quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Morte súbita

Me contam que um parceiro da agência - diretor de uma produtora de vídeo - faleceu nesta manhã.

Era um cara jovem, legal, bacana - bom de mexer. Já havíamos trabalhado juntos no ano passado. Hoje, ele tinha reunião aqui com o chefe, para a conclusão de um outro projeto que está em andamento.

Disseram que estava numa estradinha que conheço bem, a de Casa Branca, vilarejo bem aprazível a 25 Km de BH.

A estradinha requer cuidados; tem trechos sinuosos, à beira de desfiladeiros. Mas, até agora, estamos sem detalhes do que aconteceu; se foi abalroado, se saiu da estrada, etc.

A mulher, que estava com ele, quebrou uma perna, mas sobreviveu.

Que pena. Que triste.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Rapazes, aderi

Eu fazia uma gracinha e nada. Falava uma bobagenzinha, nada.

Eis aí um doutor que parecia completamente desprovido de senso de humor.

Pior é que eu insistia. Perguntado se fazia uso constante de algum remédio, retruquei: "- Vale cerveja?". Nem um sorriso, nem um esgar. Nada.

Quando me vi na posição fatal, de ladinho, enquanto ele me explicava como seriam os procedimentos - um exame constituído de três fases: inspeção visual, análise digital em profundidade e retosigmoscopia -, eu tentei uma última e desesperada cartada, talvez pra quebrar o gelo daquele momento assim tão íntimo de nós dois:

- O instante é solene demais ou cabe uma piada? Sabe o que meu pai me disse quando fez o exame pela primeira vez? Que havia perdido a virgindade de cu.

Ajeitando as luvas nos dedos, o homem continuava impassível.

- Aí eu disse pra ele que vinha aqui hoje e perguntei se ainda havia vaga para entrar pro clube.

Ele se permitiu mexer a boca, mas de um jeito estranho, nada que lembrasse um sorriso. Então falou:

- Vamos começar.

Posso afirmar a vocês que passei - me orgulho em dizer, por que não, com louvor - pela inspeção visual e pelo toque. Mas a tal retosigmoscopia... caramba. Parece que o sujeito enfiou uma lanterna no meu toba - uma daquelas lanternas metálicas de camelô, era só o que eu pensava na hora, compriiiiiida toda vida. E mexia de lá pra cá, de cá pra lá, pra cima e pra baixo. E, nesse mexe-mexe, vergonhoso confessar mas é verdade, soltei um ou dois gases.

Muito bem. Acabado "o procedimento', o doutor contou que eu tinha hemorróidas internas muito pequenininhas, que minha próstata estava ótima, que estava tudo bem e que nem iria me prescrever nada. Disse que eu podia já me assentar, se quisesse. Foi o que fiz. Então, dirigiu-se a mim, todo satisfeito e, pela primeira vez, sorrindo:

- Excelente! E aí? Está tudo bem? Está sentindo alguma coisa? Alguma coisa nova? Alguma sensação diferente?

O diabo que esse homem não tinha senso de humor.

* * *

Enfim. Era este o depoimento que eu queria dar, fica aí minha contribuição e solidariedade para os anais da proctologia.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Reticência

Um potencial comprador quer adquirir a honorável Mansão do Nova Granada. O negócio parece razoável e o sujeito, determinado...

Titubeio.

Voltar para casa de mamãe? Nóóóó...

Entrar para o movimento dos sem-casa.

Casar e entrar pro movimento dos dentro-de-casa.

* * *
Lição de Anatomia do Dr. Queiroz.

Voltando do hospital, descobri que o osso do braço que saiu do lugar se chama Ulna.

Ulna. Pense nisso por um segundo. Repita comigo, mental e lentamente:

Uuuuulna.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Gratidão


Hoje cedo Meg se levantou e eu aproveitei para fazer o mesmo assim que ela saiu. Fui ao banheiro e voltei para cama. Peguei um exemplar daquela coletânea da Disney lançada pela Abril, com as histórias do Carl Barks, o Homem dos Patos.

