quarta-feira, 17 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
Devaneartes
Se vários aspectos da vida fossem uma galeria de arte, gostaria que a minha fosse mais ou menos assim:
Não é que meu apê seja uma zona – e sim uma reprodução de Escher.
Não é que meu 3x4 não seja belo – é só um retrato cubista de Picasso.
Não é minha alimentação desregrada – ela é apetecível como uma natureza morta de Cézzane.
Não é minha mente que seja caótica – e sim organizada como um painel de Pollock.
Não é que às vezes seja sonolento – os despertadores de Dalí é que são mudos.
Não é que esteja surdo à razão – ao contrário, faço coro com Munch.
Não é que às vezes me sinta sozinho – faço figuração num cenário de Hopper.
Não é que faça pouco desta barriga de cerveja – mas a vida fica mais leve se a vejo com os olhos do xará.
Não é que seja oriundo do Vale do Mucuri – escapei de um quadro de Portinari.
"A Arte não é a verdade. A Arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade".
Pablo Picasso
Futebol
Olhaí, quando digo a Meguinha que, se a gente tiver um moleque, e se ele for bom de bola, teremos, sim, que investir no menino - não é à toa.
"- Acordei cedo para ver. Achei ótimo. Uma ótima vitória."
Vejamos: Ronaldo Fenômeno.
Consagrado, campeão de tudo quanto há, maior artilheiro das Copas e Burro na Sombra profissional.
Sobre o último jogo da Seleção Brasileira, na Copa das Confederações, disse o craque:
"- Acordei cedo para ver. Achei ótimo. Uma ótima vitória."
Cedo? Cedo?
Meu Deus, o jogo foi às onze horas!
Hoje, qualquer perna-de-pau ganha uma pequena fábula. Imagine então a vida dura dos que são competentes na profissão.
Por isso, investir na carreira de jogador de futebol do moleque pode ser uma boa.
Afinal, eu já preciso pensar em garantir a minha aposentadoria.
/ / /
Espero que o apetite que o Galo vem demonstrando se mantenha ao longo de todo o certame.
Estranho, jogando assim, voluntarioso, determinado, nem parece o mesmo Atlético.
O Galo é um time com fome.
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Doc, felicidades.
Bola pra frente. Sempre.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Remendo
Talvez o post anterior não tenha ficado claro. Publicidade se apropria da arte e de suas manifestações, mas publicitários não são, por conceito, artistas. Embora haja um sem-número de prima-donas nos departamentos de criação em todo o mundo.
O profissional de publicidade e propaganda, ou comunicação, pode atender a um objetivo específico, mas, via de regra, 99, 9% das vezes seu trabalho envolve vender. Um produto, um serviço, uma idéia. Whatever. Ou seja: ainda que peças e trabalhos viajandões na maionese tragam prêmios e reconhecimento da categoria, não necessariamente (ou apenas eventualmente) significam resultados para os clientes. Que é o objetivo do nosso negócio.
Já trabalhei com diretores de arte e redatores que se consideravam verdadeiros gênios, ou sempre incompreendidos ou ainda não descobertos. Tudo o que faziam era, pelo menos, supremo. Não raro, a inserção maior da logomarca dos clientes, a inclusão do serviço ou do produto no anúncio/VT costumavam atrapalhar a genuína obra-prima de suas idéias.
Na história do grande pintor, o que me chamou atenção foi a alegoria. Ok: o gigantesco ego de Pablito ainda estava em desenvolvimento. Mas, se Picasso - que era Picasso - não se fez de rogado com sua própria arte para resolver uma necessidade básica - que é esquentar as frieiras dos pés numa noite fria -, pode neguinho confundir o leiaute que ele criou como obra de arte?
O pior é que pode. É comum acontecer com os novatos, com os que nunca vão tomar jeito e com os realmente talentosos que não deveriam estar trabalhando infelizes dentro de uma agência.
Enfim: editoras, museus, galerias e exposições são para os artistas.
E publicidade não é para frescos.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Síntese
"No início da carreira, quando ainda dividia um pequeno quarto com o poeta e jornalista Max Jacob em Paris, Pablo Picasso passou por muitas privações. Durante um inverno mais rigoroso, para escapar do frio, foi obrigado a queimar alguns de seus desenhos para manter o cubículo aquecido."
Isso é tudo o que eu gostaria de dizer sobre como penso a minha profissão.
Orgulho boêmio
Pô, tem o Dia do Orgulho Nerd. O Dia do Orgulho Gay. O Dia do Orgulho Ateu. Sei lá que mais.
