quinta-feira, 4 de março de 2010

Mineirice que irrita

Já reparou que o mineiro é um abusado da discrição?

Fato: 99,9% das homepages de pousada ou hotel na capital e interior de Minas Gerais NÃO TÊM o valor da diária. Pode vasculhar. Não mostram nem a porrete.

Isso varia de lugar pra lugar. Em Paraty, por exemplo, a maioria tem. É uma beleza. É funcionalidade. O fato de apresentar o tarifário facilita demais: eu e o hotel economizamos tempo, chateação e dinheiro.

Supõe-se que ocultar o custo dos olhos do interessado seja para... xô vê, para... para quê, mesmo? Para abrir possibilidade de negociação tetiatéti?

For isso, a lógica é canhestra. "Não vou mostrar o preço antes porque o potencial cliente pode achar caro, se assusta e não vem. Se ele vier, e se talvez for bom de choro, eu posso até me permitir dar um desconto pra ele se hospedar aqui".

Ora, mas se eu, cliente, achar o serviço caro ao vivo ou ao telefone ou ao e-mail, deixaria de ir de qualquer jeito.

Bastaria - é tão simples, é de uma singeleza tacanha - o bicho colocar uma tabela com os preços de alta e baixa temporada, pacotes, além de feriados e datas especiais. Pronto.

É ou não é uma chatice?

terça-feira, 2 de março de 2010

Museu do Futebol

Você chega tranqüilo e sem expectativa. Com a serenidade dos que já viram muitas partidas e uma bagagem de quase-almanaque. Mas, assim que coloca os pés no Museu do Futebol, se depara com uma exposição composta de vídeo e fotos que te rouba a bola e te desarma.

São flagrantes de adultos, jovens e crianças, homens e mulheres de trocentas nações em diferentes cenários e paisagens. De moleques nepaleses nus chutando bola em algum lugar do Himalaia a iraquianos disputando a pelota numa piscina vazia e inclinada em Bagdá. Em cima da Muralha dos antigos imperadores chineses ou sob a sombra de Quéops em Gizé. Nos campos de terra, nas areias do deserto, nos gramados de concreto e à beira do mar.

Todo o mundo jogando bola.

Aí, pronto: você se rendeu, agora é tarde demais. Seu coração já disparou rumo à infância e você lembra como era boa a sensação de brincar, do tesão que era entrar numa pelada (opa!) e saber que naquela época nada, absolutamente nada, era mais importante do que jogar bola.

Falar nisso, disse quem que, das coisas desimportantes, futebol é a mais importante de todas?

Ora, bolas; no fim, o que importa - o que sempre importou - é o Espírito, grafado assim, maiúsculo. Pois se é pelo Espírito que um emaranhado de meias, um novelo de lã, um côco, castanha, laranja, limão, um botão de roupa, embalagem de toddynho, caixa de sapato, caixinha de fósforos e tampinha de garrafa se transformam em uma bola de futebol, chego quase a acreditar que futebol é tudo.

Craque


No Museu do Futebol, toda a impostura do maior ponta-direita que o Brasil deixou de conhecer. Pena que a informação ali seja apócrifa: na hora, o computador registrou 79Km/hora. Nada de muito expressivo, verdade, mas exijo meus 49 km horários de volta.

Aí eu vou pra galera.

segunda-feira, 1 de março de 2010

SP

Encontrei Meg em São Paulo na última quinta-feira à noite, dentro do cinema, com a projeção já rolando. Depois nos achávamos próximos à Av. Paulista, na Rebouças com Oscar Freire; ponto ótimo, pertinho de várias atrações, meios de transporte, bares e restaurantes, entre os bacaninhas e mais bacanudos.


Foste para mim um difícil começo, SP. O hostel que escolhi me deu um tumé. Pedi um quarto com cama de casal e banheiro, recebi dois beliches em um quarto sem janelas e paredes descascadas.


E aí só dá Rubão, com sacola a tiracolo, batendo perna por Pinheiros e Jardins Paulista. Os aparts e flats na região estavam todos ocupados (havia alguma espécie de convenção de esportistas) e a outra opção era ficar em hotéis de quarta categoria, tipo rendez-vous, cama redonda, espelho no teto, o escambau.


Eu já não agüentava mais andar carregando peso e tomando chuva na cara. Ia desistir, pegar um táxi e me resignar a ficar longe da Paulista, onde já tinha traçado todos os mapas, rotas e meios de transporte para os lugares que desejávamos visitar.