A segunda historinha que li me fez engasgar de tanto rir.

Pena, que a gente não começasse cada dia assim, às gargalhadas, antes das 7 da manhã.

Pensando nas histórias do homem, seu humor, seu sarcasmo, a humanidade e toda a sua carga de sentimentos que confere aos patos - amor, ódio, ciúme, cobiça, vaidade, medo - e, me valendo de sua biografia, não vejo como é possível não admirá-lo.

Barks foi possivelmente minha primeira leitura, aos cinco. Embora não soubesse seu nome, suas histórias eram reconhecíveis pelo traço e enredo - havia um abismo de qualidade entre elas e as historinhas de outros autores. Via de regra, as aventuras de Barks abriam e/ou fechavam as edições de Disney Especial - uma revista grossa, coletânea em torno de uma idéia qualquer, como "Os piratas", "Os vizinhos", "Os inventores".

O homem era genial, e quem critica seus quadrinhos com aquele papo de "propaganda do império capitalista" para meninos não sabe do que está falando ou nunca leu uma historinha de Natal de Barks, qualquer que seja.

Além de conter parábolas morais, as histórias de Barks despertaram em seus leitores mirins o espírito de aventura, o apetite por História, a curiosidade científica - sempre ambientando suas narrativas em lugares distantes, envolvendo mitos, misturando arqueologia, etc. Me lembro, por exemplo, que aos seis, sete eu já tinha conhecimento, ainda que rudimentar, sobre Jasão e os Argonautas, Circe, Medéia, Minotauro, Aladim, Incas, Fliegende Hollander, a Pedra Filosofal, a Fonte da Juventude, Cortez, as Minas do Rei Salomão, a Rainha de Sabá, Odin, Thor, Valhalla e Valquírias, Machu Picchu, Índia, Indonésia, Nepal, Caribe, Klondike, Yukon, Alaska, África, Vênus, Júpiter, Saturno, Plutão... por aí vai.

Nós, crianças, devemos muito ao velho Carl.




quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Películas Políticas

Só pra registrar.

Com tantos filmes sobre: períodos de ditadura, comunismo, terrorismo, revolução e regimes militares - principalmente estes da nova safra do cinema alemão, quase todos muito bons - arriscaria dizer que isto poderia ser o sinal de um gênero em formação.

Qualquer dia algum maluco dono de locadora inova e tasca lá na prateleira "Político", provavelmente espremido entre os de "Guerra" e "Western".

Sei lá, mas quando Gunga Din ou As Pontes do Rio Kway foram exibidos, as pessoas como eu e você nem deveriam categorizá-los assim, tipo, é um filme de "Guerra", como se fala " é um romance", "é policial" ou "terror" . Provavelmente deveria ser visto apenas como mais um drama, só que bélico. Até porque o videocassete doméstico e o aluguel de filmes ainda levaria anos para ser inventado, para exigir tentativas mais claras de organização e classificação. Aliás, se o vídeocassete é o pai das locadoras, o drama é mãe de todos os gêneros.

Voltando aos alemões e seus canhões. Sem querer fazer esforço, vou me lembrar aqui de Edukators, Adeus Lenin, A vida dos Outros, A Onda, (O Falsário também é germânico?), o Grupo Baader Meinhof, etc, etc. Tudo recente. E, entre as produções americanas mais notórias e fresquinhas, aquela que oscarizou a Kate Winslet no ano passado (vá você ao Google, preguiçoso é você, eu sou é desmemoriado).

E pra encerrar essa falta do que fazer mas não do que falar, uma palavrinha do Ambrose Bierce:

Revolução, s.f. Em política, uma mudança abrupta na forma de desgoverno.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Para Meg

Quer se casar comigo?

Não comerei da alface a verde pétala

Mentira.

Pra esvaziar as lateralidades abdominais recém-adquiridas (e também, por que não, dar uma força pra Doutora), embarquei com ela numa dieta de tiro curto.