E nós, da boemia? Que temos?
Somos uma minoria. Cada vez mais acuada, cercada, reprimida.
Não temos privilégios.
As autoridades nos restringem. As pessoas de bem nos acusam. As famílias apenas nos toleram.
Cambada, proponho a todos a Noite do Orgulho Boêmio.
De preferência, numa segunda-feira.
Podem marcar o boteco.
No embalo
Aproveitando o embalo do dia de hoje e do dia dos namorados que vem por aí, que tal um fado com tempero brasileiro?
Maravilhas portuguesas

Bem. Hoje é 10 de Junho. E, segundo descobri: Dia de Camões, de Portugal e das comunidades portuguesas.
Também, hoje, serão anunciadas as 7 Maravilhas de origem portuguesa no mundo. A quem interessar possa: http://www.7maravilhas.sapo.pt.
Se não entrar a Doutora - minha querida alfacinha - já adianto que é marmelada.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Heróis x Vilões POP
Da série “Ninguém me perguntou”:
Minha seleção de heróis e vilões POP. Quem eu esqueci vai pro banco.
HERÓIS
- Tio Patinhas e Donald, de Carl Barks
- Homem-Aranha, de Roger Stern e J. Romita Jr.
- Hulk, de Peter David
- Monstro do Pântano, de Alan Moore
- Eleanor Arroway, de Contato
- Amelie Poulain
- Indiana Jones
- Andy Dufresne, de Um Sonho de liberdade
- Clint Eastwood, pela trilogia de "Punhado de dólares"
- Ninguém, de Meu nome é ninguém
- Benjamin Braddock, de A primeira noite de um homem
VILÕES
- Darth Vader, arroz de festa em qualquer lista do gênero
- Paolo Rossi, por 82
- Coringa, pelo conjunto da obra
- Kevin Spacey, em Seven
- Kevin Spacey como Verbal Flint, em Os Suspeitos
- Rutger Hauer, em Blade Runner
- Rutger Hauer, em A morte pede carona
- Jack Nicholson, em Melhor, impossível
- Adrian Veidt, de Watchmen (a graphic novel)
- O Comediante, idem
- Visconde de Valmont, de Ligações Perigosas, que é tão safado que poderia jogar nos dois times
PS Tenho uma queda por certos vilões. É a atração do lado negro da força.
Juventude, do J.M.Coetzee
Rola uma identificação com o estilo do Coetzee. Gosto de suas indagações. Gosto de acreditar (ou de me iludir; quando não, é a mesma coisa) que também seja mais conveniente, fácil ou natural escrever fazendo perguntas do que dando respostas. Gosto de pensar que questões honestas têm lá o seu quilate.
Mezzo autobiográfico, mezzo calabresa, o livro conta a história do jovem inseguro, em busca de reconhecimento literário; o medo, dúvidas, frustrações e amadurecimento ao longo de uma fase cinzenta da vida.
Nascido em 1940, hoje o tal Coetzee é Nobel de literatura e ganhador de outras láureas de valor.
Talvez a disponibilidade do sucesso dependa também de uma predisposição para o fracasso.
Para os bem-sucedidos do mundo, isso é uma sólida verdade; para os fracassados, um alento indulgente; para mim, mais um sofisma.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Dropi-xotes
Cismei de comer pato. O Patorrouco, do Comida de Buteco, tava fechado. Doc e eu visitamos vários bares do festival, tudo fechado. Domingo.
Até que paramos no Doca. Sapecamos o prato deste ano, costelinha ao molho de goiaba e empadas de angu recheadas de requeijão. Foi de lamber o osso.
E deu gula por mais.
* * *
Friozim - né, moçada - enseja ficar em casa debaixo das cobertas, repetir o prato, postergar banho, etc. Inclusive, dar uma colher de chá para as locadoras.
Do que vi nos últimos dias, só vale menção o Menino do Pijama Listrado. E o Réquiem para um Sonho, que tri-vi com a Doutora. É um filme valioso, mas também um pesadelo. Evito assisti-lo, é deprimente.
* * *
Outro dia, uma dona norte-americana, que era gordinha mas estava mui, mui longe de ser um caso clínico, tipo aberração, tirou todas as pelancas num desses reality shows de mudança de visual e então, rindo, declarou: - "Vejo inúmeras possibilidades. Minha vida vai mudar."
Sei que é um reflexo desses nossos tempos e costumes. Mas acho que falta à TV brasileira e, quiçá, mundial, um tipo de reality show diferente.