A solução, ironia, foi ficar na outra unidade do hostel que me passara a perna. Detalhes do caso eu conto outro dia, mas acabamos ficando num quarto com banheiro privativo e quatro camas de solteiro. Juntamos duas e... voilá! Bora bater perna.


Em quase quatro dias, conhecemos e curtimos o máximo que conseguimos. Se apenas garoou na minha chegada, choveu em nossa despedida, atrapalhando, em parte, o passeio ao Parque Ibirapuera. Nesse ínterim, tempo nublado e até um solzinho pintou na manhã de sábado.


Se mais não fizemos foi porque a falência física e financeira não permitiram. No final, nossos corpos e finanças arrebentadas constituíam uma só massa falida. Mas foi muito, muito bom. E sem dúvida: com Meguinha, eu voltaria e repetiria tudo outra vez.


Achismos:

- Não dá para confiar em hostels. Como a gente privilegia mais a busca de experiências do que a experiência da hospedagem, daqui em diante será mais seguro buscar o hotel mais barato em vez do albergue com preço apetitoso e fotos/organização gato por lebre.

- Velhice: da próxima vez que viajar, saber com uma antecedência tal que me permita um treinamento intensivo de pelo menos duas semanas caminhando, correndo, fazendo polichinelos, etc. Minha cacunda e minhas pernas ficaram em frangalhos logo no primeiro dia.

- O paulista é avaro no cumprimento. Experimente saudar um paulista: uma carranca muda estará à sua frente. Na grande metrópole brasileira, “bom-dia” não faz eco.

- Eu provavelmente comi o melhor bife da minha vida. Me recuso a chamar aquele pedaço de carne de“filé”.

- Eu decididamente comi o melhor croissant da minha vida.

- Avatar no Imax do Shopping Bourbon: nada a declarar sobre o roteiro do filme, mas ver cinema 3D pela primeira vez na (acho) maior tela do país foi bem legal.

- Praça Benedito Calixto: feira de antiguidades, point dos descolados, com butecos, sebos e lojinhas alternativas ao redor. Compramos cerveja e bebemos livros.

- Museis (sic, como diz uma amiga da Dra.):

Pinacoteca: agradável surpresa na Praça da Luz.

Museu da Língua Portuguesa: por ser renomado, esperava um pouco mais. Há um show audiovisual chatésimo no 3º andar

MASP: por ser tão renomado, esperava muito mais. Apesar do propalado grande acervo que tem, me pareceu haver pouco espaço para exposição. Enfim, o mais legal que achei no MASP foi uma moedinha de 2 cents de Euro que encontrei no chão, logo na entrada (brincadeira, Doc, brincadeira).

Museu do Futebol: show de bola. Teve hora até que os zóio marejou.

MAM: não gostei, dei azar de pegar umas exposições beeeem marromenos e outras, francamente, bem sem-vergonhas.

MAC: perto do MAM, pareceu um alívio. Mas tinha pouco a mostrar.

Museu Afro: embora um pouco caótico em sua organização, o mais bem servido de materiais, peças e obras em exposição.

Museu do Ipiranga: Não deu pra ir. Fica pra próxima.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Arre

Cacete, só chuva e temporais na previsão para nossa estada em São Paulo.

Raios.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sampa

Eu, que sempre fui lá de passagem, agora vou pra curtir um final de semana esticado.

Já até cruzei Ipiranga com São João uma vez. Foi rápido; meu coração passou batido.

A idéia é peregrinar com a Dra. por museus: Masp, da Língua Portuguesa, Pinacoteca, os do Ibirapuera. À noite, Imax, pizza, Vila Madalena, Liberdade, Praça Benedito Calixto. Mas, na hora, tudo pode mudar. O improviso é a viagem.

E, na bagagem, guarda-chuva e um par de galochas.



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Segredo contagiante

Bonzinho esse sambinha da Tijuca, não?

É segredo, não conto a ninguém
Sou Tijuca, vou além
O seu olhar, vou iludir
A tentação é descobrir


Desvendar esse mistério
É caso sério,
Quem se arrisca a procurar
O desconhecido no tempo perdido
Aquele pergaminho milenar
São cinzas
Na poeira da memória
E brincam com a imaginação
Unidos da Tijuca, não é segredo eu amar você
Decifrar, isso eu não sei dizer
São coisas do meu coração

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

No carnaval, tudo pode


Inclusive ganhar um dinheirim.



