terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Um triz
Hoje, quase atropelei um menino.
Foi de manhãzinha. Num cruzamento.
Ele veio da esquerda,
Freei no último, no último momento. Na brecada, meu coração entalou no gogó. Zuuuum, lá foi ele com sua bicicleta. E, se não havia olhado para os lados antes de empreender sua louca travessia, menos ainda se dignou a olhar para trás. Se o fizesse, veria, num choque entre o alívio e a fúria, o atônito motorista do automóvel que por um triz não o transformara em paçoquinha.
Foi aquela coisa de cinema, de carrinho de bebê atravessar o sinal fechado com veículos de ambas as direções tirando lasca.
Se nada aconteceu, não se deve o crédito à minha diligência; naquele momento, o que poderia me deter, a não ser esses imponderáveis encadeamentos de eventos e coerografias onde bailam as horas do menino e as horas do meu dia?
Não atropelei o menino, mas deu vontade de atropelar a mão na orelha dele.
Ah, danado. Se te pego.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Crônica véia
Terrazinha generosa, de a gente visitar roça e comer queijo.
A coisa mais gostosa que tinha, exceto a filha do prefeito, era a gente sentar lá no alto da Santa Rita, uma igreja em cima dum morro, e se espreguiçar naquele gramado verdejante, que se me esforçar um pouco mais, inda sinto o cheiro.
E se ficava ali, tomando sol como lagarto, com os amigos, no exercício do à toa, sentindo vento e espalhando mentiras. De tardinha que a coisa se embunitava mais. O sol ia pedindo arrego devagar. Lá, no passado, ao contrário de agora, se percebia o tempo passando. E quando a gente dava por conta, pintava no alaranjado-vermelho-azul-roxo a primeira estrelinha, a de fazer três pedidos.
Com alguma consciência, fazia um pedido pra mim, um pra humanidade e o terceiro variava, dependia muito da inflação e da conjuntura política.
Primeiro pedia pra Deus uma namorada. Segundo, pedia pra acabar com a fome e a guerra, tentando negociar com Ele esses desejos num só, pois aí eu ainda ficava com um desejo de reserva, que não sou bobo.
As luzinhas da cidade iam se acendendo uma a uma, com má vontade. Ali, naquele horário, do alto da Santa Rita, a gente pensava em tudo, falava mal de tudo, duvidava de tudo, agradecia por tudo, e tudo isso era bom.
Refletores alumiavam a igreja às badaladas das 6 horas. Vinha chegando hora de ir embora, com roupa suja de marrom e joelho ralado, meia escorrendo pra dentro do tênis. Hora de pegar carona com meu pai, que saía do serviço ali pertinho.
De dentro do carro, indo pra casa, olhava uma última vez pra trás, praquele lugar, e não sabia porquê. É que a gente não tem muita dimensão do quê que vai virar saudade anos depois.
Pílulas do Dr. Miguez
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Preciso de uma boa idéia
5 segredos
Vi lá na Cynthia o meme de 5 segredos, a partir de agora, confessáveis. Vamo lá:
- Depois de minha passagem, todas as escolas onde estudei fecharam ou entraram em dificuldades financeiras.
- Gosto de tomar banho sentado, às vezes.
- Sei quem matou John Fitzgerald Kennedy.
- Vim do futuro. Sou um chronodigger do séc. XXXVII, especialista em mitos arcaicos e sociedades pré-hecatombianas.
Doc, espero os seus.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
relacionamentos
Nada funciona
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Mira!

A quem entreter possa: desde dezembro, em mais uma do Google, estão disponíveis para apreciação 15 obras-primas do acervo do Museu do Prado.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Carnaval 2009
Lenda das sereias e mistérios do mar
Dinoel – Vicente Matos – Veloso
O mar, misterioso mar
Que vem do horizonte
É o berço das sereias
Lendário e fascinante
Olha o canto da sereia
Ialaô, okê, ialoá
Em noite de lua cheia
Ouço a sereia cantar
E o luar sorrindo
Então se encanta
Com a doce melodia
Os madrigais vão despertar
Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz ela semeia
Toda a corte engalanada
Transformando o mar em flor
Vê o Império enamorado
Chegar à morada do amor
Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Inaê
Janaína e Iemanjá
São rainhas do mar
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Show do Alceu
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Declaração
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
habitat
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Pecados
Bah, bastante tenho obrado com os pecados capitais, entre os quais a preguiça se faz imperatriz, e os demais, serviçais. Culpa não há nem haveria, visto que nestas veias vãs corre sangue da Bahia - corre, não; vaga, eu diria; correr, ora essa, mui trabalho daria! Na luxúria, ergue-se meu obelisco; na gula, enquanto devoro nem pisco; e no mármore dos arabescos que ornam este castelo da soberba, observa: mil espelhos refletem o palácio vizinho ainda mais belo, soprando aqui também a ira pelo mal de Otelo.