Em vez de programas que prometem rejuvenescer/repaginar a pessoa em tempo recorde - os tais extreme make over, com sessões de beleza, ginástica, maquiagem, operações plásticas, preenchimento de seios e lábios, operações de redução de estômago, clareamento dental, bronzeamento artificial, banho de loja e personal stylist - que tal uma plataforma pra deixar o bicho 1 ano mais culto em apenas 1 mês?
Hein? Hein? Um reality show onde o sujeito entra Zé das Couve e sai, sei lá, entendendo fotossíntese? Um treinamento intensivo e diário, conforme a necessidade do felizardo, de alfabetização, leituras referenciais para cultura geral, curso básico de idiomas, estudo de clássicos selecionados? Que tal trocar a seringa de botox por uma injeção de conhecimento? Ao final, eu gostaria de imaginar o Zé das Couves sendo entrevistado, boquiaberto de espanto: "- Minha vida vai mudar. Vejo inúmeras possibilidades."
Olhaí, Boninho. Aproveita que inda não patentei.
* * *
Meg é massa.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Niemeyer

Caiu em meu colo, por obra de grato acaso, entrevista com o Oscar Niemeyer, da revista Audi Magazine.
Deu uma certa satisfação em ver o velhinho, aos 101 anos, em plena lucidez, em lúcida coerência. Tanto que não resisti a reproduzir alguns excertos.
O tom, a mensagem geral que predomina por toda a entrevista é a insistência do arqui-arquiteto com a educação do jovem. Que só arquitetura não basta; ela não é suficiente para transformar socialmente o mundo em que vivemos.
"O jovem precisa saber que a vida é injusta, que é preciso lutar. A gente quer um homem mais fraternal."
"A arquitetura é o pretexto, mas o objetivo é levar ao jovem eterno, aos jovens de um modo geral, uma idéia de que é preciso refletir sobre o seu país."
"Os jovens têm que ler, e no Brasil leem pouco."
"Então o sujeito entra para a escola superior, ele quer ser um vencedor, só pensa na profissão. Sobre a vida, propriamente, que é mais importante que a arquitetura, ele não toma conhecimento. E sai para a vida como o especialista, despreparado para o mundo perverso que o espera."
"Por exemplo, aqui no escritório há cinco anos vem um sujeito falar sobre filosofia. Agora estamos conversando sobre o cosmos. Então, a gente sai da aula, às vezes, pequenino."
"- A gente não quer muito. A gente quer que o sujeito olhe os outros com..
- Como iguais?
- Com interesse."
"Eu sou contra a Bauhaus. Era uma burrice danada, era uma merda."
"O importante é o jovem ler - ler qualquer coisa. O sujeito acaba encontrando um caminho que ele queira."
"Brasília não tem uma praça que dê uma ideia da importância do país (...) Uma praça que você passa e não esquece mais. É uma burrice danada tombar uma cidade. (...) Se eles esttão tão interessados na ideia de que Brasília deve ser tombada, que se fodam."
"Eu prefiro fazer museu a uma casa. Existe coisa pior do que fazer uma residência? Como é que você vai lidar com um casal reacionário?"
"O reacionário é um pobre criativo, de mau gosto."
[Numa entrevista para a TV canadense, depois de todo o equipamento testado, a repórter inicia a conversa dizendo: "Aos 101 anos, o senhor...". Niemeyer interrompe a gravação]
"Começamos mal, pode desligar todos esses aparelhos aí. Essa história de 101 anos é tudo mentira. Tenho 65, vamos começar outra vez."
" Uma vez, um sujeito perguntou: ´Oscar, e a vida?´ Eu disse: ´A vida? Mulher do lado e seja o que Deus quiser!'. A mulher é fundamental, como dizia Darcy Ribeiro. Agora, a vida depende de chance. Eu tive chance. Outras pessoas não têm. Tem colega meu que não tem trabalho. Isso me incomoda, não é? Eu me lembro de João Saldanha, que vinha muito aqui. Ele dizia sempre: ´Eu não consigo seguir um caminho. Quero fazer uma coisa, o destino me leva para outro lado´. Enfim... De modo que o importante é a mulher do lado! E saber que nós não temos importância. Que o tempo é curto. Quando você sobrevive mais, você se despede demais das pessoas. A vida é uma merda [ri da blague], mas a gente tem de viver, não é?"
A pia
No vaso sanitário, lugar de reflexões profundas, meu olhar encontrou estranhamento.