/ / /

Pouso Alegre foi ótimo. Senti falta de sair um pouco mais da hospitaleira casa do primo doutor e conhecer melhor a cidade, mas ali realmente precisavam de um parceiro vencedor no buraco, um acendedor de churrasqueira experiente e um namorado caliente 24h.

Fica pra próxima.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ainda carnaval I

Lembro que, da última feita em que fui pra farra, presenciei meninas de 13, 14 anos de shorts minúsculos rebolando até o chão e repetindo refrões como "Lick my pussy and my back", e fiquei em dúvida se elas realmente compreendiam o que estavam cantando.


Ainda carnaval II:

Ontem, no serviço, um gaiato propôs:

- Amanhã, todo mundo trabalha de fantasia!

A outra, com mais gaiatice:

- A minha será a de Mulher Invisível!

Touché.

Carnavalesco

Hoje em dia, antigamente é ontem.

Nesse mundo veloz, prisca era foi quando tínhamos dezessete anos - lembra? foi outro dia - com todos os hormônios aflitos para viajar na quinta e ainda garantir a folia da sexta.

Como diria o samba, uma doce ilusão.

Em contraponto aos anos de juventude, meus carnavais mais recentes foram de uma pacatez... Nenhuma reclamação - pelo contrário. A última vez que fui farrear, solteiro, foi uma porcaria.

Havia um contraste dinossáurico, ao menos pra mim, entre minha geração e a turminha xóvem em múltiplos níveis. Música, comportamento, noção de diversão, pique, etc. Se os mais novos que eu - e os mais velhos também - já estavam noutra, eu, errando naquela balbúrdia, me senti meio como o elo perdido. Não assimilava as atitudes dos homo sapiens nem compreendia o que balbuciavam os neandertais.

Prefiro hoje como está. Sou animado, gosto de pular o carnaval ("pular carnaval", que expressão de antanho, meu Deus!; "Antanho"? oh não, fiz de novo), mas sítios, retiros e recolhimentos similares me agradam tanto quanto, sobretudo ao lado de quem se gosta.

Tá bom. Antes que alguém do passado olhe hoje pra mim e diga "Quem te viu, hein?", até minha sogrinha, que me conhece relativamente há pouco, questionou outro dia meu título de "boêmio".

Enquanto este blog não muda para Camisolões no divã, vou ter que aguentar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Móveis de Alice


Moçada, dê uma sacada. É duca, hipercool.

Para mamãe, para papai

Que, se tudo der certo, debutarão na avolescência quando meu sobrinho JP chegar. Copiei do blog do Juca que, por sua vez, copiou da Folha de S. Paulo.


DRAUZIO VARELLA

Bem-vinda

MINHA NETA acabou de nascer.

Não é a primeira, tive outra há cinco anos; uma menina de bons modos e olhar atento que encanta a família inteira.

Curiosa a experiência de ser avô, perceber que a espiral da vida dá uma volta completa; a primeira que independe de nossa participação.

Sim, porque até o nascimento de um neto os acontecimentos biológicos de alguma forma dependeram de ações praticadas por nós: nossos filhos só existem porque os concebemos, os fatos que constituíram a história de nossas vidas apenas ocorreram porque estávamos por perto; mesmo nossos pais só se transformaram em figuras carregadas de significado porque nos deram à luz.

Os netos, em oposição, vêm ao mundo como consequência de decisões alheias, nasceriam igualmente se já nos tivéssemos ido.

A ideia de nos tornarmos seres biologicamente descartáveis é incômoda, porque nos confronta com a transitoriedade da existência humana: viemos do nada e ao pó retornaremos, como rezam os ensinamentos antigos.

Por outro lado, liberta do compromisso de transmitirmos às gerações futuras os genes que herdamos das que nos precederam, força da natureza que reduz a essência da vida na Terra (e em qualquer planeta no qual ela porventura exista ou venha a existir) ao eterno crescei, competi e multiplicai-vos, como ensinaram Alfred Wallace e Charles Darwin.

A sensação de que nos livramos dessa incumbência biológica, entretanto, não nos torna imunes ao ensejo de proteger os filhos de nossos filhos como se fossem extensões de nós mesmos.

Somos impelidos a fazê-lo não por senso de responsabilidade familiar ou por normas de procedimento ditadas por imposições sociais, mas por ímpetos instintivos irresistíveis.

Os biólogos evolucionistas afirmam que a seleção natural privilegiou nas crianças uma estratégia de sobrevivência imbatível: a beleza.