Proteína à la vontê. De carboidrato e frutas, nada. Vegetais, pode-se, praticamente sem restrições. Legumes, poucos. Doces, nem pensar.

Nessa situação, eu teria que avacalhar um poeminha do Vinicius que gosto muito:


Comerei, sim, da alface a verde pétala
E da cenoura evitarei as hóstias desbotadas
Provarei as pastagens que servem às manadas
E a quem maior aprouver fazer dieta.

Cajus hei de só olhar, mangas-espadas
Talvez calóricas demais para o cronista.
Pães e massas idem, estão fora da lista
Resignarei-me ao cromo das saladas.

Ora, não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; mas aquiesci
à tal dieta: me passem um bife ou dois

E um ovo, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem emagrecer em vão.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Dor de cotovelo

Natal e reveillon foram muito bons.

Só lastimo, no entanto, que sogra e sogro tenham passado dos limites.

Um perigo, essa terrível tentativa de desvirtuar, desnortear a retidão de um homem tão austero, tão moderado, tão regrado - um asceta, praticamente - nas insinuantes veredas do bem-bom, das cervejas e queijos e acepipes e pratos deliciosos todos os dias, todas as noites.

A crueldade chegava ao requinte de, após um almoço de enrubescer Babetes, com miliduas opções de carnes e quetais, e depois de frutas de várias espécies e sobremesas de diversos tipos e sabores, me perguntarem com espantosa tranquilidade:

- Aceita um pão com manteiga? E um ovinho frito?

Isso não se faz. Minha pança está deste tamanho.

* * *

A verdade mesmo é que se você estiver mal intencionado, tudo o que precisa fazer é contar a verdade.

Ninguém acredita.

No dia 26, ganhei de Natal uma luxação no cotovelo. A lesão se deu quando brincava com as meninas, Doc e o cunhado de disputar corrida num gramado da UFV. Descalço, escorreguei e meu cotovelo foi de encontro a uma árvore. Fui de maca pro hospital, onde reduziram. Doeu, porém não mais do que o orgulho ferido.

Pois aí é que está. Aqui no trabalho, relato o caso tal como aconteceu e ninguém, do boy aos chefes, me dá crédito, apenas olhares de escárnio e desdém: "Bebeste quantas?", "Tava jogando bola bêbado", "Machucou o cutuvelo foi na virada, né Rubão?".

Triste, triste.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Inté

Dizem que, no Brasil, ironia não se escreve, explica-se. Ainda assim, isso não apaga a constatação constrangedora de eu estar escrevendo muita porcaria. Além do suportável, certamente.

Falar nisso, suportamos 2009 e suas crises com denodo e paciência. Ponto pra todos.

E agora? Agora, um ano a mais, um ano a menos, lá vamos nós, privilegiados, marchar rumo aos banquetes.

Vou ali engordar para começar o Ano Novo culpado. Boas festas para você também.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Nada com nada

Natal, reveillon chegando. E resfriado, numa hora dessas? Pô, parei.

* * *

Agora, direto chega alguém e diz: - Te vi tal hora, tal lugar. Nem me surpreendo mais. Curioso é que, além deu não ver ninguém, em nenhuma das circunstâncias o fulano foi lá oferecer um aperto de mão, um abraço, buzinar, dar um grito.

Hmmmm, será sonseira minha ou essa turma me vê e se esconde? Ando tão cacete a ponto de ser evitado?

Num pode, num admito. Das duas, uma: ou eu de fato não enxergo essa gentalha ou é essa gentalha que não se enxerga.

* * *

Outro dia, tinha falado por telefone com um corretor, ele ia nos mostrar um imóvel. Como Meg e eu chegamos mais cedo, fomos dar a volta no quarteirão, reparar a vizinhança. Detalhe: a gente tava adiantado ao horário, fora do local combinado, andando à paisana pela calçada como qualquer cidadão.