Basta, pois, dos capitais! Proponho novos pecados, tão dantescos quanto de apreço nos círculos infernais; a saber, lá ululam criaturas sequiosas de nossas almas imortais; os pecados podem ser outros (intolerância, covardia, indiferença, negligência), podem até ser triviais (burrice, mau-humor e impaciência), mas, sem exceção, todos hão de nos atirar às sulfurosas profundezas abissais!
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Fertilidade
Golpe baixo
Sobre a copa

Senti que deveria reproduzir isso aqui. Mais uma cousinha sobre a Copa no Brasil: ma que logomarca ruinzinha foram arrumar, hein? E esse vermelho?
A Copa da Leviandade
JANIO DE FREITAS
Se o custo fosse R$ 35 bilhões, equivaleria a mais de duas vezes o Orçamento da Educação |
PREFEITOS de capitais e respectivos governadores estão empenhados em uma competição nunca ocorrida por aqui.
Para todos os ouvidos públicos, dizem tratar-se da disputa pela inclusão de sua capital entre as 12 que sediarão jogos da Copa do Mundo no Brasil, em 2014.
A verdade é um pouco menos modesta do que os prefeitos e governadores.
A conquista que eles buscam é incluir-se entre os 12 prefeitos e outros tantos governadores que vão estourar os cofres e muito futuro de suas capitais, e se necessário os dos Estados também, em benefício de sua popularidade eleitoral.
A Copa do Mundo é precedida pela Copa da Leviandade, promovida pelo governo Lula.
A estimativa de custo da Copa entregue a Lula no meio da semana, por suas eminências Joseph Blatter e Ricardo Teixeira, duas riquezas do peleguismo futebolístico que presidem a Fifa e a CBF, refere-se a R$ 35 bilhões calculados pela Fundação Getúlio Vargas.
Se o custo fosse aquele, equivaleria a duas vezes e mais 30% de todo o Orçamento para a Educação como será apresentado, amanhã, na reunião ministerial. Ou quase nove vezes o Orçamento para Ciência e Tecnologia.
Sabe-se, porém, que estimativas de custo de obras, no Brasil, são o que há de mais consagrado na ficção brasileira.
Bem, saber, não se sabe: vê-se.
Uma das batalhas de Juca Kfouri, a um só tempo inglórias e gloriosas, é a cobrança do relatório do Tribunal de Contas da União sobre o custo, e as mágicas que o fizeram, do Pan no Rio em 2006.
Dinheiro do Ministério do Esporte, da Prefeitura do Rio e do governo fluminense.
Pois nem o TCU cumpre o mínimo dever legal e público de divulgar suas constatações, quanto mais os que torraram, entre aplicações e divisões, o dinheiro público em que estimativas de R$ 50 milhões chegaram, na realidade, a dez vezes o estimado.
Sem explicação.
O que não se sabe, vê-se.
O Rio, há muito maltratado, foi abandonado de todo, para a prefeitura pagar o saldo de seus gastos e remendar as contas durante dois anos e meio, como prevenção parcial do risco de inquéritos e processos na sucessão.
Isso em uma capital com os recursos do Rio.
Uma cidade como Natal, cujo encanto não se traduz em dinheiro sequer em proporção aproximada, diz o noticiário que está gastando R$ 3,5 milhões só para engambelar a apresentação de sua candidatura.
Propõe-se a construir um estádio, com projeto encomendado na Inglaterra, de custo estimado em R$ 300 milhões.
Digamos, contra tudo, que a estimativa seja exata.
A cidade e a população de Natal não têm carências inatendidas até hoje por falta de R$ 300 milhões?
Na concepção eleitoreira e rentável, a continuidade, pelo tempo afora, das carências de Natal e das outras capitais de menor riqueza é compensada por três ou quatro jogos das oitavas da Copa.
O plano da cidade de São Paulo é exuberante.
São Paulo pode.
Mas seria interessante saber por que os bilhões paulistas, que entusiasmam o prefeito Gilberto Kassab ao se referir às obras para a Copa, não lhe dão o mesmo entusiasmo para usá-los, por exemplo, em obras corajosas que humanizem o neurotizante trânsito paulistano.
Das pequenas capitais à potência de São Paulo, só as quantias variam.
O desprezo pelas cidades e suas populações, presentes e futuras, é o mesmo.