Fossem feias e repugnantes, não aguentaríamos o trabalho que nos dão, porque cavalos e bezerros ensaiam os primeiros passos ao ser expulsos do útero materno, enquanto filhotes de primatas como nós são dependentes de cuidados intensivos por anos a fio.

Dizem eles, também, que o amor dos avós conferiu maior chance de sobrevivência aos bebês que tiveram a sorte de contar com ele, razão pela qual esse sentimento teria persistido em nossa espécie. Pelo mesmo motivo, explicam as vantagens evolutivas conferidas pela menopausa, fase em que a mulher já infértil reúne experiência e disponibilidade para ajudar os filhos a cuidar da prole.

Sejam quais forem as raízes biológicas, o fato é que caímos de quatro diante dos netos.

Por mais voluntariosos, mal-educados, egoístas, temperamentais e pouco criativos que os outros os julguem, para nós serão lindos, espertos, de boa índole e, sobretudo, inteligentes como nenhuma outra criança.

Anos atrás, surpreendi um amigo ao telefone perguntando para o neto como fazia o boizinho do sítio em que o menino de dois anos se encontrava.

A cada "buuuu" que ouvia, meu amigo ria de perder o fôlego.

Diante do riso exagerado, perguntei como reagiria quando a criança relinchasse.

Você verá quando for avô, respondeu.

Tinha razão.

Os netos surgem em nossas vidas quando estamos mais maduros, menos preocupados em nos afirmar, mais seletivos afetivamente, desinteressados de pessoas que não demonstram interesse por nós, libertos da ditadura que o sexo nos impõe na adolescência e cientes de que não dispomos mais de uma vida inteira para corrigir erros cometidos, ilusão causadora de tantos desencontros no passado.

A aceitação de que não temos diante de nós todo o tempo do mundo cria o desejo de nos concentrarmos no essencial, em busca do máximo de felicidade que pudermos obter no futuro imediato. A inquietude da inexperiência e os desmandos causados por ela dão lugar à busca da serenidade.

Fase inigualável da vida, quando abandonamos compromissos sociais para brincar feito crianças com os netos, sem nos acharmos ridículos.

Ajoelhar para que montem em nossas costas, virar monstros, onças ou dinossauros em obediência ao que lhes dita a imaginação aventureira, preparar-lhes o jantar que não comerão, assistir aos desenhos animados da TV, ler histórias na cama quando estão entregues, beijar-lhes o rosto macio, sentir-lhes o cheiro do cabelo e a respiração profunda ao cair no sono.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Terçafeiramente

Anteontem teve uma marchinha de carnaval - "Bom-dia" - que ganhou o concurso do Fantástico. O refrão era assim:
"Se o Conde D´Eu
O rei de Bagdá
Os negros do Sudão
Por que não posso dar?"

Ontem tive um devaneio. Sonhei que casei e fui para a França, entre outros destinos europeus.

Hoje tive um desatino. Preparei um x-tudo e já saiu da chapa a primeira estrofe:

"O sol raiou
No Vale do Loire
Lua-de-mé na França
Beber até soir"

Menos, Rubens. Menos.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tarde demais

Ao fim de cada torneio, prometo que vou deixar pra lá, reduzir o interesse, coisital.

Mas a Copa do Mundo se aproxima a cada 15 minutos e agora é tarde: já virei novamente um aficionado.

* * *

Navegando pelo perfil das seleções no portal da Globoesporte. No da anfitriã, berrava a seguinte manchete:

"Saiu Joel, entrou Parreira. Mas problema continua: falta de gol"

Ou seja: na falta de gols, os cartolas sul-africanos resolveram chamar um especialista.


"O gol é apenas um detalhe"


É, como diria o Ancelmo Gois. Faz sentido.

Rivais


Em uma cena de Caos Calmo, dois executivos - um italiano e um francês - almoçam em uma praça de Roma. O francês elogia a comida, mas o dono do restaurante - que estava mais para uma pequena lanchonete, no máximo uma cantina modesta - recebe do seu compatriota uma admoestação (naquele comedimento, aquela fleuma tão própria dos italianos): o brócolis não precisava de queijo. Havia ingredientes demais no prato.

O dono do restaurante nem parece lhe dar bola. Num rompante, dispara sobre o francês:
- Já experimentou algo tão saboroso assim em Paris? Anh? Anh?

