quinta-feira, 4 de março de 2010
Mineirice que irrita
terça-feira, 2 de março de 2010
Museu do Futebol
Você chega tranqüilo e sem expectativa. Com a serenidade dos que já viram muitas partidas e uma bagagem de quase-almanaque. Mas, assim que coloca os pés no Museu do Futebol, se depara com uma exposição composta de vídeo e fotos que te rouba a bola e te desarma.
São flagrantes de adultos, jovens e crianças, homens e mulheres de trocentas nações em diferentes cenários e paisagens. De moleques nepaleses nus chutando bola em algum lugar do Himalaia a iraquianos disputando a pelota numa piscina vazia e inclinada
Todo o mundo jogando bola.
Aí, pronto: você se rendeu, agora é tarde demais. Seu coração já disparou rumo à infância e você lembra como era boa a sensação de brincar, do tesão que era entrar numa pelada (opa!) e saber que naquela época nada, absolutamente nada, era mais importante do que jogar bola.
Falar nisso, disse quem que, das coisas desimportantes, futebol é a mais importante de todas?
Ora, bolas; no fim, o que importa - o que sempre importou - é o Espírito, grafado assim, maiúsculo. Pois se é pelo Espírito que um emaranhado de meias, um novelo de lã, um côco, castanha, laranja, limão, um botão de roupa, embalagem de toddynho, caixa de sapato, caixinha de fósforos e tampinha de garrafa se transformam em uma bola de futebol, chego quase a acreditar que futebol é tudo.
Craque
segunda-feira, 1 de março de 2010
SP
Encontrei Meg
E aí só dá Rubão, com sacola a tiracolo, batendo perna por Pinheiros e Jardins Paulista. Os aparts e flats na região estavam todos ocupados (havia alguma espécie de convenção de esportistas) e a outra opção era ficar em hotéis de quarta categoria, tipo rendez-vous, cama redonda, espelho no teto, o escambau.
Eu já não agüentava mais andar carregando peso e tomando chuva na cara. Ia desistir, pegar um táxi e me resignar a ficar longe da Paulista, onde já tinha traçado todos os mapas, rotas e meios de transporte para os lugares que desejávamos visitar.
A solução, ironia, foi ficar na outra unidade do hostel que me passara a perna. Detalhes do caso eu conto outro dia, mas acabamos ficando num quarto com banheiro privativo e quatro camas de solteiro. Juntamos duas e... voilá! Bora bater perna.
Em quase quatro dias, conhecemos e curtimos o máximo que conseguimos. Se apenas garoou na minha chegada, choveu em nossa despedida, atrapalhando, em parte, o passeio ao Parque Ibirapuera. Nesse ínterim, tempo nublado e até um solzinho pintou na manhã de sábado.
Se mais não fizemos foi porque a falência física e financeira não permitiram. No final, nossos corpos e finanças arrebentadas constituíam uma só massa falida. Mas foi muito, muito bom. E sem dúvida: com Meguinha, eu voltaria e repetiria tudo outra vez.
Achismos:
- Não dá para confiar
- Velhice: da próxima vez que viajar, saber com uma antecedência tal que me permita um treinamento intensivo de pelo menos duas semanas caminhando, correndo, fazendo polichinelos, etc. Minha cacunda e minhas pernas ficaram em frangalhos logo no primeiro dia.
- O paulista é avaro no cumprimento. Experimente saudar um paulista: uma carranca muda estará à sua frente. Na grande metrópole brasileira, “bom-dia” não faz eco.
- Eu provavelmente comi o melhor bife da minha vida. Me recuso a chamar aquele pedaço de carne de“filé”.
- Eu decididamente comi o melhor croissant da minha vida.
- Avatar no Imax do Shopping Bourbon: nada a declarar sobre o roteiro do filme, mas ver cinema 3D pela primeira vez na (acho) maior tela do país foi bem legal.
- Praça Benedito Calixto: feira de antiguidades, point dos descolados, com butecos, sebos e lojinhas alternativas ao redor. Compramos cerveja e bebemos livros.
- Museis (sic, como diz uma amiga da Dra.):
Pinacoteca: agradável surpresa na Praça da Luz.
Museu da Língua Portuguesa: por ser renomado, esperava um pouco mais. Há um show audiovisual chatésimo no 3º andar
MASP: por ser tão renomado, esperava muito mais. Apesar do propalado grande acervo que tem, me pareceu haver pouco espaço para exposição. Enfim, o mais legal que achei no MASP foi uma moedinha de 2 cents de Euro que encontrei no chão, logo na entrada (brincadeira, Doc, brincadeira).
Museu do Futebol: show de bola. Teve hora até que os zóio marejou.
MAM: não gostei, dei azar de pegar umas exposições beeeem marromenos e outras, francamente, bem sem-vergonhas.
MAC: perto do MAM, pareceu um alívio. Mas tinha pouco a mostrar.
Museu Afro: embora um pouco caótico em sua organização, o mais bem servido de materiais, peças e obras em exposição.
Museu do Ipiranga: Não deu pra ir. Fica pra próxima.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Sampa
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Segredo contagiante
O seu olhar, vou iludir
A tentação é descobrir
É caso sério,
O desconhecido no tempo perdido
Aquele pergaminho milenar
São cinzas
E brincam com a imaginação
Unidos da Tijuca, não é segredo eu amar você
Decifrar, isso eu não sei dizer
São coisas do meu coração
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
No carnaval, tudo pode