Aí, na dobra da esquina, sujeito atravessa a rua em nossa direção e grita: - Rubens!

Parei, intrigado: - É você o corretor? (havia esquecido seu nome). O sujeito confirmou e comentei com ele que eu deveria ter mesmo cara de mim, porque era um mistério como ele havia detectado um Rubens em meio aos transeuntes de forma tão bem sucedida. Quase lhe dei parabéns.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ti-au


Laka, a Akita das minhas irmãs, se foi.

É o que me conta mãe, por telefone.

Entrou em coma e não pôde resistir mais.

Tadinha, descansou. A bichinha já vivia doente há anos, num estado de penúria que dava dó.

Mãe revela ainda que as manas, sensíveis que são, estão em prantos.

Compreendo o apego. Tive um vira-lata chamado Ludo. Era apaixonado pelo cachorro. Então ele ficou doente e eu adoeci junto. Durante dois dias, não fui à aula, não comi, não dormi, fiz nada. Só chorava. A situação era irremediável, porém ninguém foi forte o bastante para dizer a verdade a um menino de dez anos. Inventaram uma conversa fiada para me tapear e deram um jeito de tirar o bicho lá de casa, me apaziguando com o papo de que Ludo estava sendo tratado e se recuperando bem lá na roça.

Digo à mãe que foi melhor assim. Adultas, Ju e Nanda se recuperam. O sofrimento da Laka, que era de arrancar suspiro, acabou. E sorrio ao telefone: agora é só arranjar outro cachorro.

Exacerbada, ela própria sentida, rebate:

- Nada!, lá em casa nunca mais entra cachorro nenhum. Arrependimento!

- Foi você mesma quem comprou.

- Porque na época sua irmã tava em depressão. Mas foi a pior coisa que eu fiz.

Uma pena. Mãe não consegue compreender que se fosse um pouco além da contrição presente, veria os inúmeros momentos de alegria compartilhada – e, por que não, dor e preocupação também - que a presença da Laka proporcionou em todos esses anos. Que foi ela a responsável direta por oferecer às manas a companhia e o apoio emocional que só um cachorro pode e sabe dar. E, acima de tudo, veria que ter colocado um cão em nossa família – mesmo contra seus princípios domésticos! – não foi a pior; foi a melhor coisa que ela fez.

Viver é isso, mãe.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Ação e reação

Eram três riscos paralelos por toda a lateral; de nascente no bagageiro, serpenteando pelas portas, até a foz sobre o capô - como se o próprio Wolverine tivesse alguma coisa muito pessoal contra os Clios hatch pretos.

Cara, tem sujeito muito, muito espírito de porco.

* * *

Se você flagrasse alguém deliberadamente depredando seu veículo, o que imagina que faria?

Dependendo do tamanho do animal, daria um pau? Se fosse um moleque, uns bons tabefes?

A violência seria admissível? Pouco sensata, porém lícita? Nada que consertasse os danos provocados ao bem, mas, no calor dos acontecimentos, infligir um pouco de dor ao responsável daria uma sensação de reconforto?

Se, num caso desses, fosse possível antecipar que os punhos seriam as únicas armas empregadas, acho que os fins justificariam os meios e valeria correr o risco: bora partir pro bacubufo no caterefofo pra tirar a história a limpo.

Mas, como se sabe, não existe código de ética nas ruas.

C.Q.D.


PS. Caralho, foi o carro inteiro.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Restart

E como era domingo nove e meia da noite, e nos invadiu o espírito o estranho desejo de sofrer, fomos ao cinema ver 2012.

Até que sobrevivi bem àquela porqueira. Acho que, quando a expectativa é a pior possível, qualquer coisa que venha além tá valendo.

Nota: curioso constatar que o estacionamento vazio de um shopping à meia-noite é mais assustador do que as cenas de hecatombe no filme. Experimente pra ver.

* * *

Prestes a dormir, perguntei:

- Se você pudesse levar para o novo mundo pós-pocalips apenas alguns livros na sacola, o que levaria?