Mais à noite, degustando o (bem-escrito) primeiro volume de História da Vida Privada - do Império Romano ao ano 1000 -, organizado por historiadores franceses, mais de um momento tive a impressão de identificar uma ou outra maldadezinha, como "...os romanos, povo versado em trapaças...", ainda que, no contexto em que aparecem, façam sentido e sigam em coerência com o ensaio.

Cinema, gastronomia, pintura, literatura, música, escultura, futebol... França e Itália têm uma riqueza cultural tão grande que acho impossível, até pela proximidade, que não haja uma rivalidade natural. O maior rival do irmão é o próprio irmão.

Aliás, pesquisando sobre a palavra rival, parece-me que vem do latim riva (riacho, rio, beira). E conta-se que o significado do termo se origina de duas vilas, nas cercanias de Roma, que comungavam o mesmo riacho, mas em margens opostas.

Pensa. Se hoje o vizinho do apê de cima já é o inferno, imagina o que deveria ter sido você lá, numa das vilas rivais daqueles tempos primevos.

Prefiro a Argentina.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Toca Jorge

"De fogo" caiu em desuso, mas costuma precisamente ser este o estado em que as pessoas se sentem mais à vontade para pedir uma música ao cantor de um bar à beira da praia.

Sempre intrépido nestes quesitos, tratei logo de fazer minha parte. Depois de ter tomado umas, tomei a dianteira e, para pentelhar a Meg, fui segredar ao ouvido do músico uma canção do Roberto Carlos.

Fui seguido de Meg, que pediu uma do Lulu Santos. E nisso foi a noite; nós cantamos selvagemente, levantamos da mesa para dançar - mais uma vez os únicos a fazerem isso. O mico de sempre.

Eu reparava que o Dani e a Bala - o casal que nos acompanhava-, por timidez ou alguma outra razão, nunca pedia uma música. Cantavam com a gente, numa boa, mas pedir música, nada.

E isso foi um dia, também outro, da tarde à noite, a coisa indo sempre nessa toada.

Um dia, fui embora mais cedo. Meg durou um tempinho a mais com as meninas, mas logo também deixou o boteco. Restaram à mesa Bala e Dani.

Não sei se foi pelo fato de estarem ali sozinhos ou se a cervejada já se fazia sentir efeito, mas parece então que o Dani, até então com o olhar parado de bêbado, de súbito se empertigou na cadeira. Havia tomado uma decisão. Levantou o braço e bradou para o cantor:

- Toca JORGE AMADO!

A Bala disse que Jorge Amado é escritor, mas o Dani não quis nem saber. Ficou ofendido porque o cara não quis tocar Jorge Amado, até porque as pessoas ouvem demais as músicas dele, é brega mas é bom, todo mundo conhece a música de Jorge Amado.

Foram divergindo até chegar em casa, quando ele pergunta para Meg quem é Jorge Amado e ela diz "escritor baiano" e Shazam!, toda a lucidez da memória retorna à mente em um segundo.

Desconfio que daqui pra frente ele vai continuar é apenas cantando na mesa com a gente, tamborilando os dedos e olhe lá.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Foi horrível

Sol, brisa e cerveja gelada o tempo todo.

Peroazinhos, douradinhos, churrasquinhos e um marzão.

A presença da muié amada, crianças e gente querida.

Isso eu não desejo para o pior inimigo. Nem!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Então fica assim

Vocês aí trabalhando.

Tomando esse solão.

Eu vou ali pescar um marlin.

E voltar da praia negão.

(Aluguei por temporada, glup!; espero não ter levado golpe)

* * *

Registro seinfeldiano de última hora: já pensou você que coisa é a sunga? Talvez seja a única peça de vestuário que você, homem que tem bilau, tenha secretamente um pequena hesitação (receio? asco? repulsa?) em experimentar, porque provavelmente aquela peça na gôndola que você escolheu deve ter freqüentado há pouco o saco de outro sujeito. Já imaginou? Você pegauma sunga, leva-a ao provador e, na hora de vestir, descobre agarrado lá um pentelho alheio que a vendedora não viu ou ficou com nojo de tirar. Bom, quem nasce em Teófilo Otoni certamente passa por cima dessas frescuras todas, e não só entende plausivelmente a reticência como a encara com boa dose de indulgência. Afinal - ora, bolas! -, nós, amigos, a gente não ficaria usando a cueca uns dos outros numa boa. Ficaria?

Deve ser por isso, entre outros motivos, que tantos preferem a segurança desajeitada de uma bermuda aos possíveis constrangimentos da sunga.

Seja como for, eu já comprei uma pra chamar de minha.