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Ainda carnaval I
Carnavalesco
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Para mamãe, para papai
DRAUZIO VARELLA
Bem-vinda
MINHA NETA acabou de nascer.
Não é a primeira, tive outra há cinco anos; uma menina de bons modos e olhar atento que encanta a família inteira.
Curiosa a experiência de ser avô, perceber que a espiral da vida dá uma volta completa; a primeira que independe de nossa participação.
Sim, porque até o nascimento de um neto os acontecimentos biológicos de alguma forma dependeram de ações praticadas por nós: nossos filhos só existem porque os concebemos, os fatos que constituíram a história de nossas vidas apenas ocorreram porque estávamos por perto; mesmo nossos pais só se transformaram em figuras carregadas de significado porque nos deram à luz.
Os netos, em oposição, vêm ao mundo como consequência de decisões alheias, nasceriam igualmente se já nos tivéssemos ido.
A ideia de nos tornarmos seres biologicamente descartáveis é incômoda, porque nos confronta com a transitoriedade da existência humana: viemos do nada e ao pó retornaremos, como rezam os ensinamentos antigos.
Por outro lado, liberta do compromisso de transmitirmos às gerações futuras os genes que herdamos das que nos precederam, força da natureza que reduz a essência da vida na Terra (e em qualquer planeta no qual ela porventura exista ou venha a existir) ao eterno crescei, competi e multiplicai-vos, como ensinaram Alfred Wallace e Charles Darwin.
A sensação de que nos livramos dessa incumbência biológica, entretanto, não nos torna imunes ao ensejo de proteger os filhos de nossos filhos como se fossem extensões de nós mesmos.
Somos impelidos a fazê-lo não por senso de responsabilidade familiar ou por normas de procedimento ditadas por imposições sociais, mas por ímpetos instintivos irresistíveis.
Os biólogos evolucionistas afirmam que a seleção natural privilegiou nas crianças uma estratégia de sobrevivência imbatível: a beleza.
Fossem feias e repugnantes, não aguentaríamos o trabalho que nos dão, porque cavalos e bezerros ensaiam os primeiros passos ao ser expulsos do útero materno, enquanto filhotes de primatas como nós são dependentes de cuidados intensivos por anos a fio.
Dizem eles, também, que o amor dos avós conferiu maior chance de sobrevivência aos bebês que tiveram a sorte de contar com ele, razão pela qual esse sentimento teria persistido em nossa espécie. Pelo mesmo motivo, explicam as vantagens evolutivas conferidas pela menopausa, fase em que a mulher já infértil reúne experiência e disponibilidade para ajudar os filhos a cuidar da prole.
Sejam quais forem as raízes biológicas, o fato é que caímos de quatro diante dos netos.
Por mais voluntariosos, mal-educados, egoístas, temperamentais e pouco criativos que os outros os julguem, para nós serão lindos, espertos, de boa índole e, sobretudo, inteligentes como nenhuma outra criança.
Anos atrás, surpreendi um amigo ao telefone perguntando para o neto como fazia o boizinho do sítio em que o menino de dois anos se encontrava.
A cada "buuuu" que ouvia, meu amigo ria de perder o fôlego.
Diante do riso exagerado, perguntei como reagiria quando a criança relinchasse.
Você verá quando for avô, respondeu.
Tinha razão.
Os netos surgem em nossas vidas quando estamos mais maduros, menos preocupados em nos afirmar, mais seletivos afetivamente, desinteressados de pessoas que não demonstram interesse por nós, libertos da ditadura que o sexo nos impõe na adolescência e cientes de que não dispomos mais de uma vida inteira para corrigir erros cometidos, ilusão causadora de tantos desencontros no passado.
A aceitação de que não temos diante de nós todo o tempo do mundo cria o desejo de nos concentrarmos no essencial, em busca do máximo de felicidade que pudermos obter no futuro imediato. A inquietude da inexperiência e os desmandos causados por ela dão lugar à busca da serenidade.
Fase inigualável da vida, quando abandonamos compromissos sociais para brincar feito crianças com os netos, sem nos acharmos ridículos.
Ajoelhar para que montem em nossas costas, virar monstros, onças ou dinossauros em obediência ao que lhes dita a imaginação aventureira, preparar-lhes o jantar que não comerão, assistir aos desenhos animados da TV, ler histórias na cama quando estão entregues, beijar-lhes o rosto macio, sentir-lhes o cheiro do cabelo e a respiração profunda ao cair no sono.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Terçafeiramente
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Tarde demais

Rivais

Em uma cena de Caos Calmo, dois executivos - um italiano e um francês - almoçam em uma praça de Roma. O francês elogia a comida, mas o dono do restaurante - que estava mais para uma pequena lanchonete, no máximo uma cantina modesta - recebe do seu compatriota uma admoestação (naquele comedimento, aquela fleuma tão própria dos italianos): o brócolis não precisava de queijo. Havia ingredientes demais no prato.