- A Bíblia.

- A Bíblia?

- Certamente. É o livro. Tem tudo lá, explica muita coisa importante.

- Hmm. Que mais?

- Dom Quixote, claro. Todo o Borges, todo o Rosa... enfim, tem que pensar. E você?

- Qualquer guia ou manual prático de agronomia.

Yes, Wii can

Compramos o Wii, dividido em oitocentas prestações.

Pra quem não sabe, é aquele console que leva o seu traseiro para fora do sofá (no bom sentido, no bom sentido).

Pra jogar, você acaba sendo convidado a imitar os movimentos dos tenistas, golf players, etc.

Admito a aquisição por impulso, mas penso que pode valer a pena.

Primeiro, Bibi, Laurinha e Meg se divertem brigan.., ops, brincando. Ponto para a harmonia familiar.

Segundo, as meninas se familiarizam com essas geringonças modernas. Ponto para inserção tecnosocial.

Terceiro, depois de alguns ajustes necessários, certamente vamos adquirir os equipamentos para o programa de ginástica/ioga, resolvendo de uma tacada só o desejo de Meguinha de fazer uma atividade física e a falta de saco/tempo/condições de ir a uma academia fora de casa.

De minha parte, direi que o Wii também anda me trazendo benefícios. Pelos meus cálculos, 1/12 do que consumo em cerveja vai embora jogando. Estou certo de que esse gasto calórico e minha performance ainda melhoram, é só beber um pouco menos.

No fim, com sua proposta inovadora de ser um videogame que combate o sedentarismo, penso que o Wii está subvertendo um pouco aquele aforismo dos computadores que diz que software é a parte que você xinga e hardware a parte que você chuta. Tudo se integra no console: a gente xinga e chuta ao mesmo tempo, inclusive, se bobear, uns aos outros.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Verdade

Pode ser que me engane (raríssimo), mas deve haver uma lei escrita em algum lugar da metafísica ou do universo: tudo o que é procrastinado volta intensificado para você.

Aconteceu nesta sexta: eu, que passei o ano inteiro adiando organizar correspondências, contas, recibos, comprovantes - só juntando papéis para formar pilhas e pilhas aqui, ali e acolá - agora tenho que descobrir, até segunda-feira, se paguei uma determinada mensalidade em maio, sob a ameaça de meu nominho entrar para o SPC.

Eu, por mim, paguei. Como provar, tu que é o mais bagunceiro dos seres, o mais displicente com as coisas pessoais e documentais, lambão, nas palavras complacentes e carinhosas de tu madre, ó Rubens?

De um jeito ou de outro, agora paga. Ocupe a tão esperada, desejada sexta à noite e, quem sabe, o fim de semana, sendo um arqueólogo de boletos, e desenterre a prova de que houve um dia, no sítio perdido de suas finanças e contas, um resquício, um mínimo de civilização.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Monstros

Sei não, mas esse cabra aí do meio tá com um olhar mais assustador que o do Bill Bixby e o Lou Ferrigno juntos.

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A tese de mestrado "A importância do Incrível Hulk e do Espetacular Homem-Aranha na formação do caráter de um guri de 8 anos" jamais sairá. Nem escritor nem leitor teriam paciência.

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Uma vez imaginei uma reunião tipo Alcóolicos Anônimos só com monstros famosos da cultura POP e literatura universal.

Sentados em semicírculo, Fantasma da Ópera, Quasímodo, Sloth dos Goonies, Fera (da Bela), Hulk e Frankenstein Jr. compartilham suas aflições, anseios e amores incompreendidos, debatem a supervalorização da estética nos dias de hoje, trocam receitas, etc.

Lobisomem e o Conde não vieram porque o encontro pode ter sido pela manhã.

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Nietzsche disse que os monstros não devem ser combatidos se tivermos medo de nos tornamos um.

Protesto. Vai ver é por isso mesmo que devemos combatê-los.