Imagino que de vez em quando isso acontece com as pessoas: você, acostumado dia e noite a uma coisa, um objeto ou cenário copiosa e cotidianamente sempre à vista, se pega de repente tendo indagações que brotam de um olhar, agora, diferente.
Pois lá eu estava em minhas bioobrigações quando me descubro enfeitiçado pela pia. Sim, a pia.
Não era uma dessas pias chiques que a gente vê nos catálogos modernos e nos projetos de revista de arquitetura e decoração. Não. Era apenas uma a mais, sem maiores encantos ou adornos. Uma pia comum, ordinária; vulgar até.
Consistia em uma plataforma que suspeito granítica, um bojo, uma torneira. Mas, veja: o granito está assentado sobre duas hastes de metal, de cerca de 30 cm cada, que o tempo e a umidade se incumbiram de enferrujar. Estão fixadas na parede. Como fizeram para colocar lá? Ora, não deve ser difícil; dá pra conjeturar métodos e práticas sem esforço.
Mas, pensei, com certo desânimo, que fosse eu o encarregado de executar este serviço relativamente simples, que deve ser assentar uma pia, não o saberia; talvez, nem por onde começar. E, olhe: o suporte de pedra também é colado na parede. Como? O que usaram? Qual a mistura, a argamassa fixadora?
E, então, da pia meu assombro se dirigiu aos metais. Os canos de formatos variados, as conexões, o tubo - que lembra mais um canalete embutido para fiações elétricas - trazendo miraculosamente a água de misteriosas paragens até o encontro de minhas mãos... quanto trabalho, quanta técnica, quanto labor num mero dispositivo hidráulico. E os azulejos? Me dei conta, talvez pela primeira vez, de que devem ser colocados nas paredes no sentido de cima para baixo, não de baixo para cima. Não teria pensado nisso; me pareceria natural iniciar o assentamento pelos níveis que alcanço.
Enfim. Não posso dizer que espero seu perdão por tantas trivialidades. Mas, entenda, por favor, que a vida - freqüentemente, por sinal - é um espanto para os ignorantes.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Outoninho invernal
E papai aqui só com tempo para os trabalhinhos extra-classe. Reclamando, não: ao contrário.
Bobagem
Quero fazer uma experiência não-científica e não-programada. Pra ver se, só de ler, você vai ficar repetindo mentalmente o refrão e o resto da música:
Canta, canta, minha gente, deixa a tristeza pra lá...
PS. Deixa pra me xingar depois.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Festa de arromba
Semana passada, alguém deu uma festa de arromba lá em casa: arrombou a porta a pontapés, fez uma zona nos quartos, gavetas e armários e roubou alguns pertences/objetos pessoais.
Além de contabilizar o prejuízo financeiro, da necessidade de se incrementar a segurança do edifício e intensificar a precaução no rol de hábitos cotidianos, falta ainda arrumar a bagunça que o cara fez nos meus documentos. Isso é que dá mais preguiça: separar notas fiscais, recibos, contas pagas, etc, etc. Para alguém averso às tarefas de organização, é o maior uó.
À medida que a gente vai precisando das coisas e não encontra, acrescenta mais um item na lista do ladrão. Pelo menos, o sujeito deixou todos os eletrodomésticos no lugar. Embora, na minha opinião, acredite que o que tenho de mais precioso em casa sejam livros e HQ´s. Nada de muito valor, como se vê, a não ser sentimental.
Já pensou, um Arsene Lupin tupiniquim? Um gatuno literário? Que rapina somente a biblioteca dos cidadãos e, por escárnio ou vingança, deixa na porta da geladeira uma página arrancada de O Diário de um Mago?
Ou seja, ninguém merece. Por via das dúvidas, troquei a porta danificada por uma maciça com três fechaduras.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Air France
Que saco esse negócio do avião. Bem no ano da França no Brasil.
Inevitavelmente, pensei em Lost.
Às vezes, a vida deveria imitar a ficção.
Seria ao menos um alento.
No Palácio
Moro em BH há mais de vinte anos e nunca tinha ido à sede do governo mineiro, do nosso excelentíssimo Aécio Neves.
Acordamos cedo no domingo, chegamos a ponto de conferir a - um tanto quanto histriônica - troca da guarda. Mas como estava cheio demais e a visitação se estendia até as 13h, preferimos voltar mais tarde. Ficamos ensebando, rodando pela cidade. A duplinha já impaciente. Aí vem Bibi:
- A gente não vai ver o Palhaço da Liberdade?
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