um toque? Depois de lavar copos, deixe-os de cabeça para baixo.

* * *
Da mulher:
- Amor, cê sabe como é que troca o gás aqui do condomínio?

* * *
De uma irmã:
- Credo! Camisa indiana? Agora você usa isso?

O pai:
- É carnaval. Deixa.

* * *
Do vizinho:
- Tem uma goteira do 101 pingando no meu carro; sei que, como síndico, você não pode fazer nada, mas eu gostaria de marcar uma reunião.

* * *
Saudando uma enteada:
- Bom-dia!
- ...
Despedindo-se de uma enteada à porta da escola:
- Tchau, tenha uma boa aula.
- ...
- Ei, não bata a por...!

* * *
Da mãe:
- A calça não está suja... a camisa está limpinha... muito bem, é assim que gosto de vê-lo ir trabalhar.

Da irmã:
- Pelo menos hoje ele não está vestido como o Agostinho da Grande Família.

* * *
Diálogo no trabalho:
- Chegou cedo hoje.
- Poisé, chefe. Às vezes, não dá pra evitar.


quarta-feira, 9 de março de 2011

De Túnis a Madison

Vendo este discurso do Michael Moore pra massa reunida em Madison, Wisconsin... pô, os olhos chegaram a marejar.

Fico divagando: quem acha que a luta dos trabalhadores nos Estados Unidos não tem nada a ver conosco, com a situação aqui no Brasil, pode estar enganado.

Dizem que Wisconsin é, historicamente, o estado da maior tradição sindical dos americanos, símbolo da garantia de direitos trabalhistas. Se o governador neocon de lá destruir o que resta de resistência dos direitos da classe trabalhadora; se Wisconsin cair, pronto: efeito bola de neve nos outros estados. Consequência: se os EUA em peso adotarem esse modelo de arrocho de estado, adivinha onde isso pode parar.

Menino, hoje um peido de camelo no Iemen aumenta o preço do papel higiênico aqui no Buritis.

Pra entender um pouco do que está acontecendo em Wisconsin, do que representa e do que está em jogo, clique aqui.

Para ver como é bonita a indignação diante da injustiça, aqui.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Era a chance da gente ver futebol às 8 da noite


A Globo e um golpe no futebol brasileiro. Leia aí.

A propósito, ontem, o JN foi mais uma pérola de parcialidade travestido de imparcialidade.

Como sempre, contra os interesses do povo brasileiro, em geral. É no viés que dá ao noticiário
econômico, é na ênfase do noticiário político, é no recorte que dá a qualquer assunto que vai contra a manutenção de seus próprios privilégios e dos privilégios dos grupos que ela representa/defende/se confunde: bancos, políticos que servem a grandes monopólios, oligarquias, governo americano.

Tudo isso com isenção, honestidade, profissionalismo. Apartidariamente.

Bem, amigos do Boêmios no Divã. Essa emissora dos Marinho joga contra todas as torcidas.


Olhaí a cara de pau.
Tá te chamando de burro, amigo.




quinta-feira, 3 de março de 2011

Praga

Não é nada pessoal. Just business. Mas não dá mais pra ficar parado, esperando que o devir da natureza resolva as coisas para nós. Não bastassem a dupla canina e o granizo, as formigas estão acabando com o que resta de plantas em nosso quintal.

Primeiro, foi um brinco de princesa. Depenado. Ou melhor, desfolhado e morto. Duas samambaias estão em estado crítico e, nesta noite, o xodó da patroa - uma trepadeira, jasmim-dos Açores- entrou na UTI.

Hoje, 6h45. Sigo o caminho das formigas e descubro que elas atravessam o muro por dentro de uma abertura na arandela. Desparafuso e coloco a isca tóxica na abertura, volto a fechar.

O problema é que não dá pra espalhar o cavalinho de tróia na carreira das bichinhas por causa dos cachorros estabanados. Outra: pelo menos no trajeto que espiei, as danadas praticamente não utilizam trechos planos, o ideal para amontoar as partículas de veneno. Só andam verticalmente, as safadas.

* * *

Nós e as formigas. É uma luta entre duas sociedades, entre duas civilizações, duas formas de vida. Como disse, nada pessoal. De um lado do ringue: pesando 150 milhões de indivíduos e não sei quantas vitórias, aaaas cortadeiras. Do outro, Meeeeeeg e Rubeeeeeeeens - fora de forma e com um pouco de sobrepeso.

A batalha é justa? Quem está certo? Quem tem a razão nesta contenda? Os dois lados. Ninguém. Ambos dão duro para sustentar seu modo de vida; mantêm a casa segura e em ordem; buscam prosperar e expandir suas atividades; cuidam da prole e da alimentação dos pequenos.

Aliás, a tática, corriqueira em guerras, de demonizar um lado, só encontraria eco talvez, neste caso, naqueles que querem cultivar um jardim. Afinal, enquanto uns lutam pela sobrevivência, outros lutam pela estética e uma sensação de bem-estar. Nestes parênteses, eu toparia numa boa trocar plantas e flores bonitas, que as formigas adoram, por plantas sem-graça e flores feinhas mas resistentes, que as formigas rejeitam. Mas, quem são estes vegetais?

Bem, agora não importa. Independentemente da força ideológica que motiva cada exército, a jihad está declarada. Além de inventar meios de proteger os desmiolados recrutas Nelson e Mel, penso seriamente em utilizar todos os recursos estratégicos ao meu alcance: armas químicas naturais e industrializadas, repelentes eletrônicos, serviços de dedetização. Sem falar que ainda acalento a ilusão de recrutar um tamanduá pra chefiar as tropas na trincheira, na linha de frente com o inimigo. Não é doidera, com dinheiro e internet se consegue de tudo.

É nóis. Ou a gente acaba com a saúva...

terça-feira, 1 de março de 2011

Hurricane domiciliaris

Nelson Rodrigues + Mel Rodrigues + granizo = Katrina.

A reunião de condições meteorológicas propícias com a ação de diferentes forças da natureza produziu aqui em casa um efeito devastador.

Foram-se as plantas dos vasos e canteiros, que nós escolhemos. Foi-se também uma boa parte das enraizadas no quintal, legado dos antigos habitantes.

Bueno. A graça está em começar de novo. Já é hora de termos um projeto paisagístico com a nossa cara. Ou seja: tudo minuciosamente improvisado.

Já esfrego as mãos.